04Janeiro2018

[Resenha] O Homem Que Buscava Sua Sombra – Millennium # 5 – David Lagercrantz & Stieg Larsson

Sinopse – “O homem que buscava sua sombra” é o quinto volume da série Millennium, criada por Stieg Larsson, em que a hacker genial e o destemido jornalista se juntam para lutar contra as piores injustiças, numa trama atual e intensa. O livro será lançado em setembro pela Companhia das Letras e entra em pré-venda em breve.  Neste quinto volume, Lisbeth Salander precisa passar um curto período atrás das grades, num presídio que também abriga uma das maiores criminosas da Suécia, de alcunha Benito. Na cela ao lado, ela observa uma jovem muçulmana acusada de matar o irmão sofrer ameaças constantes da gangue racista de Benito, a “dona” do pavilhão. Mesmo sem ter acesso ao mundo exterior, Lisbeth dá um jeito de descobrir mais sobre as partes encobertas de sua infância traumática, depois que Holger Palmgren lhe apresenta pistas sobre um experimento pseudocientífico realizado com gêmeos. Claro que ela irá acionar o destemido jornalista Mikael Blomkvist para ajudá-la a desvendar esse mistério e a defender os desprotegidos, garantindo que os vilões paguem por seus crimes. Assim, a dupla está mais uma vez no cerne de um romance de tirar o fôlego, que aborda de modo fascinante muitas das graves questões que assombram o mundo hoje.

“O homem que busca sua sombra” é o quinto livro da série Millennium. É dividido em prólogo e mais três partes, que se passam entre o período de 12 à 30 de junho. Ou seja, toda a história se desenvolve em um período de 18 dias. A primeira parte se chama “O Dragão” e se passa entre os dias 12 a 20 de junho, a segunda parte se chama “Barulhos Perturbadores” e se passa em 21 de junho e a terceira parte é chamada de “O gêmeo desaparecido” e cobre o período de 21 a 30 de junho.

A sinopse do livro é bem explicativa. Lisbeth está cumprindo pena de alguns meses após os acontecimentos do livro anterior. A prisão de Flodberga é vista como uma instalação exemplar de eficiência, mas na verdade, é governada pelo terror. Benito é uma prisioneira que não hesita em usar a violência para conseguir o que precisa e todo dia, momentos antes de fecharem as celas, vai até a cela de Faria Kazi, uma jovem muçulmana, para agredi-la.

Benito é perturbadora. É perceptível que ela gosta de infligir dor nos outros e que seu ego infla conforme a lenda de seus feitos aumentam. Apesar de Lisbeth não ter cruzado com seu caminho, Benito a despreza. Afinal, Lisbeth não é uma prisioneira comum. Sua prisão está relacionada a solução do último caso e acabou se tornando famosa por suas ações. A hacker não dá a mínima para isso, mas Benito pensa de forma diferente. 

Quem acompanha a série sabe que Lisbeth não é sociável e tem um QI extremamente alto. Porém, existe algo que Lisbeth não deixa passar: ver alguém vulnerável sendo injustiçado ou sofrendo.

Em paralelo à história de Faria e Lisbeth na prisão de Flodberga, temos a investigação sobre um experimento científico realizado décadas atrás e sobre a mãe biológica de Lisbeth. Tudo começa quando Holger Palmgren, ex-tutor de Lisbeth, recebe algumas informações novas e começa a investigar. Infelizmente, seja por conta de sua idade avançada ou seu estado de saúde, Holger acaba despertando atenção indesejada e desencadeando uma sequência de crimes. 

A ideia do livro é muito boa, mas não foi tão bem desenvolvida. Existem personagens desnecessários e um excesso de subtramas que pode causar certa confusão. Alguns elementos do experimento são um pouco fantasiosos e deixam a desejar. São muitos personagens, muitos pontos de vista e reflexões pessoais. 

A forma como a personalidade dos protagonistas foi desenvolvida também está um pouco diferente da trilogia original de Stieg Larrson. Lisbeth é o exemplo perfeito dessa situação. Apesar de ser anti-social, nesse quinto livro ela está mais “falante” e mais preocupada também com as consequências de suas ações para as outras pessoas, como Alvar Olsen, o chefe de segurança da prisão. Além disso, percebemos que Lisbeth não está tão destemida quanto nos livros anteriores. É como se ela se segurasse em alguns momentos antes de agir. 

“Lisbeth permaneceu em silêncio. As últimas palavras de Holger tinham feito sentido para ela na noite anterior, depois do telefonema de Mikael. Mas por enquanto Lisbeth queria guardar tudo para si.” (p. 169)

Até mesmo Mikael Blomkvist também está diferente. Tais aspectos da obra deixam claro para os leitores a influência das particularidades da escrita de David Lagercrantz. Ao continuar uma série que inicialmente pertencia ao Stieg Larsson, vamos percebendo seus toques pessoais. Isso não quer dizer que as alterações sejam ruins, mas para os fãs dessa peculiar protagonista, a sensação é de que algo está diferente.

Em relação à revisão, diagramação e layout a Companhia das Letras realizou um ótimo trabalho. Foi encontrado um errinho na página 96, mas nada que interfira na compreensão do texto. A capa combina perfeitamente com as capas dos livros anteriores. 

“Mais uma vez eram relatos sobre o psiquiatra Peter Teleborian ter amarrado Lisbeth na cama, na ala de psiquiatria infantil, e a sujeitado a tratamento degradante. Os documentos não traziam nada de novo, pelo menos à primeira vista, mas ele podia estar enganado.” (p. 76)

ISBN: 9788535929799
Ano: 2017
Páginas: 360
Idioma: português 
Editora: Companhia das Letras
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Avaliação: 3/5

Carol Durães
Carol Durães

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