06julho2017

[Resenha] A Garota Que Não Queria Lembrar – Maggie Lehrman

Sinopse – O que você sacrificaria para superar a perda de um grande amor? Ou para enterrar de vez as suas tristezas? Ou para ter a beleza com que sempre sonhou? Cuidado, porque o preço pode ser alto demais… Após a morte do namorado, Ari recorre a um feitiço para apagar Win da memória. Mas esquecer o rapaz não é tão simples, ainda mais depois que Ari percebe que entre seus amigos, seu namorado e até ela mesma há segredos demais. Se revelados, podem mudar a sua vida para sempre. antes do passado e do presente em uma narrativa acelerada. É um drama misterioso e romântico, com os dois pés na realidade e o coração na magia. A cada página, a busca para revelar a verdade por trás de uma terrível tragédia fica mais perigosa para os personagens e mais interessante para o leitor.

“A garota que não queria lembrar” é um livro que surpreende do início ao fim. Dividido em quatro partes, a obra é narrada em primeira pessoa, mas cada capítulo alterna a perspectiva entre quatro personagens: Ari, Win, Markus e Kay. A história se passa em cabo Cod, uma ilha turística que na maior parte do ano é pacata, com seus poucos habitantes e tranquilidade.

Tudo começa quando Ari procura uma hekamista. Ari procura uma hekamista para conseguir um feitiço de esquecimento. Ela precisa desesperadamente esquecer Win, seu namorado. Após ter passado um ano inteiro com ele, a dor da perda é insuportável e ela está disposta a abrir mão de qualquer coisa para parar de sofrer. 

Hekamistas seriam como bruxas, capazes de realizar inúmeros feitiços. Porém, cada feitiço tem um preço a se pagar. Pode ser uma dor constante, a queda do QI, a perda de carisma e assim vai. É uma questão de equilíbrio. Se você quiser alterar algo no visual, pode perder algo no intelecto. Para as hekamistas também não é fácil, pois elas tem um preço a pagar também. Só que o governo impôs sanções e não existem novas hekamistas há alguns anos e os clãs estão se desequilibrando, pois precisam de energia nova para manter-se sãos.

Só que ao esquecer Win, Ari praticamente esquece o último ano, já que passou a maior parte dele ao lado do namorado. Ari não se recorda de como Win era carinhoso ou gentil, ou o quanto ela o amava profundamente. Mas todos em cabo Cod lembram. Então Ari precisa fingir. Fingir um luto intenso e aceitar a compaixão das melhores amigas, Diana e Kay e do melhor amigo de Win, o Markus.

“Todo mundo ficava me dizendo que eu amava Win. Tia Jess, Diana. Até eu mesma: teve o bilhete que encontrei embaixo do travesseiro. Algumas vezes, pensei que voltaria a sentir alguma coisa. Que um dia eu acordaria e ficaria triste de novo. Como se o luto fosse um vírus e minha vacina fosse apenas temporária.” (p. 37)

O enredo alterna entre o presente e o passado, mais especificamente cinco meses antes do dia fatídico. É nesse vai e vem entre passado e presente que o leitor observa as motivações de cada personagem e os segredos que cada um deles possui.

Kay é uma jovem insegura que aplicou um feitiço de beleza para chamar a atenção, mas mesmo assim, não foi o suficiente para ela. A necessidade de se sentir amada e de nunca ser abandona fez com que ela tomasse atitudes extremas. Tão extremas que podem ser fatais…

“Pude imaginar os meses seguintes com tanta clareza que quase me fez explodir. Eu tinha amigas que gostavam de mim e que estariam lá para mim e me defenderiam – até de mim mesma”. (p. 19)

Markus é o filho mais novo de um grupo de rapazes populares: os Waters. Markus sente-se deslocado na própria família, pois quando o seu pai faleceu, ele tinha apenas dois anos de idade e isso faz com que ele se sinta excluído do círculo fraternal. Então ele conseguiu um irmão de alma: o Win. Os dois se tornaram inseparáveis e estavam sempre apoiando um ao outro. Markus compreendia os “humores” de Win e sabia como ajudá-lo. Markus até mesmo aceitou Ari em sua vida, pois percebeu o quanto ela fazia Win feliz. Então, quando Ari faz o feitiço e meio que o excluí de sua vida, ele se sente extremamente magoado. Como consequência, ele começa a se rebelar e a magoar os mais próximos.

Ari é uma ótima dançarina. Ela ama balé mais do que qualquer outra coisa. Quando seus pais faleceram de maneira terrível e ela foi morar com a sua tia, foi a música que a salvou. A música é que indicou o caminho que ela deveria seguir. Então, quando sua consequência do feitiço a impede de dançar ela fica desesperada. Afinal, quanto Win significava para ela? 

As narrativas de Win são agridoces. Ele é um jovem sensível que não consegue lidar com seus sentimentos. O leitor sente sua angústia, seus medos e receios e sua constante preocupação de cair em uma espiral destrutiva. 

“Essa é minha lembrança favorita de Ari, dentre outras mi e tantas lembranças. É a que guardo na mão, o talismã. Foi essa menina que eu amei.” (p. 36)

“A garota que não queria lembrar” é um livro que trata a necessidade do ser em humano em se recolher diante da dor, em evitar a todo custo enfrentar e analisar seus sentimentos. É um livro que supera as expectativas, pois lida com os mais complexos sentimentos do ser humano.

Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um trabalho excelente. 

“O que vou fazer? Quem vou ser?… Tenho apenas o resto da vida para descobrir. Está na hora de começar.”  (p. 349)

ISBN-13: 9788584190508
ISBN-10: 8584190503
Ano: 2017
Páginas: 352
Idioma: português 
Editora: Pavana
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Avaliação: 5/5 

Carol Durães
Carol Durães

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