30setembro2017

[Resenha] Fraude Legítima – E. Lockhart

Sinopse – Jule West Williams é uma garota capaz de se adaptar a qualquer lugar ou situação. Imogen Sokoloff é uma herdeira milionária fugindo de suas responsabilidades. Além do fato de serem órfãs, as duas garotas têm pouco em comum, mas isso não as impede de desenvolver uma amizade intensa quando se reencontram anos depois de terem se conhecido no colégio. Elas passam os dias em meio a luxo e privilégios, até que uma série de eventos estranhos começa a tomar curso, culminando no trágico suicídio de Imogen e forçando Jule a descobrir como viver sem sua melhor amiga. Mas, talvez, as histórias das duas garotas tenham se unido de maneira inexorável — e seja tarde demais para voltar atrás.

“Fraude Legítima” é narrado em terceira pessoa e gira em torno de Jule West Williams, a protagonista camaleônica da obra. Um detalhe bem peculiar do livro que vale muito a pena ressaltar é que a história começa do final, que é o capítulo 18 e vai voltando ao passado até chegar o fim, representado pelo capítulo 1.

Inicialmente acompanhamos Jules em Cabo San Lucas, no México, hospedada em um hotel luxuoso e utilizando a identidade de Imogen Sokoloff até que percebe que está sendo vigiada. E a partir daí começa uma fuga frenética. A grande questão é: do que Jules está fugindo? E quem é Jules?

O leitor entra em contato com uma personagem extraordinária e complexa que tem uma amizade bizarra com Imogen, uma jovem filha de pais ricos que abandona os estudos para se encontrar. Imogen é o tipo de pessoa que tem um grande carisma e está sempre rodeada de pessoas. É o tipo de personalidade que faz com que os demais gravitem ao seu redor e Jules não é diferente. As duas desenvolvem uma grande amizade, mas começam a acontecer alguns eventos que fazem com que Jules questione a honestidade de Imogen.

Outros personagens ganham destaque, como Forrest, o namorado de Imogen e um aspirante a intelectual que tem certo ar de superioridade, Paolo Vallarta-Bellstone, que desperta a atenção de Jules e Brooke, amiga de Imogen de Vassar.

A obra é um verdadeiro quebra-cabeça, onde as peças vão sendo fornecidas capítulo por capítulo. A cada capítulo que retrocedemos na história, observamos a dinâmica dos personagens sobre uma perspectiva. E isso realmente ocorre em cada um dos capítulos. Em um momento, determinado personagem aparenta ser vil e no próximo percebemos que não é exatamente assim. A profundidade da construção dos personagens lembra muito o leitor do universo do talentoso Ripley e até mesmo a autora, em uma nota menciona que ele foi uma de suas inspirações.

Uma das maiores sacadas nessa obra é a construção da personalidade dos personagens, pois não conseguimos distinguir o verdadeiro caráter de qualquer um. O leitor precisa analisar todas as situações com cuidado. As imperfeições de cada um deles se destacam e suas ações à primeira vista parecem sem sentido. A história envolve mentiras, crimes, traições e revelações, o que prende a atenção do leitor do início ao fim da obra. 

Como recebemos uma prova antecipada, não é possível avaliar revisão, diagramação e layout, visto que esses detalhes devem ser analisados na versão final do livro. A capa, por sua vez, é bem chamativa e traz uma sensação de mistério.

“Não tinha mais certeza de onde traçar a linha entre elas. Jule usava perfume de jasmin como Imogen, falava como Imogen, amava os livros que Imogen amava. Aquelas coisas eram verdadeiras. Jule era órfã como Immie, uma pessoa que se inventou sozinha, com um passado misterioso. Havia tanto de Imogen em Jule, e tanto de Jule em Imogen.” (p. 114)

ISBN-13: 9788555340512
ISBN-10: 8555340519
Ano: 2017
Páginas: 280
Idioma: português 
Editora: Seguinte
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Avaliação: 4/5

Carol Durães
Carol Durães

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  • RUDYNALVA CORREIA SOARES outubro 1, 2017

    Carol!
    Já gostei de ver que o livro não é mais do mesmo e a trama é bem intrigada, nos instigando a leitura.
    Personagens com habilidades e caráter duvidosos é intrigante.
    Muito bom ver mais um livro que cria anti heroínas, deve ser cheio de ação.
    É a primeira vez que vejo um livro começar do final para o começo, e por ser diferente, deve mesmo causar estranhamento, mas no mundo literário, gosto quando há inovação.
    Um final de semana de muita inspiração e paz no coração!
    “Eis um teste para saber se você terminou sua missão na Terra: se você está vivo, não terminou.” (Richard Bach)
    Cheirinhos
    Rudy