12julho2017

[Resenha] Até Que a Culpa Nos Separe – Liane Moriarty

Sinopse – Amigas de infância, Erika e Clementine não poderiam ser mais diferentes. Erika é obsessivo-compulsiva. Ela e o marido são contadores e não têm filhos. Já a completamente desorganizada Clementine é violoncelista, casada e mãe de duas adoráveis meninas. Certo dia, as duas famílias são inesperadamente convidadas para um churrasco de domingo na casa dos vizinhos de Erika, que são ricos e extravagantes. Durante o que deveria ser uma tarde comum, com bebidas, comidas e uma animada conversa, um acontecimento assustador vai afetar profundamente a vida de todos, forçando-os a examinar de perto suas escolhas – não daquele dia, mas da vida inteira. Em Até Que a Culpa Nos Separe, Liane Moriarty mostra como a culpa é capaz de expor as fragilidades que existem mesmo nos relacionamentos estáveis, como as palavras podem ser mais poderosas que as ações e como dificilmente percebemos, antes que seja tarde demais, que nossa vida comum era, na realidade, extraordinária.

O livro é narrado em terceira pessoa e se passa em Sydney. A história foca um determinado evento que ocorreu em um churrasco na casa de Vid e Tiffany, o casal vizinho de Erika e Oliver, alternando com os acontecimentos das três famílias envolvidas após o churrasco.

Erika e Clementine são amigas desde a infância. Enquanto Clementine é um espírito livre, despreocupada com tudo e com todos e uma musicista talentosa, Erika é uma pessoa de personalidade rígida e sem muitas habilidades sociais. Porém, a amizade das duas é forjada em uma obrigação. Obrigação essa que Clementine sempre se ressentiu e ao mesmo tempo deu a ela a impressão de ser superior.

A mãe de Clementine, Pam, foi uma assistente social e quando viu a nova aluna na escola da filha, toda cheia de mordidas de pulgas e retraída, fez com que Clementine se apresentasse e se tornasse coleguinha. Erika, ávida por atenção e normalidade agarra-se a família de Clementine, que a recebe de braços abertos. Porém, para Clementine, ser amiga de Erika teve seu preço. Erika era tão antissocial e difícil de lidar que muitas pessoas se afastaram.

“Aquela fora toda a experiência de Erika com a paternidade: o peso maciço e silencioso da mão do pai de outra pessoa em seu ombro.”

A história de vida da Erika é emocionalmente impactante. E a de seu marido Oliver também. Conforme o leitor vai conhecendo um pouco mais sobre os personagens é possível perceber que o casamento dos dois é baseado não tão rígido quanto aparenta. Sim, eles tem dificuldade em interagir socialmente, podem até ser considerados um pouco peculiares, mas a infância os tornou vulneráveis e temerosos e entregar a confiança a alguém é algo difícil de ser feito.

Clementine e Sam seriam o casal descolado. Sam é quem realmente cuida mais das filhas do casal, Holly de 5 anos de idade e Ruby, de 2 anos. Porém, se observamos através das aparências, vemos que o casamento deles não é exatamente esse conto de fadas moderno que tentam vender. Clementine é um pouco centrada em si mesmo demais e a comunicação do casal sobre assuntos importantes é praticamente nula. Eles ficam remoendo internamente os questionamentos, mas não chegam a abrir seus corações e discutir seus medos e anseios como um casal.

“Ela precisava fazer uma piada. Uma piada sobre o garçom. Sobre os pratos do dia. A ausência de bebidas. Ou sobre a garota atrás do bar que não parava de limpar taças, distraída. Havia muitas opções. Por um instante, ela teve a impressão de que tudo dependia daquilo. Se ao menos conseguisse fazer a piada certa naquele instante, salvaria a noite, salvaria seu casamento.” (p. 93)

Tiffany e Vid são aqueles que a primeira vista consideraríamos o mais disfuncional dos casais. Vid é mais velho que Tiffany, é gentil com todos, mas muito espalhafatoso. Ele gosta de falar alto, rir alto e ser generoso com todos. Para ele, não existem estranhos e seu gosto é um pouco exagerado, mas ele é uma boa pessoa. Tiffany conquistou próprio sucesso, trabalhando arduamente, inclusive como dançarina exótica. O casal tem uma filha, a Dakota, uma garota que ama ler, é inteligente, carinhosa e fica muito abalada com os eventos do churrasco.

“Até que a culpa nos separe” é uma obra extraordinária que analisa intrinsecamente o comportamento humano, a verdade por trás das aparências e as reações das pessoas diante de um momento decisivo. Os personagens são carismáticos, reais, problemáticos e complexos. O enredo é simplesmente espetacular. A forma como a história vai se desenvolvendo mesclando presente e passado, esmiuçando a vida de cada um dos personagens deixa o leitor estupefato.

Essa análise visceral do comportamento humano é uma característica presente em outras obras da autora, assim como o fato de um evento determinante alterar a vida das pessoas envolvidas. A forma como Liane Moriarty constrói o enredo é eletrizante e o leitor fica ansioso para chegar na página seguinte.

A editora Intrínseca realizou um ótimo trabalho de revisão, diagramação e layout.

“-Eu sempre soube disso, é claro. No fundo, eu sabia. Mas ultimamente venho tentando me colocar no lugar dela, ser a pessoa que fica olhando pela outra janela, a filha verdadeira, com uma impostora sempre por perto.” (p. 247)

ISBN-13: 9788551001912
ISBN-10: 8551001914
Ano: 2017
Páginas: 464
Idioma: português 
Editora: Intrínseca
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Avaliação: 4/5

Carol Durães
Carol Durães

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