14agosto2017

[Resenha] Mauricio – A História Que Não Está No Gibi

Em Maurício – A história que não está no Gibi (Editora Sextante, Selo Primeira Pessoa), Maurício de Sousa faz uma viagem no tempo e leva o leitor lá nos primórdios de sua carreira, como tudo começou!

Conheça o livro e a sinopse:

Com mais de 80 anos de vida e quase 60 de carreira, Mauricio de Sousa tem uma história tão fascinante quanto os personagens da Turma da Mônica, que seguem encantando gerações de leitores. A paixão pelos quadrinhos começou ainda criança, no interior de São Paulo. Foi com alguns gibis encontrados no lixo que aprendeu a ler e a sonhar.

Minha opinião

Maurício de Sousa relata de uma forma bastante informal sua história de vida neste livro. Sabe, aquele livro que você lê e tem a nítida sensação de estar conversando com o autor? Toda a leitura é assim, do começo ao fim.

” — Desista menino. Desenho não dá dinheiro nem futuro para ninguém. Vá fazer outra coisa da vida.

Faz mais de 60 anos que ouvi isso. Na época, foi certamente a frase mais desmotivadora que já tinha ouvido. Mas, com o passar do tempo, ela me influenciaria de maneira positiva, funcionaria como a alavanca que me impulsiona em momentos de dificuldade.”

É, ainda bem que Mauricio não desistiu! Foi com 13, 14 anos que esse prodígio pagou o primeiro aluguel de sua casa com a venda de seus desenhos. O que no começo era trabalhoso, pois ele criava peças únicas e artes diferenciadas, veio a se tornar conhecido pelas pessoas e começou a render. Com suas ilustrações, começou a ganhar mais que seu pai na barbearia e no rádio.

Casou-se aos 23 anos com Marilene depois de seis meses de namoro,  foi amor à primeira vista!

As histórias em quadrinhos tais como as que conhecemos hoje, surgiram no dia 18 de Julho de 1959, na Folha da Tarde. Mauricio tinha conquistado com seu chefe a oportunidade de publicar semanalmente uma tirinha. Logo, o jornal começou a conquistar um público que não atingia, começaram a receber cartas esporádicas de crianças e assim, foram conquistando novos leitores, ganhando o coração dos pequenos jovens brasileiros.

Após sua estreia no mundo das histórias em quadrinhos, que teve como protagonista Bidu, Mauricio teve altos e baixos. Nem sempre tudo foi fácil.

Aos 26 anos, já era pai de três crianças pequenas e sem perspectivas de trabalho. O país estava em crise. Entre empréstimos aqui e ali, ajuda de lá e de cá, ele foi se reerguendo, até que novas oportunidades surgissem.

Ao conhecermos sua história, notamos claramente o quanto ele foi ousado, determinado e persistente. Em algumas situações, acredito que eu teria desistido, mas ainda bem que ele persistiu!

 

“Vivo de criatividade”

 

E quanta criatividade!

Mauricio de Sousa criou seus personagens baseados em pessoas reais. Cebolinha foi criado a partir de um menino chamado Luís que trocava o “r” pelo “l” e seu pai sempre mencionava o cabelo do menino que parecia uma cebolinha. Suas filhas viraram personagens também, em algumas fotos reais do livro, tem sua filha Mônica segurando seu coelho de pelúcia, quanta inspiração esse autor teve!

“Sim, é verdade que acertei muito, me guiando por criatividade, talento, intuição e perseverança. Mas o fato é que muitas vezes lancei mão da mesma receita e o bolo não cresceu. O que tem de coisa errado comigo não está no gibi.”

Maurício afirma que nem tudo deu “sempre certo” em sua carreira como as pessoas costumam dizer. Ele teve muitos planos traçados, projetos desenvolvidos que por um ou mais motivos, não viraram histórias em quadrinhos e tampouco engatilharam e se tornaram um fenômeno de vendas como suas revistinhas. Mas, foram tentativas que contribuíram para moldá-lo, o autor tem uma personalidade que encanta e é persistente.

A história do autor só demonstra que ele chegou onde está, porque foi um lutador, trabalhou arduamente, mesmo em projetos que nada resultaram. Teve pessoas que sempre o apoiaram, teve inúmeras críticas que, poderiam tê-lo destruído, mas ele usou-as como alavanca para subir no topo. Maurício é um exemplo de que as histórias podem sempre mudar, independente das circunstâncias, cabe a nós definir nossos sonhos e lutarmos por eles.

A capa do livro é muito bonita, parece camurça, com o título em alto relevo e com a cor azul do coelhinho da Mônica como pano de fundo, resultando em uma capa chamativa e convidativa.

A diagramação é excelente, além das tradicionais páginas em papel pólen, temos algumas páginas encadernadas em material de revista, com fotos exclusivas do autor.

As histórias em quadrinhos, é um importante gênero para introduzir aos pequenos o gosto pela leitura. Acredito que o autor deve se sentir exultante em saber que faz parte disso tudo, dessa criatividade que viajou países, conquistou o país e que formou muitos, muitos novos leitores.

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Thaís Turesso

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