16agosto2017

[Resenha] Dezesseis – Em um mundo em que todos são iguais ela ousou sair do padrão – Rachel Vincent

Sinopse – “Nós temos cabelos castanhos. Olhos castanhos. Pele clara. Somos saudáveis, fortes e inteligentes. Mas só uma de nós já teve um segredo.” Dahlia 16 vê seu rosto em toda multidão. Ela não tem nada de especial – é apenas uma entre as outras cinco mil garotas que foram criadas visando o bem da cidade. Ao conhecer Trigger 17, porém, tudo muda. Ele a considera interessante. Linda. Única. Isso significa que ele deve ser defeituoso. Quando Dahlia não consegue parar de pensar nele – nem resistir a procurá-lo, ainda que isso signifique quebrar as regras – ela percebe que deve ser defeituosa também. Mas, se ela for defeituosa, todas as idênticas também são. E qualquer genoma com defeito descoberto deve ser recolhido. Destruído. Ser pega com Trigger não apenas selaria o destino de Dahlia, mas o das cinco mil garotas com o mesmo rosto. No entanto… e se Trigger estiver certo? E se Dahlia for mesmo diferente? Subitamente, a garota que sempre seguiu todas as regras começa a quebrá-las, uma a uma…

Dahlia 16 é uma das centenas das jovens criadas pela norma de Preservação e Distribuição Igual de traços genéticos. Isso quer dizer que para manter os traços genéticos, as pessoas são criadas pelos geneticistas em laboratórios, em “lotes” de 5.000 por vez. Em Lakeview, a cidade onde se passa a história, cada “lote” de indivíduos é designado para uma determinada área de trabalho como agricultura, educação, exército ou qualquer outro setor. Conforme vão sendo criados, eles são treinados a trabalhar pelo todo, perdendo sua individualidade. Isso começa no momento do nascimento, quando são rotulados com números conforme sua idade.

O livro é narrado em primeira pessoa por Dahlia 16. Dahlia é uma jovem de 16 anos (por isso o número 16), que tem pensamentos individualistas. Isso não quer dizer que ela é egoísta, apenas que diferentemente de suas irmãs, ela desenvolve um pensamento crítico próprio e começa a questionar a sua rotina. Ela está sendo treinada para o setor de cultivo de alimentos e é muito talentosa. 

“Tento afastar esse pensamento, mas não consigo expulsá-lo da cabeça. Quero ser melhor em tubérculo do que Olive, da mesma forma que eu queria ser melhor que todas as outras em grãos, vinhas e legumes. E não só pela glória de Lakeview”. (p. 10)

Seus questionamentos a levam a acreditar que ela é “defeituosa”, por isso, guarda para si seus questionamentos e sentimentos. Porém, um dia, ao ser chamada pela administração, seu caminho cruza com o de Trigger 17, um garoto que é integrante das Forças Especiais. Durante uma breve conversa (pois a socialização é proibida), Dahlia se dá conta que outros como ela tem pensamentos próprios, o que a deixa intrigada.

“O que é esse sentimento? Por que me sinto atraída por ele como um imã por um metal, quando sei que apenas isso é suficiente para significar problemas para nós dois?” (p. 82)

O caminho de Dahlia 16 e do Trigger 17 se cruza novamente e os dois acabam mergulhando em uma conspiração que irá revelar o verdadeiro propósito da criação de Lakeview. O que começa com um questionamento pessoal, sobre a própria existência, torna-se algo muito maior e pode mudar o mundo desses personagens.

Dahlia 16 é uma garota que está começando a questionar sua própria existência e propósito. Afinal, se ela foi concebida para o bem maior, por que seus pensamentos e sentimentos são individualistas? Ela é uma jovem rumando em sua própria jornada e apesar de sua inocência e receio, é uma protagonista forte que demonstra claro crescimento e amadurecimento durante a leitura. Trigger 17 é o oposto de Dahlia 16. Ele foi criado para questionar, planejar e ser um indivíduo. Sua mente é rápida e as habilidades fornecidas em seu treinamento o tornam ainda mais perigoso. A dinâmica entre os dois personagens é intrigante, pois eles se complementam muito bem. Os questionamentos de Dahlia e as habilidades de Trigger dão ao enredo certa agilidade.

“Dezesseis” é o primeiro livro de uma distopia que tem todos os elementos necessários para agradar os leitores: protagonistas fortes e inteligentes, um enredo coeso e uma trama cheia de reviravoltas e revelações.

“Agora, o que vejo no refeitório não são centenas de idênticas minhas terminando de comer peito de frango, milho com manteiga e feijões pretos, mas uma sala cheia de corpos olhando para o teto com olhos vazios. Centenas de corpos iguaizinhos a mim, mortos”. (p. 49)

ISBN-13: 9788550301532
ISBN-10: 8550301531
Ano: 2017
Páginas: 240
Idioma: português 
Editora: Universo dos Livros
Avaliação: 5/5
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Thaís Turesso

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