26novembro2016

[Resenha] O Problema dos Três Corpos – Remembrance of Earth’s Past # 1 – Cixin Liu

Sinopse – China, final dos anos 1960. Enquanto o país inteiro está sendo devastado pela violência da Revolução Cultural, um pequeno grupo de astrofísicos, militares e engenheiros começa um projeto ultrassecreto envolvendo ondas sonoras e seres extraterrestres. Uma decisão tomada por um desses cientistas mudará para sempre o destino da humanidade e, cinquenta anos depois, uma civilização alienígena a beira do colapso planeja uma invasão. O problema dos três corpos é uma crônica da marcha humana em direção aos confins do universo. Uma clássica história de ficção científica, no melhor estilo de Arthur C. Clarke. Um jogo envolvente em que a humanidade tem tudo a perder.

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Carol Durães
Carol Durães

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02julho2016

[Resenha] Alucinadamente feliz – Um livro engraçado sobre coisas horríveis – Jenny Lawson

Sinopse – Jenny Lawson está longe de ser uma pessoa comum. Ela mesma se considera colecionadora de transtornos mentais, já que é uma depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos). Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é.Após receber a notícia da morte prematura de mais um amigo, Jenny decide não se deixar levar pela depressão e revidar com intensidade, lutando para ser alucinadamente feliz. Mesmo ciente de que às vezes pode acabar uma semana inteira sem energia para levantar da cama, ela resolve que criará para si o maior número possível de experiências hilárias e ridículas a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade. É por meio das situações mais inusitadas que a autora consegue encarar seus transtornos de forma direta e franca, levando o leitor a refletir sobre como a sociedade lida com os distúrbios mentais e aqueles que sofrem deles, sem nunca perder o senso de humor. Jenny parte do princípio de que ninguém deveria ter vergonha de assumir uma crise de ansiedade, ninguém deveria menosprezar o sofrimento alheio por ele ser psicológico, e não físico. Ao contrário, é justamente por abraçar esse lado mais sombrio da vida que se torna possível experimentar, com igual intensidade, não só a dor, mas a alegria.


“Alucinadamente feliz” é um livro esplêndido, que mescla o bom humor em situações cotidianas. Conforme a sinopse explica, a autora tem uma série de transtornos, tais como depressão, distúrbio de automutilação e muitos outros transtornos. Seu cotidiano em um dia comum não é fácil, imaginem então quando ela recebe a notícia de que um amigo querido faleceu. Foi uma postagem em seu blog pessoal que deu o pontapé inicial ao movimento ALUCINADAMENTE FELIZ.

“Outubro de 2010:Deu para ouvir? Isso sou eu sorrindo, minha gente. Estou sorrindo tanto que dá para ouvir daí. Vou destruir o maldito universo com a minha alegria irracional e vou vomitar fotos de gatinhos desastrados e cachorrinhos adotados por gaxinins e LHAMAS RECÉM-NASCIDAS FODÁSTICAS COBERTAS DE GLITTER E DE SANGUE DE VAMPIROS SENSUAIS E VAI SER INCRÍVEL.” (p. 19)

E a partir desse momento, a vida de Jenny mudou, pois ela adotou um novo mantra na sua vida e aceitou tudo com muito bom humor e fez coisas que muitos considerariam loucura.

“Nos anos seguintes, me forcei a dizer sim para qualquer coisa ridícula. Pulei em fontes onde ninguém deveria entrar. Peguei a estrada sem planejar nada para caçar discos voadores. Persegui tornados. Vesti um lobo (que havia morrido de falência dos rins) para ir à estreia local de Crepúsculo enquanto gritava “TEAM JACOB” para fãs de vampiros furiosas. Aluguei um bicho-preguiça por hora. Meu novo mantra tornou-se “decoro é superestimado e provavelmente causa câncer”. Em resumo, fui enlouquecendo aos poucos, mas com constância. E foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido.” (p. 19/20)

E não foi apenas para a Jenny. Os leitores ao terminarem “Alucinadamente feliz” terão a impressão de que tiveram a melhor experiência de suas vidas! Jenny discute em cada capítulo um assunto diferente, como uma conversa com o seu marido Victor, uma viagem que fez até a Austrália e se vestiu de coala e canguru (existem fotos no livro que comprovam essa história!) e até mesmo as conversas imaginárias que tem com a sua psiquiatra.
Sem dúvida é uma obra repleta de bom humor e que discute com muita leveza o cotidiano de alguém que vive no limite. Um livro incrível e leitura indispensável para todos.
Em relação à revisão, diagramação e layout a editora arrasou. A capa combina perfeitamente com a história (tem uma explicação lógica para ela).

ISBN-13: 9788580579314
ISBN-10: 8580579317
Ano: 2016
Páginas: 352
Idioma: português
Editora: Intrínseca
Skoob: clique aqui
Avaliação: 4/5

 

 

Categorias:Outros
Thaís Turesso

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31maio2016

[Resenha] O Quarto Dia – Sarah Lotz


Sinopse – Em O Quarto Dia, Sarah Lotz conduz o leitor por uma viagem de réveillon que tinha tudo para ser perfeita. Mas às vezes o novo ano reserva surpresas desagradáveis… Janeiro de 2017. Após cinco dias desaparecido, o navio O Belo Sonhador é encontrado à deriva no golfo do México. Poderia ser só mais um caso de falha de comunicação e pane mecânica… se não fosse por um detalhe: não há uma pessoa viva sequer no cruzeiro. As autoridades acham indícios de uma epidemia de norovírus, mas apenas descobrem os corpos de duas passageiras. Para piorar, todos os registros e gravações de bordo sofreram danos irreparáveis. Como milhares de pessoas podem ter sumido sem deixar rastro? Teorias da conspiração se alastram, mas só há uma certeza: 2.962 passageiros e tripulantes simplesmente desapareceram no mar do Caribe.

Mais uma vez a autora Sarah Lotz consegue surpreender o leitor com uma trama cheia de suspense e reviravolta! Narrado em terceira pessoa, “O quarto dia” é ambientado no cruzeiro Belo Sonhador, um Cruzeiro Foveros. O enredo gira em torno de alguns personagens e os capítulos que os representam receberam títulos peculiares.
Como no nome do livro indica, o cruzeiro estava indo bem até o quarto dia, quando ocorre um pequeno incêndio na casa das máquinas causou uma pane elétrica. Segundo as mensagens de Damien, o diretor do cruzeiro, era apenas um contratempo de algumas horas. Mas esse “contratempo” torna-se o pior pesadelo desses 2.962 passageiros e tripulantes, quando acontecimentos muitos bizarros começam a se desenrolar…
Sem energia, o sistema de refrigeração não funciona: os alimentos tornam-se limitados, o ar das cabines fica quente e ficar lá torna-se insuportável e os ânimos dos passageiros tornam-se exaltados. Junte isso a uma tripulação que trabalha incansavelmente, sendo desprezados pelos passageiros e insultados pelos próprios chefes.
Ficar no meio do alto mar, sem comunicação, sem saber exatamente onde estão já é uma situação extenuante. Mas, eventos bizarros, como a aparição de um garotinho, o comportamento bizarro da médium do cruzeiro e um cadáver é mais do que qualquer um aguentaria!
Os capítulos nomeados “A Assistente da Bruxa” giram em torno de Madeleine ou Maddie, a assistente de Celine, a médium e uma das atrações do cruzeiro. Maddie estava em uma situação pessoal ruim quando aceitou se tornar assistente, mas com o tempo arrependeu-se da decisão. Celine é grosseira, exigente e após o escândalo envolvendo suas declarações sobre os sobreviventes de um dos voos da quinta-feira negra, a situação apenas se agravou. Após o quarto dia do cruzeiro, Celine tem uma mudança drástica de comportamento e se torna ávida para auxiliar os demais indivíduos do cruzeiro. Conforme sua chefe vai mudando, Maddie vai ficando mais por conta própria na embarcação e vai investigando, com a ajuda de Xavier, dono do Blog do Curinga, o que está realmente acontecendo.
Temos também alguns capítulos intitulados “O Condenado”, onde o protagonista é Gary Johansson. À primeira vista, Gary é um homem mediano: nem bonito nem feio, casado com uma mulher “normal”, professor, que passa desapercebido por todos. Porém, ele têm uma “compulsão” que o torna sombrio e assustador.
Os capítulos intitulados “A Criada do Diabo” gira em torno de Altheia, uma das camareiras do navio. Para os passageiros ela é prestativa, gentil e generosa, mas mentalmente está sempre frustrada, sofrendo abusos da chefe e desesperada para ganhar dinheiro, pois tem um marido sanguessuga e não quer, de forma alguma, ficar presa com ele. Altheia é a primeira passageira a visualizar algo que a deixa intrigada e ao mesmo tempo assustada. É uma personagem astuta, batalhadora e forte.
“As irmãs suicidas” gira em torno de Helen e Elise, duas gentis senhoras que estão passando por momentos extenuantes em sua vida pessoal. 
“O Anjo da Misericórdia” gira em torno do Jesse, o médico do cruzeiro. Jesse é um médico renomado que cometeu um grave erro e que se “escondeu” na embarcação. Deveria ser um trabalho tranquilo, mas o pânico dos passageiros, uma epidemia e um cadáver tornam o seu trabalho uma missão quase impossível e as tentações estão em todos os lugares…
E “O Guardião dos Segredos” fala de Devi, um seguranças do “Belo Sonhador”. Devi tem o coração no lugar certo e apesar de todos os empecilhos colocados pelo seu chefe, ele tenta de todas as formas fazer o correto. Sua vida particular é conturbada, pois sua cultura não permite que ele seja verdadeiro. Teve que sair de casa após descobrirem seu segredo e sofrer represálias.
A obra é complexa, cheia de nuances e assustadora. É um suspense que prende a atenção do leitor do começo ao fim e a cada página virada uma nova revelação é feita.
Os personagens são complexos e ricos. Cada um tem seus segredos, dúvidas e anseios. A forma como a autora apresenta o comportamento humano diante algumas situações difíceis. Uma obra espetacular e totalmente irresistível.
Não é necessário ler “Os Três” antes desse livro. Cada livro tem uma história independente e a única ligação entre eles é explicada e superficial. 
Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um trabalho incrível. As bordas das páginas são azuis escuras, combinando com a cor da capa e a capa combina muito bem com o enredo.

ISBN-13: 9788580415384
ISBN-10: 8580415381
Ano: 2016 
Páginas: 352
Idioma: português 
Editora: Arqueiro
Skoob: clique aqui
Avaliação: 5/5 <3

Categorias:Outros
Thaís Turesso

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08maio2016

[Resenha] A Garota de Treze – Lilian Reis

Sinopse
Oi, meu nome é Luce. Odeio ter treze anos, ser chamada de pirralha e não
ser popular, mas, Acima De Tudo, odeio nunca ter sido beijada! Só tenho
uma amiga de verdade, a Rafa, e um amigo apaixonado que tenta de todas
as formas chamar minha atenção, o Bruno. Ele é pra lá de fofo, mas não
gosto de garotos tão novos, entende? Minha vida sem graça começou a
mudar quando botei os olhos no vocalista de uma nova banda. Nossa. Que
gato! Eu já queria fazer aulas de violão, mas, depois que ouvi o
carinha, decidi me matricular. Quase caí dura quando descobri que ele
era o professor! Pelamordideus! Além de atencioso, paciente e lindo,
tocava MUITO! Fiquei maluca por ele, tão maluca que decidi trapacear. Eu
só não imaginava que as consequências seriam tão desastrosas!
Onde comprar?
Saraiva | Mundo Uno

Minha opinião:

A Garota de Treze é o primeiro romance infantojuvenil publicado pela Editora Mundo Uno, pelo Selo Jovem da editora, lançado este ano na Bienal de Minas Gerais. É o primeiro contato que tenho com a escrita da autora Lilian Reis. Já fiquei fã!!!

Luce é uma garota totalmente sem graça, sem sal, sem peitos e sem experiência. Uma BV. Ops! Essa é a versão de Luce.

A Garota de Treze é Lucinda (Luce) que está completando treze anos, a fase da aborrescência, narrando do seu ponto de vista (primeira pessoa) ela nos confidencia seus sonhos, anseios e medos. Com seus treze anos recém completados ela aguarda o esperando momento em que ficará mais velha e que as coisas mudarão, odeia ter treze anos e sabe que a vida não é como nos filmes onde você deseja ter trinta e a mágica acontece, ela só queria ter dezesseis!

“De olhos fechados, tentei deixar a mente vazia ou pensar em outras coisas, só que não é assim tão fácil. Sou pilhada por natureza – ansiosa. Quero resolver tudo logo, como se o mundo fosse acabar. Quando um assunto me atormenta, hum… Faço disso uma tempestade num copo d’água. Sempre exagerada. Veja o que me tortura desde os meus onze anos: me sinto adulta, inteligente e capaz; sempre antenada, curiosa ao cubo e maluca para crescer logo.”


Luce mora com a mãe, seus pais são divorciados. Como ela mesmo diz:

“Meu pai tem outra mulher e tal. O tal é uma enteada de quatorze anos, metida a besta. A Beatrice. Eles até são alegres e se divertem muito, mais do que a mamãe e eu. O problema é que juram que diversão é passar o fim de semana todo jogando Imagem e Ação, Banco Imobiliário, etc.”


Seu pai aparece pouco na narrativa, o livro é em sua maior parte focado em Luce, em sua mãe com o namorado e seu iminente casamento, ou seja, o pai, madrasta e companhia foram descritos apenas no início do livro, Luce pouco se envolve com eles. Seu maior envolvimento é com a mãe, cheguei a ficar com pena de Luce, com a mãe “megaestressada”, “superprotetora”, “neurótica”, “careta”, “controladora”, no fundo, sua mãe só a quer proteger,  no decorrer da leitura a protagonista desencana de enfatizar o quanto a mãe a superprotege e passa a definir novos objetivos, como ficar com alguém.
“A Rafa e eu vimos quando ela se virou e sorriu, cínica e vitoriosa. Aí não aguentei mais. Avancei, pulei em cima dela e puxei aqueles cabelos lindos e perfeitos. Ela berrou e agarrou os meus cabelos também. A professora deu um grito:
– Jesuuus, me ajuda! – Jesus era o inspetor da escola.
– Luce, Luce, Luce, nãooo! – berrava a Rafa. – Isso não vai prestar! Logo Jesus chegou e separou a briga. Que vergonha!”
Inesperadamente, as coisas fogem do controle, ela mente, trapaceia e diz ter dezesseis. Então ela fica com Noah.

Depois de ter espantado Bruno, seu amigo de infância para os braços de outra, ter magoado e traído sua confiança, ela tem sempre sua melhor amiga Rafa, para desabafar e contar seus sentimentos. Mas, inesperadamente, as coisas começam a ficar sérias entre ela e Noah. Conseguirá contar a verdade? Precisará acertar as contas com o universo, definitivamente!

“Acredite, você só está começando sua história. Esta é apenas uma página. Rabisca ela e começa outra!”
A Garota de Treze é um livro fofo, emocionante e cheio de lições. Luce ensina com seus erros, que devemos respeitar as fases da vida, porque trapacear pode prejudicar a muitos, mas não mais do que a si mesma.

Luce ensina que as fases da vida não devem ser puladas, devem ser vivenciadas uma a uma, ensina que toda garota deve aproveitar cada momento de sua vida plenamente, sem disfarces, viver intensamente o aqui e o agora, porque tudo passa depressa.

“– A gente faz o que toda garota de treze faz, ora! Sonha, brinca, zoa, olha garotos, faz planos… Porque, quando chegarmos nos tais dezesseis, dezessete, dezoito, minha amiga, daí a porca torce o rabo, porque as responsabilidades vêm junto com a idade!”

“– Sabe, depois de tanta confusão, tive tempo de pensar. E olha, pra mim, já deu. Com sobras! Não atropelo mais nada. Quero viver cada dia dos meus treze anos sem pensar nos quatorze. E, já que me pediu um conselho, o melhor que posso dar é não apressar as coisas! Deixe o seu primeiro beijo acontecer na hora dele. Descobri que assim é mais gostoso e marcante.”

 

 Adorei o romance, fazia um bom tempo que não lia nada tão leve, fofo e agradável! Confesso que gostei do Noah, mas tinha uma pontinha de esperança que ela desse corda para o Bruno! haha

Divertido, fofo e perfeito! Espero que a autora escreva uma continuação, quem sabe quando Luce fizer dezoito?

Mais do que recomendado, para garotas a partir de onze anos!

Ficha Técnica:
Autora: Lilian Reis
ISBN-10: 8567218047
Ano: 2016
Páginas: 220
Idioma: português
Editora: Mundo Uno

Categorias:Outros
Thaís Turesso

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