03agosto2017

[Resenha] A Zona Morta – Stephen King

Sinopse – Depois de quatro anos e meio, John Smith acorda de um coma causado por um acidente de carro. Junto com a consciência, o que John traz do limbo onde esteve são poderes inexplicáveis. O passado, o presente, o futuro – nada está fora de alcance. O resto do mundo parece considerar seus poderes um dom, mas John está cada vez mais convencido de que é uma maldição. Basta um toque, e ele vê mais sobre as pessoas do que jamais desejou. Ele não pediu por isso e, no entanto, não pode se livrar das visões. Então o que fazer quando, ao apertar a mão de um político em início de carreira, John prevê o que parece ser o fim do mundo?

“A Zona Morta” é narrado em terceira pessoa e tem como protagonista John Smith, um professor que leva uma vida pacata e rotineira, que está começando um relacionamento com Sarah e que tem uma vida que poderia ser considerada pacata. Em um dia normal, ele sofre um acidente e acaba ficando em como por quase cinco anos.

Quando acorda, as coisas estão um pouco diferente. Sarah seguiu em frente com a sua vida, assim como amigos e conhecidos. A adaptação já não seria fácil, mas no caso de John torna-se ainda mais difícil quando ele se dá conta de que acordou com o dom de ver situações apenas com um toque no objeto ou na pessoa. Inicialmente, os médicos realizam inúmeros exames tentando explicar esse fenômeno, mas a notícia acaba se espalhando e John vira uma celebridade.

“.. Mas essa teoria supõe que as pessoas com tendência a se recuperar de um longo estado de coma já sofreram algum tipo de lesão cerebral no passado… É como se o cérebro delas tivesse feito alguma adaptação como resultado do primeiro dano, uma adaptação que lhe permitiria sobreviver a um segundo.” (p. 140/141)

John não quer essa vida e sim uma vida tranquila, onde pode ficar em seu canto e sem ter pessoas tentando descobrir o que ele está fazendo ou querendo que ele segure um determinado objeto para ajudá-las. 

“Johnny não respondia a nenhuma das cartas e devolvia todos os objetos (inclusive o pedaço carbonizado de madeira), pagando as despesas do próprio bolso e sem fazer comentários. Chega a tocar em algumas peças. A maioria delas, como o pedaço de madeira queimada da mulher de Charlotte arrasada pela dor, não lhe dizia absolutamente nada. Mas, quando encostava a mão em algumas, imagens inquietantes lhe ocorriam, como se sonhasse acordado. Na maioria dos casos havia apenas um traço de imagem; uma figura se formava e se dissipava em segundos, deixando-o sem absolutamente nada de concreto, só uma sensação. Mas uma das peças…” (p. 226)

Mesmo contra a vontade, algumas situações são inevitáveis. Afinal, John não é um homem destituído de coração e se soubesse, por exemplo, de um acidente que teria inúmeras vítimas ou de uma situação que mudaria o cenário de um país inteiro ou até mesmo do mundo, ele teria que fazer algo a respeito. E é a partir dessa premissa que mais um livro maravilhoso do autor Stephen King se desenvolve.

Em meio a um suspense paranormal, Stephen King coloca elementos que fazem com que o leitor analise a própria sociedade e os governos atuais. Ganância, cobiça são alguns dos motivadores para determinados personagens, que farão de tudo para terem seus objetivos alcançados.

“A Zona Morta” é um livro que contêm todos os elementos necessário para deixar o leitor sem fôlego e ao mesmo tempo, impressionados pela sagacidade do enredo. Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um ótimo trabalho.

“Johnny não viu o que aconteceu em seguida. Oscilava, cabeça baixa, piscava lentamente, como um bêbado no amargo fim de uma semana de porre. Então a suave e crescente onda do esquecimento tomou conta dele e Johnny não resistiu; de bom grado ele não resistiu. E apagou.” (p. 368)

ISBN-13: 9788556510334
ISBN-10: 8556510337
Ano: 2017
Páginas: 480
Idioma: português 
Editora: Suma de Letras Brasil
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Avaliação: 4/5

Carol Durães
Carol Durães

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