29março2017

[Resenha] A Traidora do Trono – A Rebelde do Deserto # 2 – Alwyn Hamilton

Sinopse – Amani Al’Hiza mal pôde acreditar quando finalmente conseguiu fugir de sua cidade natal, montada num cavalo mágico junto com Jin, um forasteiro misterioso. Depois de pouco tempo, porém, sua maior preocupação deixou de ser a própria liberdade- a garota descobriu ter muito mais poder do que imaginava e acabou se juntando à rebelião, que quer livrar o país inteiro do domínio do sultão. Em meio às perigosas batalhas ao lado dos rebeldes, Amani é traída quando menos espera e se vê prisioneira no palácio. Enquanto pensa em um jeito de escapar, ela começa a espionar o sultão. Mas quanto mais tempo passa ali, mais Amani questiona se o governante de fato é o vilão que todos acreditam.

“A traidora do trono” é a continuação do livro “A rebelde do deserto” (livro que leva o mesmo nome da série). Os capítulos alternam narração em terceira e primeira pessoa (a trama contada pela perspectiva de Amani). O primeiro capítulo faz um resumo dos acontecimentos que levaram à rebelião: os dois filhos do sultão (o príncipe rebelde e o príncipe estrangeiro) que lutam pelo direito do trono contra o violento sultão. Esse início também relembra os acontecimentos com a bandida de olhos azuis até o presente momento.

Amani, mais conhecida como bandida dos olhos azuis é uma jovem de 17 anos de idade que tem como pai um djinni, um ser imortal. Por conta disso, a jovem tem habilidades especiais e é uma demdji (filha de uma mortal com um ser imortal). Após escapar do seu destino na Vila da Poeira, ela conhece Jin e junta-se a ele na rebelião. 

Conforme os acontecimentos do primeiro livro se desenvolveram, ficou claro que a rebelião foi ganhando forças. Porém, nem todas elas são positivas. Alguns indivíduos abusaram da “rebelião” para tomar cidades e cometer atrocidades. E é exatamente isso que acontece na Cidade Livre, a próxima missão de Amani. Lá ela irá conhecer novos personagens e resgatar alguns conhecidos, como Mahdi, mas nada a prepara para o surgimento de uma mulher misteriosa que aparentemente conhecia sua mãe.

De volta ao acampamento, os leitores vão acompanhando o crescimento pessoal de alguns personagens que a princípio estavam a deriva. Imin e Navid, por exemplo, vão traçar sua própria história e deixar sua marca nessa trajetória. Porém, a rebelião precisa seguir em frente e novos planos são feitos. Amani por sua vez está se sentindo solitária com a ausência de Jin e lidando com os fantasmas do passado, com a culpa do abando de seu melhor amigo e com a perda de pessoas queridas.

“A multidão lutava por um lugar de onde pudesse enxergar a plataforma de pedra posicionada diretamente abaixo da sacada. Olhando daquele ângulo, dava para ver que a pedra não era tão lisa quanto parecia lá de baixo. Havia cenas da escuridão do inferno entalhadas. Homens sendo devorados por andarilhos, pesadelos se alimentando de uma criança, uma mulher cuja cabeça era segurada no alto por um carniçal com chifres. Aquela seria a última coisa que alguém levado à pedra do carrasco veria.” (p. 310)

Durante uma fuga, Amani é traída e levada diretamente para o palácio do Sultão em Izman. O Sultão está procurando outro demdji após o que aconteceu à Noorsham e Amani torna-se sua prisioneira. Ela é mantida no harém do sultão e do sultim, seu filho Kadir e sucessor. Em Izman, Amani terá uma percepção diferente da guerra e ficará impressionada com alguns aspectos. Mas engana-se quem pensa que sua vida será mais fácil. Viver no harém fará com que ela se torne alvo das esposas e algumas delas são capazes de atos vis. É no palácio que Amani terá reencontros com personagens surpreendentes, assim como conhecerá indivíduos que colocarão a rebelião em outro patamar, como Sam, um ladrão habilidoso, Leyla, a jovem de 15 anos de idade e filha do Sultão e Rahim, irmão de Leyla e braço direito do Sultão.

“Mesmo na Vila da Poeira, ouvíamos histórias sobre as comemorações. Fontes cheias de água polvilhada de ouro, dançarinos que saltavam através do fogo como entretenimento, esculturas de açúcar feitas com tanto capricho que os artesãos haviam ficado cegos.” (p. 64)

“A traidora do trono” é um livro repleto de aventura, reviravoltas e política. É uma continuação que se tornou bem melhor do que o primeiro livro, não apenas pela construção e evolução dos personagens, mas do próprio enredo e linguagem utilizada. Se no primeiro livro a obra iniciou-se de forma arrastada, nessa continuação o texto é fluido e muito mais fácil de compreender, mesmo com termos diferentes dos que estamos acostumados. Os personagens estão mais complexos, determinados, com personalidades marcantes e cheios de vida, tornando-se fácil para o leitor sentir uma conexão com eles. Outro detalhe importante foi a forma como a autora incorporou o passado de Amani em todo o livro. A cada capítulo existia um detalhe que nos remetia a vida da protagonista e ela deixou de ser “mais um” na rebelião para se tornar “a rebelião”.

Amani está se tornando mais determinada, confiante e madura e isso fica claro em suas ações e falas. Ela não segue cegamente a rebelião, ela pensa, contesta e questiona o que vê, tanto no palácio quanto no acampamento. Mas Amani não é a única que se destaca. Os demais demdjis vão ganhando o seu espaço, não apenas por conta de suas habilidades especiais, mas também por conta de suas histórias, seus passados e sofrimentos. O Sultão que antes era apenas uma figura representativa torna-se real para todos. Observamos de perto suas falhas, seu comportamento e sua personalidade, assim como todas as engrenagens do palácio, as decisões políticas e cada passo dado em nome da tão buscada paz.

Enquanto alguns personagens se tornaram destaques, outros ficaram um pouco apagados nesse livro. É o caso de Jin e Ahmed que apesar de serem os líderes da rebelião, acabaram ficando com papéis de protagonistas. Sem dúvida, o final dessa continuação irá deixar os leitores boquiabertos. A revelação feita na página 432 muda completamente o rumo da trama e sem dúvida, faz com que o leitor espere ansiosamente pela continuação.

“Os jogos do sultim eram isso, milhares de anos atrás. Tarefas definidas pelos djinnis para escolher o melhor entre os filhos do sultão, e não uma série de testes tolos planejados para voltar homens uns contra os outros. – Uma série de testes tolos que Ahmed tinha vencido por mérito.” (p. 135)

A obra recebeu alguns extras que enriqueceram o livro e que auxiliaram bastante na compreensão de nomes e criaturas. Há um mapa que auxilia o leitor a se localizar, e uma lista de personagens, dividida em rebeldes, Izman, o último condado e mitos e lenda, facilitando e muito a compreensão desse mundo extraordinário criado por Alwyn Hamilton. O início de cada capítulo também é presenteado com um lindo arabesco, um detalhe que chama a atenção.

Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um ótimo trabalho. A capa combina perfeitamente com o conteúdo e complementa a capa do livro anterior. 

“Enfrentamos forças muito maiores que nós e um ser devastadoramente poderoso. Mas sobrevivemos. A história da batalha de Fahali viajou pelo deserto mais rápido do que a dos jogos do sultim. Eu a ouvi dezenas de vezes, contada por pessoas que não sabiam que a rebelião estava ali. Nossas proezas ficavam maiores e menos plausíveis cada vez que eram recontadas, mas o relato sempre terminava do mesmo jeito, com a sensação de que a história ainda não tinha acabado. De um jeito ou de outro, o deserto não seria o mesmo após aquela batalha.” (p. 22/23)

Confiram a resenha do livro anterior:
* A rebelde do Deserto – Livro 01

ISBN-13: 9788555340291
ISBN-10: 8555340292
Ano: 2017
Páginas: 496
Idioma: português
Editora: Seguinte
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Avaliação: 4/5

Carol Durães
Carol Durães

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