27Fevereiro2015

[Resenha] Simples Perfeição – Você abriria mão da sua felicidade pelo amor da sua vida? – Série Perfeição/Série Rosemary Beach – # 02/05 – Abbi Glines

Sinopse – Woods teve sua vida traçada desde o berço. Cuidar dos negócios da família, casar com a mulher que os pais escolheram, fingir que riqueza e privilégios eram tudo de que ele necessitava. Então a doce e sensual Della apareceu e conquistou seu coração, abrindo seus olhos para um novo futuro. A vida do casal seguia para um final feliz, até acontecer um imprevisto: a morte do pai de Woods. Da noite para o dia, o rapaz herda o império Kerrington e, embora sempre tenha almejado essa posição, precisará de toda ajuda possível para provar que está à altura de tanta responsabilidade. Della está determinada a ser o apoio de que Woods necessita, mas os fantasmas do passado ainda estão presentes e mais intensos do que nunca. Pressionada pela ex-noiva e pela mãe de Woods, ela toma a decisão mais difícil de sua vida: abdicar da própria felicidade pelo homem que ama. Mas os dois terão a força necessária para seguir em frente um sem o outro? Concluindo a sedutora história de Woods e Dell. Simples perfeição é o romance mais surpreendente de Abbi Glines e mostra que encontrar alguém pode ser um golpe do destino, mas descobrir a perfeição ao lado dessa pessoa requer aceitar a si mesmo e superar os piores obstáculos a dois.

Minha opinião –  “Simples Perfeição” é o segundo livro da duologia que conta a história de Della e Woods. Os capítulos são narrados em primeira pessoa entre os dois protagonistas, alternando o ponto de vista em determinadas situações. Dessa forma é possível observar como cada um dos dois interpretam os acontecimentos.
Iniciamos esse livro com o falecimento do pai de Woods e, como consequência com ele tendo que assumir as obrigações nos negócios da família, principalmente o clube.
Della quer ser forte por Woods, estar presente e apoiando-o em todos os seus passos. Porém, Woods quer mantê-la segura dentro de casa, longe de sua mãe e ex. Seu excesso de proteção pode causar mais problemas do que ele imagina, pois ficar em casa é a última coisa que ela quer. Após ter uma infância tão complicada, Della precisa viver, e quer muito trabalhar e ter o que considera uma “vida normal”.
Durante a história ocorre um grande mau entendido que faz com que Della explore seus traumas passados. Sua jornada é muito bonita de acompanhar. Della tem uma imagem equivocada de si mesma. Ela se acha fraca e frágil, por causa de seus pesadelos e ataques de pânico, mas a verdade é que ela possui uma força interna inacreditável. Cada situação ruim apresentada sobre o seu passado, faz com que o leitor a ame um pouquinho mais. Ela conseguiu manter a positividade e uma luz interior presente em sua vida, mesmo após ter sofrido tanto.
Woods também acaba amadurecendo um pouco durante o livro, ao perceber que precisa concordar com a liberdade de Della e que o relacionamento precisa de um maior equilíbrio. Em alguns momentos da leitura ele chega a ser um pouco neandertal, como se Della fosse “algo” que pertence a ele. Nesse aspecto faltou um pouco mais de sutileza ao colocá-lo como possessivo, pois pode passar uma ideia equivocada.
Os fãs da série Rosemary Beach não irão se decepcionar. Os demais personagens são uma presença constante no livro e temos também indícios do próximo casal abordado nos livros seguintes.
Como uma série New Adult, a série Rosemary Beach tem todos os elementos necessários para conquistar: drama, romance e reviravoltas. Para aqueles que ainda não iniciaram a leitura, vale ressaltar que os livros dessa série possuem cenas hots e linguajar explícito. Em contrapartida temos também diversas passagens românticas, onde os protagonistas apreciam os pequenos detalhes do relacionamento.

“Della atirou a cabeça para trás e deu risada. O som dessa risada fez todo o meu mundo entrar nos eixos.” (p. 18)

Edição: 1
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580413571
Ano: 2015
Páginas: 208
Tradutor: Cássia Zanon
Skoob: aqui
Avaliação: 3/5 

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Thaís Turesso

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23Fevereiro2015

[Resenha] A Balada de Adam Henry – Ian McEwan

Poucos autores de língua inglesa são mais importantes na atualidade do que Ian McEwan. Em quarenta anos de carreira, ele compôs marcos da literatura contemporânea, como Amor sem fim (1997), Amsterdam (1998) e Reparação (2001). Seus livros são conhecidos pela precisão da prosa, pela atmosfera de suspense e estranhamento e também pelas viradas surpreendentes da trama, que puxam o tapete do leitor ao final do livro. Nos últimos anos, o traço decisivo de sua literatura tem sido a defesa da racionalidade científica contra os fundamentalismos religiosos. É esse o embate que está no cerne de A balada de Adam Henry.  A personagem central é Fiona Maye, uma juíza do Tribunal Superior especialista em Direito da Família. Ela é conhecida pela “imparcialidade divina e inteligência diabólica”, na definição de um colega de magistratura. Mas seu sucesso profissional esconde fracassos na vida privada. Prestes a completar sessenta anos, ela ainda se arrepende de não ter tido filhos e vê seu casamento desmoronar. Assim que seu marido faz as malas e sai de casa, Fiona tem de lidar com o caso de um garoto de dezessete anos chamado Adam Henry. Ele sofre de leucemia e depende de uma transfusão de sangue para sobreviver. Seus familiares, contudo, são Testemunhas de Jeová e resistem ao procedimento. O dilema não se resume à decisão judicial. Como nos demais casos que julga, Fiona argumenta com brilho em favor do racionalismo e repele os arroubos do fervor religioso. Mas Adam se insinua de modo inesperado na vida da juíza. Revela-se um garoto culto e sensível e lhe dedica um poema incisivo: “A balada de Adam Henry”. Os sentimentos despertados pelo garoto a surpreendem e incomodam. A crise doméstica e o envolvimento emocional com Adam – que oscila entre a maternidade reprimida e o desejo sexual – desarrumam sua trajetória de vida exemplar, trilhada com disciplina espartana desde a infância. 
“Um estudo assombroso sobre o amor em crise e uma mulher madura no limite de suas forças.” – Robert McCrum, The Observer
Minha opinião – Conforme a sinopse explica, o livro tem foco em dois personagens completamente diferentes: a juíza Fiona Maye, uma mulher de quase 60 anos de idade que está passando por um momento difícil em sua vida pessoal e Adam Henry, um jovem de 17 anos que encontra-se muito doente e irá falecer se não receber uma transfusão sanguínea.
Fiona recebe uma notícia inesperada de seu marido: ele está atraído por outra mulher e quer ter um caso com ela, mas ao mesmo tempo quer permanecer casado. Segundo Jack (seu marido há mais de três décadas), ele quer explorar a paixão, inexistente a anos no casamento. Chocada com a proposta, Fiona apresenta seus pensamentos divididos entre o bem-estar das crianças que aparecem em seu tribunal e seus sentimentos sobre o seu marido e casamento.
O autor mescla muito bem esses dois polos da vida de Fiona. Narrado em terceira pessoa, os parágrafos intercalam os pensamentos pessoais e os relatos de casos terríveis e tristes que ela enfrenta diariamente. A composição de Fiona é tocante e ao mesmo tempo muito real. Ela representa diversas mulheres que possuem um casamento duradouro, mas não necessariamente feliz. Sim, existem bons momentos, companheirismo e até mesmo afeição entre eles, mas isso é suficiente?
Um dos casos acaba se destacando: Adam, um jovem criativo, sensível, carismático e extremamente inteligente. Por questões religiosas, seus pais recusam a transfusão de sangue que pode salvar a vida de Adam.
Fiona decide conhecê-lo no hospital para decidir o seu destino. E um único encontro é capaz de marcar os dois.
A interação é singela e ao mesmo tempo impactante. Adam consegue trazer um pouco de luz na vida de Fiona e os dois começam a influenciar a vida um do outro sem ao mesmo perceber.
Uma das qualidades do livro é a sutileza para discutir assuntos tão polêmicos como religião e casamento. São assuntos cotidianos que permitem a todos uma identificação imediata e até mesmo uma conexão com os personagens.
Adam é jovem e de certa forma inocente, pois não conhece muito além do que foi apresentado a ele. Fiona é uma mulher mais madura, mas ao mesmo tempo inocente. Acredita de coração nas escolhas decentes, que visam o melhor para as crianças. Sua preocupação é o bem-estar dos jovens que passam por seu tribunal. Sua inocência transfere-se também para a vida pessoal, a confiança plena no marido até o momento de sua revelação. É a partir desse momento que ocorre o questionamento do seu casamento.
Não há um ataque as escolhas religiosas ou pessoais. São fornecidas informações para que o leitor tenha capacidade de realizar suas próprias conclusões.
A escrita é dinâmica e fluida, mas seu conteúdo é arrebatador.

“Ergui minha cruz de madeira e a arrastei junto ao rio.Eu era jovem e tolo, e perturbado pela ideiaDe que a penitência era uma asneira e os encargos coisa de idiota.Mas aos domingos me diziam para seguir todas as regras…” (p. 164) 

Edição: 1
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535925135
Ano: 2014
Páginas: 200
Tradutor: Jório Dauster
Skoob: clique aqui
Avaliação: 4/5
Onde comprar
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Thaís Turesso

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10Janeiro2015

[Resenha] Por Lugares Incríveis – Jennifer Niven

Sinopse“Dois jovens prestes a escolher a morte despertam um no outro a vontade de viver. Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, Violet se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família. Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar os lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los.”
Minha opinião – Antes de começar a falar do livro, vale a pena ressaltar que recebemos a prova antecipada para divulgação. Por conta disso não comentaremos sobre revisão e layout já que o exemplar recebido encontrava-se em revisão.
A história é narrada em primeira pessoa e os capítulos apresentam as perspectivas de Violet e Finch e o local é Bartleet, Indiana, uma cidade com apenas 14.983 habitantes.
Violet é uma das garotas populares da escola, é inteligente, popular, seu ex-namorado é um dos garotos mais cobiçados do colégio, mas tudo isso deixou de ser importante para ela após um grave acidente de carro. Qual o sentido em estudar, falar bobagens ou até mesmo sorrir, se Eleonor, sua querida irmã não está mais ao seu lado?
Finch é visto como o garoto esquisito, um pouco excêntrico e até mesmo um bad boy. Ele não segue os padrões esperados, está sempre se metendo em confusões e fica ausente por longos períodos na escola. Na superfície ele é apenas um garoto encrenqueiro, mas ao conhecermos a cada página um pouco mais de sua alma, vemos que ele é um jovem atormentado não só pela estrutura familiar disfuncional, mas também por uma mente talentosa que está cheia de ideias mórbidas. Entre essas ideias, estão as pesquisas constantes d de diferentes métodos de suicídio.
Visto dessa maneira, temos a impressão de que o livro é mórbido: dois jovens que estão procurando o sentido da vida e sem muitas perspectivas para o futuro. Mas é exatamente ao contrário. A autora Jennifer Niven trouxe uma escrita delicada e sensível que aborda o tema de forma que a história fale sobre a busca por motivos para sorrir, cantar, amar e viver.

“Você me faz feliz…Você me faz especial….Você me faz adorável…” (p. 316)

Violet tem pais incríveis que se tornam muito protetores após a perda de Eleonor. Ela foi feliz até o momento em que a tragédia tocou o seu lar. Finch nunca conheceu a felicidade domiciliar. Seu pai é um homem abusivo que tem suas próprias batalhas e sua mãe vive desligada do cuidado aos filhos.Juntos, os protagonistas irão perceber que não existe uma fórmula ou situação que garanta a felicidade e que são pequenos momentos que acabam mudando uma vida inteira.
Quem poderia dizer que dois jovens que tem um inusitado encontro na torre do sino do colégio podem ensinar tanto um para o outro? A partir dessa primeira interação, Finch tentará se aproximar de Violet através de um trabalho de geografia que tem como objetivo falar das maravilhas existentes em Indiana. Ele a convida a ir a cada um desses lugares e em cada viagem, uma descoberta inusitada será realizada.
O enredo é delineado de forma espetacular. Desde o início do livro temos a impressão de que é um assunto que toca o coração da autora e temos isso confirmado no final, onde ela faz um desabafo pessoal. É impossível ler “Por lugares incríveis” e não chorar. Em algumas cenas iremos chorar de felicidade e em outras, ao desabafarmos nossa própria dor.
Uma leitura imperdível que tem tudo para se tornar um dos melhores livros de 2015.

“- O que eu faço com as coisas que não são exatamente más, mas só desagradáveis? …- Tire as desagradáveis também.” (p. 143)

Edição: Prova do Livro
Editora: Seguinte
ISBN: 8565765571
Ano: 2015
Páginas: 336
Skoob: clique aqui
Avaliação: 5/5

Categorias:Outros
Thaís Turesso

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