18junho2014

[Resenha] “Tigana: A Voz da Vingança” – Tigana – Livro 02 – Guy Gavriel Kay

Sinopse – Numa tentativa de recuperar Tigana, sua terra natal amaldiçoada, o Príncipe Alessan e seus companheiros põem em prática um plano perigoso para unir a Península da Palma contra os reis despóticos Brandin de Ygrath e Alberico de Barbadior. Brandin é maquiavélico e arrogante, mas encontrou em Dianora alguém à sua altura e está hipnotizado por sua beleza e seu charme. Alberico está cada vez mais consumido pela ambição, cego a todas as ciladas a seu redor. Enquanto isso, o grupo de heróis viaja pela Península em busca de alianças que podem virar a batalha a seu favor. Alessan está mais dividido do que nunca, Devin já não é o rapaz ingênuo que era antes, Catriana apenas deseja redenção e Baerd descobre um novo tipo de magia. Conseguirá Tigana vingar a memória de seus mortos? Ninguém pode prever as perdas que sofrerão nem que fim terá esse embate. Sacrifícios serão feitos, segredos antigos serão revelados e, para que alguns vençam, outros terão obrigatoriamente que cair.

Minha opinião – “A voz da vingança” finaliza a disputa pelo poder que iniciou-se em “A lâmina na alma”. Como os leitores devem ter percebido na sinopse, o foco principal desse segundo livro acabou sendo os personagens, o que trouxe a história para um patamar mais elevado, tornando essa longa jornada em algo sublime.

O livro possuí 10 capítulos, sendo que os dois primeiros fazem parte da parte 3 do livro “A lâmina na alma” e os demais integram a parte 4 – “O preço do sangue”, que é a última da história.

Durante a leitura é possível conhecer o passado de muitos personagens e entender melhor a maneira como eles vêem o mundo. Mas o leitor que espera uma grande briga também não ficará decepcionado. Ela ocorre após muitos planos elaborados e frustrados, muitas disputas pelo lado dos homens, sendo que alguns tem motivos realmente nobres e outros nem tanto.

Um dos pontos que realmente teve destaque no livro foram as personagens femininas: Dianora e Catriana. As duas demonstraram para todos o que é ser um verdadeiro líder, colocando suas necessidades pessoais de lado e sendo capaz de arriscar tudo pela liberdade do povo.

“Ela manteve o olhar firme no dele, escuro e calmo, enquanto finalmente falava as palavras que a colocariam em seu caminho derradeiro, que o colocavam, a ele e a todos eles, os vivos e os mortos, os nomeados e os perdidos, naquele caminho; enquanto, amando-o com seu coração destruído, ela mentia”. (p. 206)

Da mesma maneira que o livro anterior, “A voz da vingança” traz ao leitor questões para refletir sobre o comportamento humano, sobre o caráter, lealdade e até mesmo amizade.

Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um trabalho excelente. Não há mais o mapa no verso da capa ou da contracapa, e é a única diferença encontrada em relação ao trabalho realizado no livro anterior. A capa é linda, a figura feminina no centro parece ser um adesivo, da mesma forma que o personagem masculino da capa do livro 1.

“Naquele momento, o medo a tocou com uma mão gelada, mas, um segundo depois, já havia sumido. Ela sentiu seu coração acelerado se acalmar, e então diminuir ainda mais. Uma profunda tranquilidade tomou conta dela. Logo depois, não sem seu fardo de tristeza, veio a aceitação. Naquela manhã, tinha saído da saishan procurando aquela certeza”. (p. 82)

Série Tigana

  1. A lâmina na alma
  2. A voz da vingança
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Thaís Turesso

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17junho2014

[Resenha] Os Assassinos do Cartão-Postal – James Patterson

Sinopse – Uma viagem para conhecer as mais belas cidades da Europa é o sonho de qualquer pessoa. Porém, o detetive da NYPD Jacob Kanon não está interessado nos pontos turísticos. Após receber a notícia do brutal assassinato de sua filha e namorado, mortos em Roma, Kanon viaja para o Velho Continente para tentar juntar pistas sobre o crime que mudou sua vida. E a onda de assassinatos está só começando: jovens casais são encontrados mortos em Paris, Copenhague, Frankfurt e Estolcomo. Os crimes parecem não estar conectados, com exceção de um cartão-postal enviado para o jornal local da cidade de cada nova vítima. Quando a repórter sueca Dessie Larsson recebe um postal, Kanon junta forças com a jornalista e partem para o novo destino para tentar capturar o serial killer.

Minha opinião – Como é costume nos livros do autor James Patterson, o livro possui uma narrativa rápida e fluida graças aos capítulos curtos e a alternância no foco da narração, que uma hora apresenta o casal de assassinos e na outra o detetive Jacob.

O livro começa mostrando o modus operandi do casal que no momento está com outras vítimas. Logo no início o que choca o leitor é a frieza como eles cometem o crime, como se estivessem realizando uma atividade corriqueira ou banal ao invés de tirarem a vida de duas pessoas.

Do outro lado da história, temos Jacob Kanon, um detetive americano que veio investigar por conta própria na Europa. Infelizmente Jacob não se encontra 100%, pois vive bebendo e poderíamos até dizer que está um pouco depressivo.

Correndo atrás dos assassinos há meses, a única pista que o detetive tem são os cartões postais que eles enviam para os jornais locais.
Quando uma jornalista recebe o próximo cartão postal, ela e Jacob precisam juntar forças para descobrir a identidade dos assassinos.

“Sua voz estava sombria, um pouco rouca. Ela fala inglês perfeitamente, mas com um sotaque esquisito. Ele a observou em silêncio por alguns segundos”. (p. 32)

Durante a leitura é possível encontrar algumas situações não exatamente originais como o fato de termos um detetive devastado com uma perda pessoal tentando fazer justiça com as próprias mãos (acho que esse poderia ser considerado o maior clichê do livro), mas mesmo assim o livro é interessante e desperta a atenção aos fãs do gênero.

Em relação à revisão, diagramação e layout a editora caprichou no trabalho. A capa combina com a trama e o lindo cenário dá a impressão de um cartão postal.

“Foram as moscas que revelaram que algo estava errado dentro do trailer dos italianos, As pessoas nas tendas vizinhas reclamaram do zumbido e uma hora passaram a reclamar também do cheiro”. (p. 239)

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Thaís Turesso

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15junho2014

Proposta Inconveniente – Patricia Cabot

Sinopse
Apaixonada pelo capitão Connor Drake, Payton sonha em ser capitã de seu próprio navio. Ela cresceu desejando essa profissão exclusivamente masculina, mas agora deve abdicar disso tudon para conseguir um bom marido. O problema é que Connor só percebe seus sentimentos por Payton na véspera de seu casamento com outra. Quando o barco dos noivos parte rumo às Bahamas, ele é atacado e resta a Payton se infiltrar num navio pirata para salvar a vida do seu amado. A coragem une os dois, e o resgate pode gerar mais frutos do que ela imaginou.

Minha opinião

Adoro a escrita da autora Meg Cabot em seus romances históricos publicados como Patricia Cabot. Já li e postei aqui no blog: A Dama da Ilha, Pode Beijar a Noiva, Retrato do meu Coração, Aprendendo a Seduzir e A Rosa do Inverno.

Proposta Inconveniente não é o melhor romance da autora como Patricia Cabot, mas tem seu encanto. Conforme a leitura avança, vamos conhecendo Payton mais a fundo, nossa protagonista tem dezenove anos e até essa idade usava apenas roupas masculinas, nascida e criada no mar, perdeu a mãe durante o seu parto, restando viver com o pai e seus três irmãos mais velhos. Quando chega a idade atual, seu irmão mais velho encontra-se casado com Georgiana, que inconformada com o jeito de Payton ter sido criada (como um menino) decide vestir-lhe adequadamente a fim de que encontre o quanto antes um marido.

Connor Drake vive com a família masculina de Payton desde que era menino, viu ela crescer, mas nunca imaginou que atrás das vestes masculinas encontraria uma mulher pequena, mas já adulta. Mas, essa percepção se faz tarde demais, ele está prestes a se casar com a Srta. Whitby, uma orfã a quem a própria Payton acolhera.

Enquanto Payton está tentando se portar adequadamente, se vê envolta em um grande paradigma, como pôde acolher essa mulher, para quem perderá Drake para sempre? Porque ela sempre o amara, desde que se conhece por gente.

O clima da narrativa não podia ser melhor, uma trama envolvente com as ideias mirabolantes de Payton, a avó irritante de Drake, seus irmãos e cunhada, personagens que participam ativamente da trama enriquecendo a mesma. O humor também é frequente:

”  — Não tem nada a ver com isso — respondeu Ross, desgostoso. — Achei que era óbvio porque…
— Ross! —gritou Georgiana, levando as mãos ao rosto.
— Ela está carregando o filho dele.
Payton piscou os olhos. Certamente não ouviu muito bem as palavras de Ross. Ela entendeu “filho”. Mas não pode ter ouvido direito; ele deve ter dito “milho”.
Mas “milho” não fazia sentido. Porque a Srta. Whitby estaria carregando um milho de Drake? Nas terras de Drake sequer plantavam milho. Ele nem gostava de milho.
Ross deve ter dito “filho”.
Mas isso também não fazia sentido.”
(Pág. 84)

O livro poderia ser melhor, alguns fatos não foram totalmente esclarecidos de uma forma simples e concisa, algumas cenas simplesmente não fariam falta no livro e a protagonista poderia ser um pouco mais atraente, porque apesar da sua bravura heroica é difícil de não enxergá-la como um homem, Patrícia Cabot quis com certeza criar uma mulher heroína, mostrar o quanto as mulheres podem se destacar no ambiente ou época que vivem, mas não é este livro o melhor que ela já escreveu.

Não deixem de ler, assim poderão comentar comigo o que acharam deste romance!

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Thaís Turesso

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27maio2014

[Resenha] Tigana – A lâmina na Alma – Livro 01 – Guy Gavriel Kay


Sinopse – “Tigana é uma obra rara e encantadora onde mito e magia se tornam reais e entram nas nossas vidas. Esta é a história de uma nação oprimida que luta para ser livre depois de cair nas mãos de conquistadores implacáveis. É a história de um povo tão amaldiçoado pelas negras feitiçarias do rei Brandin que o próprio nome da sua bela terra não pode ser lembrado ou pronunciado. Mas anos após a devastação da sua capital, um pequeno grupo de sobreviventes, liderado pelo príncipe Alessan, inicia uma cruzada perigosa para destronar os reis despóticos que governam a Península da Palma, numa tentativa de recuperar um nome banido: Tigana. Num mundo ricamente detalhado, onde impera a violência das paixões, este épico sublime sobre um povo determinado em alcançar os seus sonhos mudou para sempre as fronteiras da fantasia”.

Minha opinião – Tigana foi lançado como um livro único, mas aqui no Brasil foi dividido em dois volumes: “Tigana – A lâmina na alma” e “Tigana – A voz da vingança”. Então o leitor não se surpreende muito ao saber que o final de “A lâmina na alma” o livro termina de forma um pouco abrupta.

Narrado em terceira pessoa, o início do livro (até mais ou menos a página 100, 110) é um pouco arrastado. Talvez pelo enorme número de nomes diferentes apresentados que acabam confundindo um pouco. A história tem início quando dois poderosos governantes, que são feiticeiros perdem pessoas que amam em meio a busca pela expansão das terras. A história tem um toque de Europa Medieval, com comerciantes de vinhos por exemplo. A Península de Palma é basicamente dividida em províncias do leste e províncias do oeste, onde Brandin e Alberico governam. Como é de se esperar, as consequências de uma guerra acabam prejudicando o povo, nesse caso, mais precisamente a província de Tigana.

Cabe ao príncipe de Tigana, Alessan bar Valentin, tentar recuperar a província, mas existe um detalhe: ele não possui magia. Então como derrotar dois magos sem ter poderes? É aí que entra vários outros personagens que vão adicionando “algo” na história. São tantos personagens, como o grupo de músicos, que fica difícil descrevê-los individualmente. O livro é dividido em partes, e cada parte foca um pouco mais em determinado personagem.

“Aquilo durou desde aquela primeira noite por toda a primavera, e durante o começo do verão. O pecado dos deuses, como era chamado o que fizeram”. (p. 239)

Não existe personagem inteiramente bom ou inteiramente ruim no livro. Eles são movidos por sentimentos e são falhos, como todo ser humano. São essas nuances de suas personalidades que permitem que nos identifiquemos com eles.

O livro inteiro é muito interessante e traz ao leitor não apenas uma guerra mágica ou disputa de terras, mas também permite refletir sobre causas e consequências dos nossos atos, ou o motivo de pessoas boas tomarem decisões ruins.

Um livro fantástico e uma leitura indispensável para os fãs do gênero.

Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um trabalho incrível. Na parte interna da capa e contracapa temos um mapa muito colorido e que passa a impressão de antigo para acompanharmos melhor a história. A capa é simplesmente linda e atraí instantaneamente a atenção.

“Não tinha certeza de haver conseguido formar a palavra ou se tinha apenas pensado nela, mas foi então que uma escuridão mais envolvente que jamais conhecera cobriu-o, como um cobertor ou uma manta, e a diferença entre o dito e o não dito não mais importava”. (p. 159)

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Thaís Turesso

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