09Fevereiro2013

Barba ensopada de sangue – Daniel Galera

Classificação
 Sinopse:
Um professor de educação física busca refúgio em Garopaba, um pequeno
balneário de Santa Catarina, após a morte do pai. O protagonista (cujo
nome não se conhece) se afasta da relação conturbada com os outros
membros da família e mergulha em um isolamento geográfico e psicológico.
Ao mesmo tempo, ele empreende a busca pela verdade no caso da morte do
avô, Gaudério, que teria sido assassinado décadas antes na mesma
Garopaba, na época apenas uma vila de pescadores. Sempre acompanhado por
Beta, cadela do falecido pai, o professor mergulha na investigação
sobre o misterioso Gaudério, esquadrinhando as lacunas do pouco que lhe é
revelado, a contragosto, pelos moradores mais antigos da cidade.
Portador de uma condição neurológica congênita que o obriga a interagir
com as outras pessoas de um modo peculiar, o professor estabelece
relações com alguns moradores – uma garçonete e seu filho pequeno, os
alunos da natação, um budista histriônico, a secretária de uma agência
turística de passeios. Aos poucos, ele vai reunindo as peças que talvez
lhe permitirão entender melhor a própria história. É também com lacunas e
peças aparentemente díspares que Galera constrói sua narrativa
alternando descrições sutis e detalhamento com diálogos ágeis e de rara
verossimilhança, que dão vida a um elenco de personagens. ‘Barba
Ensopada de Sangue’ se propõe a resgatar e levar às últimas
consequências temas e conflitos das obras anteriores do autor tais como –
a construção da identidade e, nesse processo, as dificuldades que se
enfrenta para entender e reconhecer os outros; a necessidade inconfessa
de uma reparação talvez inviável; a busca pela unidade entre mente e
corpo; o consolo afetivo que o contato com a natureza e os animais é
capaz de proporcionar; os diversos tipos de violência que podem irromper
em meio a uma existência domesticada.

 Sei que não irei fazer uma resenha adequada a este livro, pois foi uma
leitura diferente. Não esperava tamanho impacto que a história fosse me
causar. Confesso que fui um pouco ignorante em pensar que pelo título, o
livro se tratava de um assasino, ou de assasinatos. A verdade é que ele
trata de um jovem que ouve uma história curiosa e cheia de fatos não
esclarecidos de como seu avó morreu.

Com a morte do pai, o
protagonista vai até Garopaba tentar saber como o avô morrera. E é lá
que se passa a história. A chegada de nosso personagem, as dificuldades em
se adaptar naquela cidade e como ganhar a confiança daquelas pessoas de
que não são apenas mais turistas que resolveram prolongar as férias.

O
desenrolar da história acontece de uma maneira calma, a narrativa não se apressou e
isso torna a leitura prazerosa. A maneira que o autor retratou a
história é diferente. O linguajar, as descrições… tudo isso me
fascinou muito na narrativa do Galera.

Cada fato narrado não
pôde passar despercebido, pois todos giram em torno da trama, temos que
pegar os fios soltos e junta-los para realmente compreender a
grandiosidade do livro. A natureza humana não é tão simples quanto
parece, e sim perigosa.

Este foi o primeiro livro que leio do
Daniel Galera e espero ler outros deste autor. Apesar da história ser
muito profunda e a trama ser original, não gostei do final. Eu o
entendi, fiquei com um sorriso após ler o livro, mas senti que o final
não foi adequado e poderia ter sido mais elaborado.

 

 

Categorias:Outros
Thaís Turesso

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09outubro2012

Os Gêmeos – Pauline Alphen

Os GêmeosLivro: Os Gêmeos
Série: Crônicas de Salicanda – Livro I
Autor: Pauline Alphen
Editora: Cia. Das Letras
Categoria: Literatura Juvenil | Literatura Internacional
ISBN: 9788535920079
Páginas: 306
Lançamento: 2011
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ 
Sinopse:  
Claris e Jad são irmãos gêmeos tão inversos quanto idênticos. Compartilham sentimentos e pensamentos, mas enquanto Jad tem um coração frágil e sofre de enxaquecas terríveis, condições que lhe impedem de passar muito tempo ao ar livre, Claris é uma garota cheia de vida, destemida, que sonha em viver grandes aventuras. Aventuras como as que lê na Torre dos Livros, onde seu melancólico pai vive enfurnado desde o sumiço da mulher; aventuras como aquelas que a mãe lia para ela; aventuras como as que Jad, com seus problemas de saúde, não pode experimentar. Eles vivem em uma aldeia chamada Salicanda, em um castelo cravado num vale isolado por uma cadeia de montanhas e encharcado por uma chuva fina e incessante, com o pai, Eben; um preceptor, Blaise; e a ama, Chandra. A mãe, Sierra, desapareceu em uma noite de temporal, no dia em que os gêmeos completavam três anos, deixando a família despedaçada e muitas perguntas no ar. Claris, que divide o tempo entre os livros, as aulas de esgrima e as cavalgadas na floresta, anda obcecada com a ideia de que as aventuras são sempre protagonizadas por meninos – o que ela acha extremamente irritante. Mas está enganada, pois vai viver uma aventura e tanto ao lado do irmão. À procura de respostas para os mistérios que envolvem o sumiço da mãe, a história de Salicanda e os dons sobrenaturais que parecem ter herdado de Sierra, os gêmeos vão ultrapassar as fronteiras do castelo onde vivem e também do seu mundo: aquele da infância dos dois, o de um passado que eles desconhecem.

            
Jad e Claris são gêmeos e possuem 12 luadas, ou seja 12 anos. O pai deles é o rei de Salicanda, uma espécie de reino que vive em harmonia em seu próprio sistema, criado por Jors, o fundador. A mãe deles desapareceu quando eles possuíam três anos e desde então não há nenhuma noticia sobre seu desaparecimento ou se ocorreu alguma tragédia.

            Os gêmeos possuem uma ligação única apesar das tantas diferenças que foram aparecendo com o tempo. Claris possui um gênio forte e não se conforma com a passividade das mulheres nos livros que tanto gosta de ler. Ela quer se igualar aos meninos e para isso treina lutas e monta cavalos. Já Jad é contido e muito mais calmo. Possui constantes dores de cabeça e o coração aparentemente frágil, então evitas as atividades que sua irmã tanto gosta. Os dois possuem “treinadores”, além da ama Chandra, pessoas com quem eles contam bastante, já que eles possuem poucas amizades, pouco contato com outras crianças e o pai afastou-se deles desde que perdeu o grande amor da sua vida.

          Mas mesmo com a harmonia toda no reino, há um passado sombrio, que todos tentam esquecer e evitam falar. Pode até parecer que a história se passa em séculos passados, onde não existia a Internet e aparelhos eletrônicos, mas não se enganem, estamos no século XXIII e graças aos problemas que os seres humanos criaram para o mundo, eles precisam viver assim. E não é só isso, algo estranho está acontecendo e cabe a Jad e Claris impedir que o mal retorne novamente e é justamente por isso que o passado precisa ser conhecido novamente.

“Ler é uma viagem”                            

              pág 157

             Quando escolhi “Os Gêmeos” da editora para ler e resenhar, não estava preparado para o que me esperava. O livro tem uma capa bonita e é consideravelmente grande, 368 páginas, mas isso não são os únicos atrativos dele. A sinopse não consegue expressar o quanto o livro é bom e a história é envolvente.
         Nem preciso dizer que Claris é uma personagem que gostei muito né. Ela ama ler e durante a história, acompanhamos também suas leituras, desde “Odisséia” a “Harry Potter”. Jad também leva créditos e o que eu achei mais bonito é a ligação deles, uma coisa muito forte. É bem nítido o carinho que sentem um pelo outro e como se protegem.
          A autora, Pauline Alphen, possui uma escrita gostosa e que flui rapidamente. É muito bom todo o contexto que ela cria para o livro, além do mais ela explica tudo no decorrer da história, em nenhum momento você se vê perdido, mesmo com tantas coisas que aconteceu e que está acontecendo. E sabem o que é pior? Este é o primeiro volume das crônicas de Salicanda que terminou de uma maneira muito angustiante em ponto crucial para tudo e todos. Nem precisa dizer que quero o próximo rapidinho. Cinco estrelas sem dúvida!!!

                                                                                                                            Sobre o autora:


Pauline Alphen nasceu no Rio de Janeiro em 1961. Filha de pai francês e mãe alagoana, cresceu na França e ainda hoje vive em Paris. É escritora, tradutora e autora de livros infantis. Em 1994 publicou o livro de poemas Aviso aos Navegantes (edição artesenal) e participou da coletânea Língua Solta (Rosa dos Tempor).
Categorias:Outros, Resenhas
Thaís Turesso

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14setembro2012

O Livro de Julieta – Cristina Sánchez-Andrade

Título: O Livro de Julieta
Autor: Cristina Sánchez-Andrade
Editora: Cia das Letras
Selo: Paralela
Tradução: Rodrigo Peixoto
Categoria: Não ficção | Autobiografia
Páginas: 160
ISBN:  9788565530026
Lançamento: 2012
Classificação: ♥ ♥ ♥

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Sinopse:

Um biquíni novo da Hello Kitty, um passeio de mãos dadas com os irmãos,
uma piscina de bolinhas, a chuva, a rotina… Para Julieta, a felicidade
é isso. Já para sua mãe, a jornalista espanhola Cristina
Sánchez-Andrade, a felicidade é algo um pouco mais complicado,
principalmente depois que sua filha foi diagnosticada com síndrome de
Down. “Ela vai te fazer companhia a vida inteira”, “É um presente de
Deus”, “Você é forte, vai superar” – é tudo o que tem ouvido desde
então. Numa sucessão de memórias, bilhetes, cartas, diálogos, sonhos e
impressões, este livro narra a história real de Cristina e sua filha. É
uma história de atividades, de trabalho, de constância, de cobrança, de
médicos. Mas é também uma história de amor, de carinho, de brincadeiras,
de beijos e de cócegas. É a história de uma criança especial, mas é
também a história do cotidiano de uma família, em que desponta uma
protagonista cativante. Julieta é uma exímia imitadora, tem medo de
guarda-chuvas abertos, admira a irmã mais nova e tem um relacionamento
muito próximo com o pai. É impossível não amá-la, mas, às vezes, quando
ela insiste em fazer xixi nas calças todos os dias ou toma detergente, é
impossível não perder a paciência. Ao mesmo tempo grave e divertido, leve e profundo, doce e mordaz, O livro de Julieta
é, acima de tudo, a tentativa de uma mãe de atravessar a distância que a
separa de sua filha e adentrar seu território, enxergando-a exatamente
como ela é.
“O Livro de Julieta” conseguiu chamar minha atenção pela capa que é muito atrativa (pessoalmente é ainda mais bonita, tem detalhes tipo strass) e pela sinopse, adoro ler sobre conflitos de quando a vida não nos deixa escolhas, quem escolheria ter um filho(a) diferente? Ninguém. Mas a vida escolhe por nós e nada podemos fazer quanto essas escolhas, aceitá-las e compreender caminhos a serem trilhados ainda é a melhor forma de autonomia sobre esses imprevistos…
O livro tinha tudo para ser um preferido em minhas listas, mas não foi isso que ocorreu. O enredo é leve e flui com rapidez necessária, mas a autobiografia tem um quê de pessimismo terrível, compreendi a autora e o seu jeito de expor ao mundo suas frustações, suas conquistas e enfim, apesar de compreendê-la não consegui entender sua maneira de lidar com essas frustações, tudo para ela é demasiadamente cansativo e complicado, não gostei dela, mas consegui amar Julieta.
Sua filha tem os típicos comportamentos de uma criança com Síndrome de Down, mas ela consegue ser única. Muito impressionante é o amor que tem pelos seus irmãos, em especial pela irmã mais nova, que mesmo superando-a em habilidades e intelectualmente, compreende as dificuldades da irmã especial e a ama incondicionalmente, e isso é maravilhoso na obra da autora-mãe.
Mas senti muitos conflitos na narrativa, a mãe tem mais filhos e todos normais e mesmo assim parece não viver feliz com a situação especial de Julieta, não sei se por esse motivo não gostei ou se o livro precisava ser mais emocionante, não sei, mas recomendo a todos que entendam de educação especial ou sentem necessidade de entender o cotidiano de uma criança com Síndrome de Down, demais leitores poderão não se identificar tanto como eu, em relação à obra da autora.

Categorias:Outros
Thaís Turesso

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12junho2012

Por Isso a Gente Acabou – Daniel Handler

Livro: Por Isso a Gente Acabou
Autor: Daniel Handler
Editora: Companhia das Letras
Categoria: Literatura Internacional | Romance
ISBN: 9788535920239
Páginas: 376
Lançamento: 2012
Classificação:  ♥ ♥ ♥ 

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Sinopse:
Por isso a gente acabou trata, com a comicidade típica do autor, de uma
situação difícil pela qual todos um dia irão passar: o fim de uma
relação amorosa e toda a angústia, tristeza e incerteza que essa
vivência pode gerar. Min Green e Ed Slarteron estudam na mesma escola e,
depois de apenas algumas semanas de convívio intenso e apaixonado,
acabam o namoro.
Depois de sofrer muito, Min resolve, como marco da ruptura definitiva,
entregar ao garoto uma caixa repleta de objetos significativos para o
casal junto com uma carta falando sobre cada um desses objetos e do
episódio que ele representou, sempre acrescentando, ao final, uma nova
razão para o rompimento. Essa carta é o texto de Por isso a gente
acabou, que é, assim, carregado de um tom informal e tragicômico –
características da personagem – e traduz com um misto de simplicidade e
profundidade a história de uma separação (…)
Por Isso a Gente Acabou  é um livro intrigante e interessante, digamos assim, um livro que te conta o final já pelo título “Por isso a gente acabou”. Então já sabemos que eles terminaram certo? Isso,  basicamente. Mas não é tão simples quanto parece. Existe o meio, onde saberemos porque eles terminaram ou “acabaram” e existe o final, que é até onde a história começa, mas como chegou até ele, é o mais instigante e surpreendente.
Uma singela caixinha, quase que de surpresa (na verdade é para nós, leitores), mas não para Ed Slarteron, o ex “algo” de Minerva conhecida como Min. Ela está lhe entregando a caixa, na verdade deixando ele tomar conhecimento dela, quando ela realmente começa a nos contar desde o começo, cada objeto dentro da caixa representa um pedaço da história, a narrativa é contagiante e demasiadamente envolvente, você vai lendo e lendo e quando se dá conta, não parou até chegar no final.
Cada objeto dentro da caixa que está sendo entregue à Ed, é uma lembrança para Min, que hoje, de coração partido, mas de forças renovadas desfaz-se completamente de seus pertences que o uniam à Ed, não mais agora.
Min é inteligente, singela e “das artes” como diria Ed, a meu ver, Min é linda por sua diferença, por não se encaixar na popularidade. Ed é o típico líder, capitão, exímio jogador. Bonitão e popular, que vê em Min… O quê mesmo?

Por Isso a Gente Acabou é o retrato de um amor interrompido, de um coração partido e é o desabafo de uma garota comum, que narra suas dores e maravilhas, seus dias bons e ruins, narra com sinceridade o que se passa e o que passou, mas a caixa, é simbólica, representando os momentos que um dia foram bons e que hoje já não significam nada mais.

Para a narrativa, ilustração, enredo e todo o livro eu daria cinco estrelinhas, mas não consegui dar mais do que três, já que faltou “algo” no final e muito a ser descoberto. Enfim, recomendo sem pestanejar, só gostaria de um pouco mais de “final feliz” em minhas leituras!
Olhem a caixinha (eu ameiiii):

Olhe que legal, esse vídeo do autor entrevistando corações partidos:


Categorias:Outros
Thaís Turesso

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