05agosto2017

[Resenha] A Casa do Lago – Kate Morton

Sinopse – A casa da família Edevane está pronta para a aguardada festa do solstício de 1933. Alice, uma jovem e promissora escritora, tem ainda mais motivos para comemorar: ela não só criou um desfecho surpreendente para seu primeiro livro como está secretamente apaixonada. Porém, à meia-noite, enquanto os fogos de artifício iluminam o céu, os Edevanes sofrem uma perda devastadora que os leva a deixar a mansão para sempre.  Setenta anos depois, após um caso problemático, a detetive Sadie Sparrow é obrigada a tirar uma licença e se retira para o chalé do avô na Cornualha. Certo dia, ela se depara com uma casa abandonada rodeada por um bosque e descobre a história de um bebê que desapareceu sem deixar rastros. A investigação fará com que seu caminho se encontre com o de uma famosa escritora policial. Já uma senhora, Alice Edevane trama a vida de forma tão perfeita quanto seus livros, até que a detetive surge para fazer perguntas sobre o seu passado, procurando desencavar uma complexa rede de segredos de que Alice sempre tentou fugir. Em A Casa do Lago, Kate Morton guia o leitor pelos meandros da memória e da dissimulação, não o deixando entrever nem por um momento o desenlace desta história encantadora e melancólica.

“A Casa do Lago” é um livro daqueles que fazem o leitor prender a atenção da primeira a última página graças a seu enredo muito bem desenvolvido e repleto de vida e inspiração. Narrado em terceira pessoa, o livro é narrado através da perspectiva de alguns personagens, como Alice, Eleonor e Sadie e a história se passa em dois tempos, em um intervalo de 70 anos.

A história começa na Cornualha, em junho de 1933 na residência dos Edevane. É uma família tradicional e respeitada e Alice, uma jovem de apenas 16 anos de idade é uma aspirante a escritora que anda por todos os cantos com um caderninho para anotar suas observações e pensamentos. Para a sociedade, Alice é uma jovem comportada e talentosa, mas o que muitos não sabem é que ela está vivendo uma paixão secreta.

“Alice nunca foi mais feliz, nunca foi tão ela mesma, como quando estava ali: sentada à beira do córrego, os dedos dos pés flutuando na corrente lenta; deitada na cama antes do amanhecer, ouvindo a ocupada família de andorinhas que construíra seu ninho acima de sua janela; dando voltas ao redor do lago, o caderno sempre debaixo do braço.”

Durante a festa do solstício, ocorre o sequestro de um bebê e mesmo havendo inúmeras buscas e investigações, ele nunca foi encontrado. A ambientação desse período é perfeita, principalmente porque temos vários personagens aparentemente mantendo segredos e essa aura de mistério percorre o tempo, até chegar no ano de 2003.

Alice agora é uma senhorinha de idade, escritora talentosa e reconhecida por seus inúmeros livros publicados. Sadie é uma detetive que depara-se com o caso de sequestro antigo e resolve investigá-lo. Porém, remexer certos acontecimentos tão antigos, pode ter repercussões impensáveis.

“A vida parecia uma estrada reta à frente, esperando que a percorresse se você fez a coisa certa e a faria de novo, a única coisa que resta a fazer é seguir em frente.”

A forma como o enredo é construído, sempre rodeado de segredos e mentiras, é maravilhoso. O leitor fica intrigado com alguns personagens e suas ações, sempre se questionando qual é o verdadeiro papel daquele indivíduo no sequestro ou porque ficou omisso quando sua ajuda poderia ter solucionado a questão. 

A construção dos personagens é arrebatadora. Inicialmente temos uma visão deles, mas conforme a trama se aprofunda, compreendemos a complexidade de cada um e somos surpreendidos com suas facetas.  Em relação à revisão, diagramação e layout, a Editora Arqueiro realizou um trabalho excepcional. A capa é muito bonita e chama a atenção do leitor.

“O mundo era um lugar de equilíbrio e justiça natural; sempre havia um preço a pagar e já era tarde demais para fechar a porta.”

ISBN-13: 9788580417272
ISBN-10: 8580417279
Ano: 2017
Páginas: 464
Idioma: português 
Editora: Arqueiro
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Avaliação: 5/5

Carol Durães
Carol Durães

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