20setembro2013

Resenha: A Gladiadora – Girl in the Arena – Lise Haines

Quando vi a capa do livro “A Gladiadora”, fiquei totalmente intrigada e corri para ler a sinopse e pensei com os meus botões: eu preciso ler esse livro.
Não sei se foi pela alta expectativa ou porque eu gostei da escrita da autora, mas terminei o livro em pouquíssimas horas e com gosto de quero mais.
O estilo de vida Gladiador criado no livro foi muito bem desenvolvido, com um contexto histórico e uma história de base emocionante. É claro que, ao perceberem o quanto seria lucrativo, algumas pessoas mal intencionadas tornaram esse estilo de vida um espetáculo. E vou dizer… e que espetáculo! Nós temos uma arena, com animais, gladiadores, tramas conspiratórias, mentiras e é claro, jovens que passaram a vida inteira em um estilo de vida que não concordam. A autora ainda discute de modo sutil a invasão de privacidade através dos reality shows, onde câmeras ficam 24h seguindo os indivíduos, não permitindo um momento de privacidade.
A personalidade de cada um dos personagens é complexa, envolvente, forte e marcante. 
Lyn é jovem, mas ao mesmo tempo forte, corajosa e sabe o que quer. Praticamente passou a vida cuidando da mãe e do irmão, dois personagens instáveis, cada um a seu modo. A trama gira principalmente em torno da visão de Lyn, que com a perda do seu sétimo pai, tem alguns flashbacks de como a sua vida já vinha sendo desestruturada. Uber é um personagem que vai cativando o leitor aos poucos, conforme vamos entendendo sua história. Temos ainda personagens com habilidades “especiais” que se destacam de uma forma inusitada.
Uma história dinâmica, diferente e capaz de fazer o leitor não largar o livro até chegar ao fim.
Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um ótimo trabalho. O detalhe no início dos capítulos, a escolha da fonte e alguns outros detalhes internos enriquecem ainda mais o livro. A capa é simplesmente linda.

“Agora eu me deito sobre as cobertas, no lugar onde ela gostava de se aninhar, e repouso a cabeça sobre o travesseiro dela. Ouço nitidamente como seus pensamentos se transformavam em beleza, e como os meus eram inflexíveis”. (p.244)

Edição: 1
Editora: Underworld
ISBN: 9788564025210 
Ano: 2013 
Páginas: 312 
Skoob: aqui
Avaliação: 4/5
Categorias:Outros
Thaís Turesso

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18setembro2013

Resenha: Como Eu Era Antes de Você – Jojo Moyes

O livro “Como eu era antes de você” é uma lição de vida. Sem dúvida o leitor terá sentimentos contraditórios: irá chorar, rir, sofrer e amar.
A história começa em 2007, quando Will Traynor sofre um acidente que muda a sua vida. Temos uma visão breve de como sua vida é dinâmica, pulsante e intensa. 
Depois disso, o livro salta para 2009 e irá mostrar a vida de Louise, uma jovem de 26 anos que sustenta a família através de seu salário de garçonete, até o momento em que o estabelecimento fecha.

“Eles dependiam do meu salário. Treena ganhava quase nada na floricultura. Mamãe não podia trabalhar, pois tinha de cuidar do vovô e a pensão dele era mínima; papai estava sempre tenso em relação a seu emprego na fábrica de móveis. Fazia meses que o patrão vinha resmungando sobre um possível corte de pessoal”. (p.16)

A dinâmica da família de Louise é um dos pontos marcantes da trama: mesmo não intencionalmente eles a tratam com descaso, seja com brincadeiras ou piadas sem graça ou com a clara diferença que eles fazem entre as duas irmãs: Louise e Treena, sendo que Treena, além de ser mais nova, é mãe solteira e ainda se acha merecedora de privilégios, mesmo que esses venham as custas de Louise:

“…isso, na verdade, não mudava muito as coisas: no caso do meu pai, ele parou de me chamar de “gordota” e, quanto a mamãe, passei a ter uma caneca de chá a minha espera quando chegava em casa. Para Patrick e minha irmã, eu era a mesma: ainda alvo de piadas, e a recebedora de beijos, abraços e maus humores”. (p.58)

“Treena era assim. Ela achava que era seu direito. Mesmo depois de Thomas ter nascido, ela continuava se considerando a caçulinha da família e tinha o sentimento bem arraigado de que o mundo girava ao redor dela… Quase vinte anos depois, nada mudara. Tínhamos de cuidar de Thomas para Treena sair; dar comida a ele para Treena não se preocupar; comprar mais presentes de Natal e aniversário para ela já que “ela não pode comprar por causa de Thomas””. (p.122)

O relacionamento de Patrick e Louise também é complexo. Inicialmente têm-se a impressão de que Louise acomodou-se, e não se importa que Patrick seja tão egocêntrico como a sua família. 
A família de Will é composta por Camilla Traynor, sua mãe, Steven seu pai, sua irmã Georgina e Nathan, o enfermeiro que cuida dele.
Inicialmente, quando Camilla contrata Louise, o leitor fica indagando porque contratar alguém sem experiência ao cargo, para uma função tão importante. Fica claro que é a personalidade de Louise, sempre tagarela, excêntrica para se vestir e honesta que vai ser seu diferencial, pois Will tornou-se uma “sombra” do que era antes do acidente: ácido, mau-humorado e até mesmo um pouco depressivo. Apesar do começo difícil são as pequenas interações entre os dois que vão ganhando espaço na vida de Will e no coração dos leitores, que acabam torcendo para que a autora foque o livro cada vez mais em cenas que ambos aparecem.

– Sabe, você não se veste como alguém daqui. Sempre espero ansioso a próxima combinação maluca de roupas com que vai aparecer”. (p.89)

Camilla Traynor é uma mulher que age com uma mão de ferro, dando a impressão de que não tem coração, seja devido ao acidente do filho ou até mesmo antes dos acontecimentos. Mas a verdade é bem mais complexa do que isso. Vemos uma mulher forte que se sente impotente em meio a uma situação que não consegue controlar, que sofre em silêncio por sua vida. 
Um dos fatores marcantes do livro foi a possibilidade do leitor conhecer através de capítulos narrados por Camila, Steven, Nathan e até mesmo Treena os sentimentos desses personagens e como eles enxergam os acontecimentos.

“Foi só quando trouxemos Will de volta para casa, depois que o anexo foi adaptado e arrumado, que encontrei algum sentido em tornar o jardim bonito outra vez. Precisava dar ao meus filho um lugar onde olhar. Precisava dizer a ele, silenciosamente, que as coisas poderiam mudar, crescer ou fenecer, mas que a vida continuaria… Uma promessa tácita, se preferir, de que existe algum maior, um futuro melhor”. (p.98)

O livro traz ao leitor lições inesquecíveis, não apenas de como “viver” a vida diariamente, mas através das nuances dos dois personagens principais Louisa e Will, mostra os melhores lados do ser humano: sua fé inabalável, a capacidade de amar, perdoar e seguir em frente.
A autora ainda discute temas importantes, como o suicídio assistido, a dificuldade dos deficientes na integração da sociedade sem ferir a sua independência, a compreensão da sociedade sobre esses indivíduos e a capacidade de superação. 
“Como eu era antes de você” é uma leitura de conteúdo forte, emocionante e extremamente marcante.
Em relação a revisão, diagramação e layout a editora realizou um ótimo trabalho. A capa passa uma sensação de liberdade e paz, sensações essas que combinam com a trama.

Edição: 1

Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580573299
Ano: 2013
Páginas: 320
Tradutor: Beatriz Horta
Skoob: clique aqui
Avaliação: 4
Categorias:Outros
Thaís Turesso

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16setembro2013

Resenha: “O Último Apócrifo” – Daniel Brandão

“O último Apócrifo” é um livro com uma trama complexa, bem desenvolvida e que prende o leitor. Os capítulos iniciais são densos, pois alternam entre si com a apresentação de diversos personagens, como o Padre Olegário, Izacael, um anjo caído, Crowley um anjo caído que tem um passado obscuro e um papel importante no equilíbrio entre o bem e o mal, um advogado de defesa de criminosos de colarinho branco, o Elias de Grande, a banda Anões e Leões, em especial Joe, além de Alice, Rogério, Raquel e tantos outros compõem a trama. São tantos personagens com profissões e papéis tão desconexos que no início da leitura o leitor fica sobrecarregado. Porém, é ao avançar da trama que seus caminhos vão se cruzando e descobrimos que nada ocorre por acaso e que cada um deles é uma peça nesse enigmático quebra-cabeça.
Após esse início mais arrastado, o leitor fica preso em uma batalha e tanto e descobre que o Céu não é tão certinho e nem todos os habitantes do Inferno são tão malvados.
“A Casa dos Saberes era, além de biblioteca celestial, um templo aonde os anjos vinham exclusivamente orar por sabedoria. Alguns pensavam que apenas se ajoelhando e pedindo por conhecimentos ficariam mais inteligentes, mas a verdade era igual à dos mortais: teriam de enfiar a cara nos livros para aprenderem mais alguma coisa”. (p. 28)

Essa falta de separação entre os bons e os maus é um dos pontos positivos do livro, pois é necessário avaliar o indivíduo e não sua espécie: humano, anjo, demônio.
Crowley sem dúvida é o personagem que se destaca, mesmo em cenas em que deveria ser coadjuvante: sarcástico, de pavio curto e muito inteligente, é impossível não querer saber o que ele vai aprontar em seguida.
Izacael é o personagem que leva o leitor a refletir. Refletir sobre a humanidade, o existencialismo, o bem x o mal.

Para os fãs do gênero, “O último Apócrifo” é uma leitura essencial. O escritor Daniel Brandão surpreende de modo muito positivo o leitor com a sua escrita fluida, dinâmica e com a sua capacidade em elaborar um livro cheio de detalhes inusitados.
O final deixa o leitor suspenso, curioso para saber o que irá acontecer em seguida.
O livro não trata apenas da batalha entre o bem e o mal, mas também fala do comportamento humano, seus atos e suas preocupações com bens materiais.

“Todas as coisas são para serem discutidas. Religião, política e futebol. Todas. Deve existir uma razão, a mais sem sentido e sem noção, mas deve existir uma. Sempre existe”. (p. 416)

Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um ótimo trabalho. Encontrei uns dois errinhos de digitação, mas nada que interferisse na leitura. A capa chama a atenção e é totalmente relacionada ao tema do livro.

“Sete é o número da perfeição. Sete são os dias da semana. Sete são as cores do arco-íris. Sete são os algarismos romanos. Sete são os mares; sete são as notas musicais; sete são as virtudes; bem como os pecados capitais. No começo e no fim o número sete é citado. Assim sendo, sete também é o número de arcanjos que habitam a presença de Deus”. (p. 13)

Editora Dracaena, 400 páginas, 2013.
Skoob: Clique aqui
Avaliação: 4/5

Categorias:Outros
Thaís Turesso

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