08setembro2014

[Resenha] “Partials” – Série Partials Sequence – Livro 01 – Dan Wells

Sinopse – “A raça humana está quase extinta após a guerra com os Partials – seres criados em laboratório, idênticos aos humanos. Eles liberaram o vírus RM, ao qual apenas uma pequena parte da população é imune. Os sobreviventes da América do Norte se reuniram em Long Island ao mesmo tempo que os Partials se retiraram da guerra misteriosamente. Kira é uma médica em treinamento que vê, dia após dia, todos os bebês morrerem, pouco tempo após o nascimento. Há mais de uma década nenhum nasce imune ao RM. O tempo está se esgotando e, com ele, a esperança. Decidida a encontrar a cura, Kira descobrirá que a sobrevivência dos humanos tem muito mais a ver com as ligações entre eles e os Partials do que se imagina. Ligações das quais a humanidade se esqueceu, ou simplesmente não sabia que existiam…”

Minha opinião – “Partials” é o primeiro livro da série e é dividido em três partes. Narrado em terceira pessoa, explica que a humanidade está a caminho da extinção. Houve uma grande guerra, chamada de Guerra do Isolamento, onde os humanos criaram máquinas biológicas, chamadas de Partials. Após a Guerra, houve discordâncias sobre o que fazer com os Partials, e com isso uma nova guerra se instalou: Humanos Vs Partials. E um vírus, chamado de RM matou milhares de pessoas e os bebês não sobrevivem, o que significa que há mais de uma década não nasce uma nova vida.

A humanidade agora tem menos de 50 mil vidas e não conseguiram a cura para o vírus. Poucos são os adultos que tem mais de 18 anos e o Senado impôs uma Lei, chamada “Lei da Esperança” onde todas as jovens com 18 anos ou mais devem engravidar. Meses após meses, anos após anos para darem à luz a crianças que morrem em questão de horas, no máximo dias. Mesmo entendendo a necessidade de tentar procriar, existe um grupo, chamado A Voz, que são considerados rebeldes e não concordam com o Senado e as restrições impostas por eles.

Em meio a esse universo, conhecemos Kira Walker, uma garota de 16 anos que estagia na maternidade do hospital. Inconformada com a desolação das mães e a morte dos bebês, essa garota mega inteligente decide assumir a responsabilidade de descobrir uma cura, principalmente agora que sua irmã adotiva Madison está grávida do marido Haru. Para encontrar a cura, Kira decide que precisa encontrar um Partial para estudá-lo. Assim, precisa sair da segurança da cidade e encarar uma jornada mortal.

O primeiro livro da série trouxe diversos elementos que prendem a atenção do leitor: um enredo extraordinário e diferente, personagens não apenas cativantes, alguns ambíguos e todos com um objetivo em comum – sobreviver.

Uma das discussões constantes do livro é a necessidade desses jovens em crescer tão precocemente. Crianças sendo obrigadas a gerar crianças, jovens soldados que precisam aprender a reagir rapidamente para sobreviver e ao mesmo tempo, o Senado os trata como crianças, sendo em alguns momentos relembrados que fazem parte da “geração babylândia”.

Apesar do foco ser na protagonista, existem diversos personagens que ganham destaque na história. Madison e Haru, o namorado de Kira, Marcus Valencio, Jayden, o irmão de Madison e sargento, Ariel e Isolde, as outras jovens que cresceram com Kira aos cuidados de Nandia (que é como uma avó) e Xochi, uma outra jovem que mora com elas e tem um ar mais rebelde. Sem contar o Senado, a Inteligência, representada por Mkele e outros personagens que vão aparecendo durante a aventura.

O enredo é muito bem desenvolvido, com direito a descobertas e revelações chocantes. A escrita é concisa e fluida, os personagens são memoráveis e o final é eletrizante.

“- A felicidade é a coisa mais natural do mundo quando você a possui, e a mais incerta, esquisita e impossível quando não…. – É como aprender uma língua estrangeira: você pode pensar em todas as palavras que quiser, mas nunca será capaz de falar se não criar coragem para pronunciá-las em voz alta”. (p. 83)

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Thaís Turesso

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07setembro2014

[Resenha] Half Bad – Meia Vida – Livro 01 – Sally Green

Sinopse – Nathan, filho de uma bruxa da Luz com o mais poderoso e cruel bruxo das Sombras. O adolescente vive com a avó e os meios-irmãos e é visto como uma aberração por seus pares. O Conselho dos Bruxos da Luz vê nele uma ameaça, que precisa ser domada ou exterminada. Prestes a completar dezessete anos – época em que todos os bruxos passam por uma cerimônia em que seu dom é finalmente revelado bem, como sua denominação como bruxo da Luz ou das Sombras –, agora Nathan terá que correr contra o tempo para achar o pai, que jamais teve oportunidade de conhecer, e salvar a própria pele.

Minha opinião – O livro é dividido em seis partes, compostas por capítulos curtos. Narrado em primeira pessoa pelo protagonista, a história começa contando os dias de Nathan enjaulado. Isso mesmo…. ele se encontra enjaulado.

Preso há quatro meses, Nathan conta sobre o seu cotidiano e como passa por cada dia tentando não enlouquecer e também a fugir.

“O truque de não se importar é fundamental. É o único truque da cidade. Só que não é uma cidade. É uma jaula ao lado de uma cabana, cercada por vários morros e árvores e céu.” (p. 14)

Depois da primeira parte, a trama é contada de forma mais linear, explicando sobre a família de Nathan e como ele vai acabar sendo preso.

Acontece que Nathan é vigiado e testado pelos Bruxos da Luz da Inglaterra, da Escócia e de Gales, pois seu pai biológico, Marcus Edge é um Bruxo das Sombras. Como é possível deduzir, não há amenidades entre Sombras e Luz e Marcus é considerado o pior deles. Na verdade, toda a linhagem tem uma história peculiar.

O protagonista é desde os poucos anos de vida repudiado e maltratado por todos, visto como uma abominação até mesmo pela sua meia irmã Jessica (a personagem mais insuportável do livro!). Ele não tem em quem confiar e seus conhecimentos sobre sua família (da parte de pai) é bem limitado. O leitor o acompanha nessas descobertas e observa que os existe inúmeros segredos e mentiras relacionados ao jovem.

A construção dos personagens secundários é muito bem elaborada. Eles são complexos, misteriosos e passam a impressão de que estão ocultando algo tanto de Nathan quanto do leitor.

O livro possui uma história diferente, e personagens que chegam ao ponto da crueldade (existem cenas fortes). A trama não chega a ser espetacular, o ritmo da narração é um pouco arrastado mas Nathan ganha os corações dos leitores.

“Half Bad” é o primeiro livro de uma série que fala sobre descobertas, sobre conhecer a si mesmo e formar sua identidade. Fala sobre amor e família, mas também tem todo um enredo voltado à magia e aventura.

O trabalho editorial é fantástico e desperta a atenção instantaneamente. Encontrei um único errinho de digitação (na página 281).

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Thaís Turesso

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22agosto2014

[Resenha] Tudo Por Nós Dois – Trilogia Bad Boys – Livro 03 – M. Leighton

Sinopse – Neste último volume, a rica e arrogante Marissa Towsend enfrenta um grande trauma. Após ser confundida com sua doce prima Olivia, ela acaba sendo sequestrada pelos mafiosos envolvidos pela tragédia dos Davenports. Ao ser resgatada, Marissa descobre que deve sua vida ao misterioso Nash, e ela não consegue afastá-lo do pensamento. Disposta a ajudá-lo a livrar o pai da pena por um crime que não cometeu, ela fará tudo o que estiver a seu alcance, inclusive mergulhar em um mundo de paixão, desejo e segredos, onde nada é o que parece e ao qual ela pode não sobreviver.
Minha opinião – Para aqueles que acompanharam a trilogia, perceberam que Marissa era a prima arrogante da Olivia, que não perdia uma chance de deixar claro que se achava melhor do que todo mundo. Acontece que ao ser sequestrada por engano (o alvo na verdade era Olivia), Marissa tem um choque de realidade e começa a avaliar a futilidade extrema com que conduzia a sua vida.
“Tudo por nós dois” fala sobre redenção e recomeços. Marissa quer encontrar o seu novo caminho e Nash, que teve que se fingir de morto por tantos anos, quer esquecer algumas de suas ações do passado.
O livro é narrado em primeira pessoa e os capítulos alternam entre Nash e Marissa, permitindo que o leitor compreenda melhor os acontecimentos e os sentimentos dos protagonistas.
Marissa é jovem, bonita, rica… considerada uma mimada filhinha de papai, o que é verdade até certo ponto. Conseguimos entender melhor o seu comportamento (não que ele seja justificado) ao entender a interação de Marissa com o pai. Não existe ternura, nem uma amostra de sentimentos calorosos por parte do pai dela. Marissa foi criada para desempenhar uma função e propagar o nome da família. Ela só é reconhecida pela família quando faz o que eles querem, qualquer indício de independência ou de sonhos próprios é vetado de maneira abrupta. O que vale para o patriarca da família Towsend são as aparências.
Nash presenciou a morte da mãe. Seu pai fez com que ele cortasse relações com Cash e com todos que conhecia. Ele cresceu com criminosos e realizou coisas que não tem orgulho. Aprendeu a não se relacionar com ninguém. Ter sentimentos ou laços afetivos pode colocar alguém em perigo. Mesmo assim, Nash tem “necessidades” e Marissa é uma mulher linda que está atraída por esse bad boy. Então Nash tem a obrigação de aproveitar o momento não é?

“Sorrio de modo afetado diante da sua tentativa de declarar, de forma tão delicada, que eu era contrabandista de armas. É extremamente irônico o fato de que o mais careta de nós, o mais provável para ter sucesso no mundo corporativo, acabou se transformando num criminoso. Até hoje, isso deixa um gosto amargo na minha boca”. (p. 53)

A interação entre os dois é altamente explosiva. Existe certa atração física mais forte nesse livro, não tão romanceada quanto os demais livros, deixando o relacionamento desses protagonistas um pouco mais primitivo.
É claro que o desfecho sobre a tragédia que abalou a vida dos Davenports ganha destaque e tem um encerramento perfeito. Mas também temos algumas conclusões sobre os personagens em si, como o relacionamento de Cash e Olivia.
Um dos pontos positivos do livro, além de não deixar pontas soltas no enredo é que a autora trouxe de volta alguns personagens que dão uma maior leveza e humor, como Gavin e a Ginger, que mostra para Marissa sua visão engraçada sobre os homens e como lidar com eles. 
O último livro da trilogia traz humor, romance, cenas hots, drama e deixa claro que nunca é tarde para os recomeços. 
Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um ótimo trabalho. A capa combina com as capas dos livros anteriores.

“Sejam quais forem as suas razões, o efeito ainda é o mesmo. Aliás, só de pensar que ele pode precisar de mim tanto quanto sinto que preciso dele apenas intensifica essa sensação. Imediatamente, minha mente se acalma e o pânico alivia. Este é o momento em que me dou conta de que sim, ele é encrenca. E que não, isso não vai me afastar dele. Nada vai fazer isso. E eu não sei por quê“. (p. 13)

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Thaís Turesso

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18julho2014

[Resenha]: “Tequila Vermelha” – Série Tres Navarre – Livro 1 – Rick Riordan

Sinopse – “Jackson ‘Tres’ Navarre retorna para sua cidade natal dez anos após o assassinato de seu pai. Porém, o caminho para as respostas em San Antonio, Texas, é bem mais difícil do que se pensava. Encontros com a máfia, jogos políticos, corrupção e dramas familiares tentarão desviar Tres da verdade ou matá-lo, o que acontecer primeiro”.

Minha opinião – Jackson Navarre ou Tres Navarre como é mais conhecido (é o terceiro Jackson Navarre da família – seu pai e avô tinham esse novo) é o protagonista dessa série de Rick Riordan.

Quando tinha 19 anos de idade, ele vivia em San Antonio, namorava com Lillian e tinha uma boa vida, até presenciar o assassinato de seu pai junto com Carl Kelley, o parceiro de Jackson Pai.

Jackson Pai era o xerife da cidade, uma figura pitoresca que era muito bom em seu trabalho. Diversas especulações foram feitas sobre os suspeitos, mas nunca ninguém foi preso pelo assassinato. E Tres partiu imediatamente após a morte do pai, para voltar exatamente dez anos depois a pedido de Lillian.

Voltar a cidade natal após tanto tempo é como mexer em um vespeiro. Ninguém está feliz com o seu retorno, pois ele insiste em investigar o caso de seu pai. Em uma cidade pequena como essa, não existem segredos que possam permanecer enterrados para sempre e as suas implicações podem ser alarmantes.

“Eu voltara para casa havia apenas dois dias e já conseguira bagunçar meu frágil relacionamento com Lillian, irritara minha mãe, traumatizara meu gato e fizera pelo menos três novos inimigos”. (p. 46)

Como todo bom livro adulto, “Tequila Vermelha” possui um protagonista incrível. Tres é um poço de contradições. Ele é muito inteligente, mas vive falando e fazendo coisas não muito espertas; tem um humor sarcástico e um companheiro para todas horas, Robert Johnson, um gato muito engraçado que combina perfeitamente com Tres, um praticamente exímio de Tai Chi que sabe nocautear quem fica em seu caminho.

Desde a chegada a sua nova casa o protagonista encontra confusão. Seja tentando expulsar o antigo locatário, lidar com Gary Hales, seu senhorio ou rever a sua mãe e seus colegas de escola e é claro, rever Lillian.

Claro que ele também tem um ar de conquistador e prova disso é a chegada de Maia Lee na cidade.

Alguns personagens merecem destaque, como a mãe de Tres, uma mulher de 56 anos, com aparência de 30 que namora com Jess Makar (que é apenas uns dois anos mais velho que o protagonista!); Carlon McAffrey, amigo de escola e repórter do jornal local e Ralph Arguello, que são dois antigos conhecidos que não poderiam ser mais opostos. Arguello é o cara que vive realizando algumas ilegalidades e é o tipo de pessoa que mesmo podendo sendo um criminoso, é hilário, divertido e muito carismático. Sem contar que se dispõe a ajudar Tres em inúmeras enrascadas.

O enredo é muito bem desenvolvido, com direito a muito mistério, diversos suspeitos e um culpado inesperado. A mistura da cultura norte americana com a mexicana também ganha destaque e complementa uma trama que tem tudo para fazer Tres Navarre um protagonista popular.

“- Você sabe que não posso simplesmente deixar a cidade.
– Você nunca deixou a cidade – ela disse. – Esse é o problema”. (p. 306)

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Thaís Turesso

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