15junho2017

[Resenha] Deixei Você Ir – Clare Mackintosh

Sinopse – Quando Jacob morre atropelado em uma rua de Bristol, Inglaterra, depois de ter soltado a mão da mãe em um dia chuvoso, o motorista do carro que o atinge acelera e foge. Desvendar sua morte vira um caso para o detetive Ray Stevens e seus colegas, Kate e Stumpy. Determinado a encontrar o assassino, Ray se vê consumido a ponto de colocar tanto a vida profissional quanto a pessoal em jogo. Jenna, assombrada pela morte do menino, abandona tudo e se muda para uma pequena cidade costeira do País de Gales. Ela passa os dias em seu chalé tentando esquecer as lembranças do terrível acidente e aos poucos começa a ter algo parecido com uma vida normal e vislumbrar a felicidade em seu futuro. Mas o passado vai alcançá-la, e as consequências serão devastadoras. De vários pontos de vista, a ex-detetive Mackintosh faz um retrato preciso de uma investigação policial. Com sua excelente habilidade de escrita, consegue criar personagens memoráveis e uma análise arrebatadora das excentricidades da vida em uma cidade pequena. Mas o verdadeiro talento da autora é a maneira como ela incorpora reviravoltas em uma trama já complexa. Mesclando suspense, investigação policial e thriller psicológico, Clare Mackintosh disseca a mente de seus personagens enquanto tece inesperadas conexões entre eles.

“Deixei você ir” é um livro espetacular, que possui um enredo dilacerante, pois trata da perda de um filho e a força que essa mãe precisa ter para seguir em frente.

“A mãe se inclina para aquecer o menino com o próprio corpo e mantém o casaco aberto sobre ambos, a barra mergulhada na água empoçada na rua. E enquanto o beija e implora que ele acorde, o halo de luz amarela que os envolve se reduz a um facho estreito; o carro dá marcha a ré. O motor rateia quando o veículo faz duas, três, quatro tentativas de dar meia-volta na rua estreita, e raspa, na pressa, em uma das enormes figueiras que margeiam a rua. Depois disso, a escuridão.” (p. 08/09)

O livro é dividido em duas partes e os capítulos são curtos, alternando a perspectiva entre o detetive Ray Stevens e a mãe do garoto. Os capítulos do detetive são narrados em terceira pessoa e os de Jenna em primeira pessoa, trazendo uma perspectiva mais intimista e devastadora.

Conforme a sinopse explica, Jacob é atropelado na frente da mãe, que presencia os seus últimos momentos de seu amado filho. O motorista que o atropelou foge sem deixar pistas, o que torna a situação ainda mais dolorosa.

Ray Stevens é um detetive talentoso, mas que passa por problemas pessoais e que acaba também sendo afetado por tamanha crueldade. Jenna é uma mulher que está fugindo. Fugindo de um passado que a assombra diariamente, mas que um dia irá alcançá-la. A construção dos personagens é muito bem feita, pois eles são bem humanizados, tornando-os reais para os leitores. Suas dores, alegrias, tristezas e esperanças são pulsantes, vivas e transbordam das páginas. A autora também foi muito inteligente na escolha das perspectivas para apresentar a história, pois o leitor torna-se tão envolvido com os personagens que se surpreende durante a revelação da identidade do motorista.

A obra gira em torno desses dois personagens, duas pessoas quebradas por motivos diferentes, mas que procuram encontrar motivos para seguir em frente. É um enredo delicado, que trabalha assuntos complexos e ao mesmo tempo familiares.

“Quando não o sentiu, ela gritou; um som primitivo que a deixou totalmente horrorizada, e eu vi,…, através do para-brisa trincado, uma poça de sangue formar-se sob a cabeça do menino, manchando a estrada molhada até o asfalto se cobrir de vermelho sob o feixe de luz dos faróis”. (p. 184)

ISBN-13: 9788551001752
ISBN-10: 8551001752
Ano: 2017
Páginas: 368
Idioma: português
Editora: Intrínseca
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Avaliação: 5/5

Carol Durães
Carol Durães

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