28março2017

[Resenha] Olhos Prateados – Five Nights at Freddy´s # 1 – Scott Cawthon & Kira Breed-Wrisley

Sinopse – No popular videogame criado por Scott Cawthon, o jogador assume o papel de um segurança contratado para tomar conta de uma pizzaria durante a noite, enquanto os animatrônicos perambulam e ganham ímpeto violento. Mas o mistério por trás dessas criaturas e dos assassinatos que ocorreram ali nunca foi desvendado… até agora. Olhos prateados extrapola o universo que conquistou fãs no mundo todo e traz à tona os medos mais obscuros que só brinquedos sinistros são capazes de provocar. O primeiro livro da trilogia Five Nights at Freddy’s leva o leitor ao mundo de Charlie, uma adolescente que volta para sua cidade natal quando é convidada para participar de uma homenagem a um de seus amigos de infância, morto dez anos atrás, em circunstâncias misteriosas, dentro da pizzaria do pai dela.  Tomados pela nostalgia e determinados a desvendar o crime jamais solucionado, Charlie e seus amigos acabam voltando à pizzaria, agora totalmente abandonada. Eles logo vão descobrir que as coisas lá dentro não são mais as mesmas. Os quatro animatrônicos mudaram. Os bonecos que antes encantavam as crianças agora guardam um segredo sombrio… e um plano mortal.

A trama é narrada em terceira pessoa e começa em 1985 quando algo terrível acontece na Pizzaria Freddy Fazbear e acaba mudando drasticamente a vida dos moradores da pacata cidade de Hurricane em Utah. Dez anos se passam e Charlie, a filha do dono da pizzaria e mais um grupo de amigos retornam à Hurricane.

A premissa é simples: quando esse grupo de amigo tinha apenas sete anos de idade, Michael, um outro garotinho que também fazia parte do grupo foi sequestrado na frente de todos na Pizzaria Freddy Fazbear, porém ninguém viu o criminoso. Acontece que ele não foi o único sequestrado e esse caso foi um rebuliço em Hurricane e destruiu a Pizzaria Freddy Fazbear e o pai de Charlie. Dez anos se passaram e os corpos não foram encontrados, deixando a ferida exposta por todo esse tempo. Para os amigos, as lembranças são fragmentos, a visão infantil de acontecimentos aterrorizantes, mesclando a fantasia com os fatos.

“Michael era a razão da viagem, afinal. Tinham se passado dez anos desde a sua morte, dez anos desde o acontecimento, e os pais do menino queriam que todos se reunissem para uma cerimônia em sua homenagem. Queriam todos os velhos amigos presentes ao anunciarem a bolsa de estudos que estavam instituindo em nome do filho. Charlie sabia que a intenção era boa, mas a reunião ainda lhe parecia um pouco macabra.” (p. 09)

Agora o grupo passará alguns dias em Hurricane e decide visitar a Pizzaria, mas no local se deparam com um shopping abandonado e que tem uma arquitetura peculiar. Invadindo o local, eles descobrem que o shopping foi construído ao redor da Freddy Fazbear, que permanece intacta, inclusive seus animatrônicos que antes eram fofinhos, mas agora são horripilantes. E é claro que eventos estranhos vão ocorrer…

Além de Charlie, temos no grupo Jessica, uma jovem que mora em NY e tem um ar moderno além de uma beleza estonteante, Carlton, filho do xerife de Hurricane, nunca saiu da cidade e seu sonho é ir para qualquer lugar, John, que era a paixonite de Charlie e sonha em se tornar um escritor, Lamar, o jovem prodígio do grupo, Marla, a garota que está sempre feliz e Jason, o meio-irmão de 11 anos de idade de Marla, que é obrigado a acompanhá-la nesse retorno.

Charlie é a protagonista dessa história. Desde pequena vive rodeada de animatrônicos criados pelo próprio pai, um inventor que passava mais tempo em seu galpão com suas criações do que com a filha. O quarto de infância da garota é repleto de criaturas que se movem sozinhas e que a ajudavam a preencher a solidão.

“Sua primeira invenção foi um coelho roxo, que ficara cinza com o tempo, por causa da exposição ao sol. O pai o chamara de Theodore. Era do tamanho de uma criança de uns três anos  – o tamanho da própria Charlie, na época – e tinha pelo macio, olhos brilhantes e uma elegante gravata borboleta, Não fazia nada muito de complexo, apenas acena a mão, inclinava a cabeça para o lado e dizia na voz do pai: “Eu te amo, Charlie.”” (p. 12)

Os autores brincam bastante com o cenário e as descrições dessas criaturas. Os olhos desbotados, as sombras, os jogos de luzes e as ilusões de ótica criada por mentes que passaram anos alimentando a imaginação. É o tipo de suspense que mexe com o imaginário, deixando o leitor assustado com o ambiente. Ambiente esse que se torna o protagonista durante toda leitura. A Pizzaria Freddy Fazbear é um local vivo, pulsante e em suas paredes temos histórias de inúmeras famílias. A ambientação é perfeita. Nada melhor do que robôs em tamanhos gigantes presos em uma construção que esteve fechada por uma década para causar arrepios.

Os personagens têm potencial mas são descritos de forma superficial. Até mesmo Charlie tem sua história contada brevemente. Por ser o primeiro livro, espero que ocorra um desenvolvimento nas sequências, para que seja possível transmitir o carisma desse grupo de amigos. Outros pequenos detalhes também despertam a curiosidade do leitor, como o fato de nenhum dos pais terem feito questão de acompanhar seus filhos nessa viagem ou ligarem para saber se os filhos estão bem. Quer dizer, são jovens menores de idade cruzando o país sozinhos e atuam como se todos fossem independentes e não precisassem dar satisfação a ninguém.

Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um ótimo trabalho. A capa combina perfeitamente com o conteúdo e tem um ar assustador. 

“Todos falaram ao mesmo tempo, tentando explicar. A voz de Jessica era a mais alta e calma, mas nem ela conseguia esconder a ansiedade. Charlie se afastou, quieta. Me contem exatamente o que aconteceu. Por onde deveriam começar? Por aquela noite? Aquela semana? Michael?” (p. 196)

 

ISBN-13: 9788551001462
ISBN-10: 8551001469
Ano: 2017
Páginas: 368
Idioma: português
Editora: Intrínseca
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Avaliação: 3/5

Carol Durães
Carol Durães

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