22novembro2016

[Resenha] Pensei que Fosse Verdade – Huntley Fitzpatrick

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Sinopse – Um passado a ser esquecido. Um presente nada promissor. Um futuro a ser conquistado. A ilha de Seashell, onde passei minha vida inteira, é tudo isso e muito mais. No entanto, a única coisa que eu quero é ir embora daqui. Gwen Castle nunca quis tanto dizer adeus à sua ilha natal quanto agora: o verão em que o Maior Erro da Sua Vida, Cassidy Somers, aceita um emprego lá como faz-tudo. Ele é um garoto rico da cidade grande, e ela é filha de uma faxineira que trabalha para os veranistas da ilha. Gwen tem medo de que esse também venha a ser o seu destino, mas, justamente quando parece que ela nunca vai conseguir escapar do que aconteceu – ou da ilha –, o passado explode no presente, redefinindo os limites de sua vida. Emoções correm soltas e histórias secretas se desenrolam, enquanto Gwen passa um lindo e agitado verão lutando para conciliar o que pensou que fosse verdade – sobre o lugar onde vive, as pessoas que ama, e até ela mesma – com o que de fato é.

A trama é narrada em primeira pessoa pela protagonista Guinevere Castle, a Gwen, uma adolescente que vive na ilha de Seashell. Seashell é um local turístico, que nos demais meses do ano não tem quase movimento algum. O pai de Gwen é dono da sorveteria Castle’s e a jovem trabalha lá como garçonete na alta temporada. Seus pais são separados e ela vive com a mãe, que realiza faxinas nas casas dos ricaços, com o avô Ben, com o primo de dezoito anos Nic e com o irmãozinho Emory.

“Meu irmão de oito anos não é autista. Ele não é nada que já tenham mapeado geneticamente. Ele é apenas Emory. Sem qualquer diagnóstico, gráfico ou mapa”. (p. 16)

Gwen, como qualquer outra jovem, está naquela fase da vida do auto-descobrimento. Quem eu sou? O que eu quero ser? E também é o momento em que ela age por impulso e algumas de suas ações causam arrependimento. Como o que aconteceu em março…

Porém, agora não é o momento para Gwen ficar se remoendo sobre o que já aconteceu. Sua mãe encontra uma oportunidade da jovem ganhar uma grana extra que a ajude no futuro: ficar como acompanhante da Sra. Ellington no verão. A Sra. Ellington já tem uma certa idade e precisa de alguém ao seu lado o tempo todo, mas sua mente é ágil; uma mulher perspicaz que é capaz de dar a Gwen conselhos valiosos sobre a vida.

O período de calmaria termina quando Cassidy Jones é contratado como faz-tudo na ilha. Cass é um garoto rico que é castigado pelos pais sendo colocado para trabalhar e tem uma história com Gwen.

“Não dou uma palavra com Cass desde as festas que rolaram no começo do ano. Passava por ele na escola, sentava longe durante as aulas e reuniões de alunos e mestres, dava um gelo quando puxava conversa. É fácil quando a gente faz parte de um grupo – aquele grupo – avançando pelos corredores do Colégio Stone Bay como se fosse o dono do pedaço, ou como na Castle’s ontem. Mas não é tão simples quando é só Cass”. (p. 22)

Enquanto os dois são obrigados a coexistir na ilha, os dramas vão se desenrolando. Memórias do que aconteceu, situações envolvendo os amigos, como Viv, a melhor amiga de Gwen, que tem sonhos de uma vida mais simples; Nic, o jovem que perdeu muitas pessoas em tão pouco tempo e tem grandes ambições para o futuro e Spencer, o amigo de Cass que é visto como o descontraído, mas que tem seus próprios problemas para lidar.

A trama vai girando em torno desses personagens e apresentando ao leitor jovens que estão ávidos pelo futuro, mas com receio das incertezas e percalços. “Pensei que fosse verdade” é um livro que fala de encontros e desencontros, sobre sonhos e esperanças.

Gwen é uma jovem que consegue ser indecisa e destemida ao mesmo tempo. Cada situação que se desenvolve gera certa dúvida sobre qual caminho seguir, mas ao mesmo tempo, ela segue o que considera suas verdades, o que é certo e errado. Vemos uma protagonista vulnerável quanto aos assuntos do coração, feroz e amorosa com a família e protetora com a Sra. Ellington. Os momentos em que temos as cenas com Emory, vemos uma relação pura que é repleta de amor fraternal e com a Sra. Ellington observamos o início de uma amizade baseada na sabedoria da Sra. Ellington e na necessidade de entender o funcionamento do Universo por parte de Gwen.

Cass também é um jovem que se destaca. Apesar de toda a boa vida, suas inseguranças estão entrelaçadas aos seus sucessos e fracassos pessoais, o que ressalta a humildade do personagem. Cass, assim como Gwen, é imperfeito, mas está lutando para encontrar seu lugar no mundo, um lugar para chamar de seu. O livro tem romance, mas não é o foco principal do livro. A história desses jovens gira em torno do amadurecimento e na definição do caráter de cada um deles. 

A escrita de Huntley Fitzpatrick é fluida e direta e o enredo é bem delineado e coeso. O texto cativa o leitor com sua simplicidade ao mesmo tempo em que descreve as belezas de Seashell através da perspectiva de Gwen.

Em relação à revisão, diagramação e layout foi realizado um ótimo trabalho. Em cada página há um detalhe próximo a numeração e a revisão está impecável. A capa está colorida, leve e combina perfeitamente com o ar de verão do conteúdo.

“-Bom, nós, os nativos da ilha, somos os transitórios, e bota transitórios nisso. Principalmente quando somos mulheres. Nós somos vistas como acessórios de verão.
– O que isso quer dizer? – Cass se reclina sobre um cotovelo, sobrancelha baixa.
-Que nós somos como cestas de piquenique. Úteis, até boas de carregar quando faz calor e você está com fome. Mas quem quer fazer piquenique quando o verão acaba?” (p. 199)

ISBN-13: 9788558890069
ISBN-10: 8558890064
Ano: 2016
Páginas: 336
Idioma: português
Editora: Valentina
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Avaliação: 4/5

Carol Durães
Carol Durães

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