17novembro2017

[Resenha] Sempre Vivemos No Castelo – Shirley Jackson

Sinopse – Merricat Blackwood vive com a irmã Constance e o tio Julian. Há algum tempo existiam sete membros na família Blackwood, até que uma dose fatal de arsênico colocada no pote de açúcar matou quase todos. Acusada e posteriormente inocentada pelas mortes, Constance volta para a casa da família, onde Merricat a protege da hostilidade dos habitantes da cidade. Os três vivem isolados e felizes, até que o primo Charles resolve fazer uma visita que quebra o frágil equilíbrio encontrado pelas irmãs Blakcwood. Merricat é a única que pressente o iminente perigo desse distúrbio, e fará o que for necessário para proteger Constance. Sempre vivemos no castelo leva o leitor a um labirinto sombrio de medo e suspense, um livro perturbador e perverso, onde o isolamento e a neurose são trabalhados com maestria por Shirley Jackson.

A história é narrada em primeira pessoa por Mary Katherine Blackwood (Merricat), uma jovem peculiar de 18 anos de idade que protege ferozmente sua irmã Constance, a Connie. Seis anos antes um incidente causou a morte de quatro membros da família Blackwood e Connie foi apontada como suspeita. Merricat e Connie vivem com seu tio Julian, um homem que está doente, no grande casarão da família, isoladas da comunidade o máximo possível.

“Meu nome é Mary Katherine Blackwood. Tenho dezoito anos e moro com a minha irmã Constance. Volta e meia penso que se tivesse sorte teria nascido lobisomem, porque os dois dedos médios das minhas mãos são do mesmo tamanho, mas tenho medo de me contentar com o que tenho. Não gosto de tomar banho, nem de cachorros nem de barulho. Gosto da minha irmã Constance, e de Richard Plantagenet, e de Amanita phalloides, o cogumelo chapéu-da-morte. Todo o resto da minha família morreu.” (p. 07)

Um dos detalhes que se sobressaem no livro é a escrita de Shirley Jackson: leve, fluída e com um ritmo tão fantástico que se torna impossível largar o livro pela metade. Merricat, Constance e Julian vivem em seu mundinho isolado. Merricat vai duas vezes por semana na cidade para pegar o básico como alimentos e pegar emprestado alguns livros na biblioteca local. Os três sobreviventes são hostilizados na cidade e por isso evitam ir até lá. É por conta dessa perspectiva que vemos três personagens em um confinamento forçado em um casarão que parece ter parado no tempo.

A questão da “última noite” é constantemente trazida à tona, com pequenos detalhes surgindo aqui e ali. São pequenos comentários e observações, que vão criando um clima tenso e intrigante. A rotina monótona dos Blackwoods se altera drasticamente com a chegada de um primo. Sua vinda é um pouco suspeita para Merricat, que não acredita nas boas intenções de seu primo Charlie. Sendo a única que desconfia desse misterioso personagem, Merricat está disposta a arriscar tudo para manter a salvo sua irmã e o seu tio.

“Sempre vivemos no castelo” é um livro magnífico, que mantêm um clima sombrio e psicológico inacreditável. Os personagens são muito bem construídos, com personalidades complexas e cheias de nuances. O enredo é muito bem escrito e o final é delicioso.

A Editora Suma de Letras arrasou na edição. Desde a capa dura até as cores da contracapa até a escolha da fonte nas primeiras páginas dos capítulos. Todos esses detalhes enriqueceram muito o livro.

“Nessa cidadezinha os homens permaneciam jovens e faziam as fofocas, enquanto as mulheres envelheciam com seu cansaço colorido por uma maldade cinzenta, esperando em silêncio que os homens se levantassem e fossem para casa.”

ISBN-13: 9788556510327
ISBN-10: 8556510329
Ano: 2017
Páginas: 200
Idioma: português 
Editora: Suma de Letras Brasil
Skoob: clique aqui
Avaliação: 4/5 

Carol Durães
Carol Durães

veja também os relacionados:

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Ana Carolina Venceslau dos Santos novembro 15, 2017

    Eu n sou muito de ler terror, apesar de gostar do gênero, vejo mais filmes!
    Mas fiquei curiosa pra conhecer a escrita da autora, inclusive preciso fazer o msm com o Gaiman e o King, rs XD

  • Pamela Liu novembro 15, 2017

    Oi Carol.
    Achei a premissa desse livro muito interessante.
    Quero saber quem foi que matou 4 integrantes da família, como e o porquê.
    Os personagens parecem ser muito bem construídos e já fiquei com a impressão de as irmãs estão escondendo alguma coisa rs
    Espero ler esse livro em breve.
    Bjs

  • Camila Rezende novembro 19, 2017

    Ola Carol,
    Ja tinha visto a capa desse livro, mas nunca me interessei em ler a sinopse.
    Pela sua resenha eu tive a impressão que a estória e um pouco parada, mas pelo visto o final e bom
    Nao conheço o trabalho da autora, quem sabe eu não começo por esse.

  • RUDYNALVA CORREIA SOARES novembro 28, 2017

    CArol!
    O livro foi lançado antes de eu nascer, bacana! Nasci em 1965.
    Difícil viver de passado e se trancar em uma redoma, não permitindo que a atualidade e a realidade se façam presentes.
    O mundo pela visão de Mary parece bem ilusório e confuso, fico me perguntando se ela não tem algum distúrbio psicológico?
    Agora todo livro que traz reflexão sobre a vida, acredito que valhaa a pena ler, pois podemos questionar nossos pontos de vista.
    Desejo uma ótima semana!
    “A poesia contém quase tudo que você precisa saber da vida.” (Josephine Hart)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!