01maio2017

[Resenha] Às na manga – Wild Cards # 6 – George R. R. Martin

Sinopse – Os super-heróis mais poderosos e os vilões mais bizarros estão de volta nos novos volumes da saga de ficção científica de George R.R. Martin. Mesmo que um dia Games Of Thrones acabe, ninguém ficará órfão das tramas do gigante George Martin. Os direitos de adaptação de Wild Cards para a televisão foram comprados e as filmagens devem começar ainda em 2017! Em Atlanta, começam as preparações para a disputa eleitoral. De um lado, o carismático Gregg Hartmann, candidato liberal que representa o interesse os curingas, do outro, o conservador Reverendo Barnett, com sua política de mais segregação e opressão. Quase quarenta anos depois, a população ainda enfrenta as consequências da devastação que o vírus alienígena causou. Os curingas continuam vivendo à margem da sociedade, e apenas com a possível candidatura de Hartmann há uma promessa de que essa realidade comece a mudar. O que poucos sabem é que Hartmann não é o bom moço que parece. Por trás de todo o seu engajamento político e da assistência que presta aos curingas, ele utiliza certas artimanhas nada honrosas para se aproveitar da vulnerabilidade deles e, assim, alavancar sua carreira. Em meio a uma trama política que envolve jogos de poder e interesse, ases e curingas disputam o controle da nação, que tenta a todo custo se reconstruir e superar a herança de separação e sofrimento que o vírus carta selvagem instaurou na sociedade americana.  Editado e coescrito por George R.R. Martin, a série “Wild Cards” nos apresenta um planeta Terra com sua história completamente alterada pela chegada de um vírus alienígena que deu superpoderes a quem sobreviveu a seus efeitos. Como o homem reagiria a esses poderes? Como se daria a política americana com essas pessoas entrando em equação? Como as obsessões e paranoias da população seriam afetadas? Cruelmente real e adequada ao momento histórico atual, essa é a história de super-heróis que as revistas em quadrinhos não contam.

“Às na manga” é o sexto livro da série Wild Cards e traz um pouco mais desse universo fantástico para os leitores. A história é narrada em terceira pessoa e tem apenas oito capítulos. Cada capítulo representa um dia do período de 18 de julho de 1988 até 25 de julho de 1988, onde, conforme a sinopse explica, estão tendo início as disputas eleitorais. 

Quem teve a oportunidade de ler os livros anteriores, em especial “Jogo Sujo” (livro 05) percebeu que por trás da postura de bom moço de Hartmann (um dos candidatos), existe um homem vil com interesses próprios e inescrupuloso o suficiente para fazer de tudo para alcançar os seus objetivos.

O livro começa na manhã de segunda-feira, onde o Spector encontra-se clandestinamente com alguém para ser contratado. O que o Spector não imaginava que o contratante seria alguém que todos acreditam que está morto.

“Não houve resposta. Mas não podia esperar resposta de alguém que supostamente tenha sido empalhado e exposto no Museu Popular Carta Selvagem. Ainda assim, Spector sabia muito bem que não havia garantias de que uma pessoa de quem diziam que passara desta para melhor não necessariamente passara por coisa nenhuma.” (p. 13)

A partir desse serviço que o Spector assume, o leitor mergulha em uma história repleta de conspirações, golpes políticos e reviravoltas. Acompanhamos uma segunda disputa, que ocorre por trás dos bastidores políticos, envolvendo ases e curingas. Essa disputa é ainda mais importante, pois o controle de toda a nação poderá cair em mãos muito perigosas.

É um pouco difícil falar do livro sem soltar informações cruciais e estragar as surpresas, mas vale a pena ressaltar que a construção do enredo e a escrita estão perfeitos. A forma como as informações vão se juntando em um período tão curto de tempo (afinal, o livro se passam em um período de oito dias) é ao mesmo tempo avassalador e viciante.

Nesse livro temos personagens como Sara Morgenstern, uma repórter que acaba caindo sem querer em meio a maior conspiração de todos os tempos. É uma personagem honesta, determinada, mas que não faz ideia do tamanho da confusão em que se meteu. 

“Pondo o chapéu de aba larga, pendurou a alça da bolsa no ombro. A repórter intrépida – … – recolhia suas histórias de angústia e repressão: um ato que poderia durar algumas horas no meio de uma multidão. Tinha medo de ficar sozinha. Morria de medo.” (p. 161)

“Às na manga” é uma ótima continuação que traz antigos e novos personagens em meio a um ambiente hostil e predatório: a política. Os leitores ficarão alucinados com as viradas que ocorrem no enredo.

Em relação à revisão, diagramação e layout, a Editora Leya realizou um ótimo trabalho. E o que falar da capa? Simplesmente fantástica e combina perfeitamente com o conteúdo.

Confiram as resenhas dos livros anteriores:
Wild Cards do 01 ao 04
Wild Cards 05

Carol Durães
Carol Durães

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