14novembro2017

[Resenha] Sempre Vivemos No Castelo – Shirley Jackson

Sinopse – Merricat Blackwood vive com a irmã Constance e o tio Julian. Há algum tempo existiam sete membros na família Blackwood, até que uma dose fatal de arsênico colocada no pote de açúcar matou quase todos. Acusada e posteriormente inocentada pelas mortes, Constance volta para a casa da família, onde Merricat a protege da hostilidade dos habitantes da cidade. Os três vivem isolados e felizes, até que o primo Charles resolve fazer uma visita que quebra o frágil equilíbrio encontrado pelas irmãs Blakcwood. Merricat é a única que pressente o iminente perigo desse distúrbio, e fará o que for necessário para proteger Constance. Sempre vivemos no castelo leva o leitor a um labirinto sombrio de medo e suspense, um livro perturbador e perverso, onde o isolamento e a neurose são trabalhados com maestria por Shirley Jackson.

A história é narrada em primeira pessoa por Mary Katherine Blackwood (Merricat), uma jovem peculiar de 18 anos de idade que protege ferozmente sua irmã Constance, a Connie. Seis anos antes um incidente causou a morte de quatro membros da família Blackwood e Connie foi apontada como suspeita. Merricat e Connie vivem com seu tio Julian, um homem que está doente, no grande casarão da família, isoladas da comunidade o máximo possível.

“Meu nome é Mary Katherine Blackwood. Tenho dezoito anos e moro com a minha irmã Constance. Volta e meia penso que se tivesse sorte teria nascido lobisomem, porque os dois dedos médios das minhas mãos são do mesmo tamanho, mas tenho medo de me contentar com o que tenho. Não gosto de tomar banho, nem de cachorros nem de barulho. Gosto da minha irmã Constance, e de Richard Plantagenet, e de Amanita phalloides, o cogumelo chapéu-da-morte. Todo o resto da minha família morreu.” (p. 07)

Um dos detalhes que se sobressaem no livro é a escrita de Shirley Jackson: leve, fluída e com um ritmo tão fantástico que se torna impossível largar o livro pela metade. Merricat, Constance e Julian vivem em seu mundinho isolado. Merricat vai duas vezes por semana na cidade para pegar o básico como alimentos e pegar emprestado alguns livros na biblioteca local. Os três sobreviventes são hostilizados na cidade e por isso evitam ir até lá. É por conta dessa perspectiva que vemos três personagens em um confinamento forçado em um casarão que parece ter parado no tempo.

A questão da “última noite” é constantemente trazida à tona, com pequenos detalhes surgindo aqui e ali. São pequenos comentários e observações, que vão criando um clima tenso e intrigante. A rotina monótona dos Blackwoods se altera drasticamente com a chegada de um primo. Sua vinda é um pouco suspeita para Merricat, que não acredita nas boas intenções de seu primo Charlie. Sendo a única que desconfia desse misterioso personagem, Merricat está disposta a arriscar tudo para manter a salvo sua irmã e o seu tio.

“Sempre vivemos no castelo” é um livro magnífico, que mantêm um clima sombrio e psicológico inacreditável. Os personagens são muito bem construídos, com personalidades complexas e cheias de nuances. O enredo é muito bem escrito e o final é delicioso.

A Editora Suma de Letras arrasou na edição. Desde a capa dura até as cores da contracapa até a escolha da fonte nas primeiras páginas dos capítulos. Todos esses detalhes enriqueceram muito o livro.

“Nessa cidadezinha os homens permaneciam jovens e faziam as fofocas, enquanto as mulheres envelheciam com seu cansaço colorido por uma maldade cinzenta, esperando em silêncio que os homens se levantassem e fossem para casa.”

ISBN-13: 9788556510327
ISBN-10: 8556510329
Ano: 2017
Páginas: 200
Idioma: português 
Editora: Suma de Letras Brasil
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Avaliação: 4/5 

Carol Durães
Carol Durães

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  • Ana Carolina Venceslau dos Santos novembro 15, 2017

    Eu n sou muito de ler terror, apesar de gostar do gênero, vejo mais filmes!
    Mas fiquei curiosa pra conhecer a escrita da autora, inclusive preciso fazer o msm com o Gaiman e o King, rs XD

  • Pamela Liu novembro 15, 2017

    Oi Carol.
    Achei a premissa desse livro muito interessante.
    Quero saber quem foi que matou 4 integrantes da família, como e o porquê.
    Os personagens parecem ser muito bem construídos e já fiquei com a impressão de as irmãs estão escondendo alguma coisa rs
    Espero ler esse livro em breve.
    Bjs