15novembro2016

[Resenha] Nem Tudo Será Esquecido – Wendy Walker

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Sinopse – Um dos suspenses psicológicos mais elogiados nos Estados Unidos Tudo parece perfeito na pequena Fairview, em Connecticut, até a noite em que a adolescente Jenny Kramer é violentada durante uma festa. Nas horas posteriores, ela é medicada com uma droga controversa para que as memórias da violência sejam apagadas. Mas, nas semanas que se seguem, enquanto se cura das dores físicas, Jenny percebe que guardou nuances daquela noite. O pai, obcecado por sua incapacidade de descobrir quem abusou de sua filha, busca justiça, enquanto a mãe tenta fazer de conta de que o crime não abalou seu mundo cuidadosamente construído. Segredos da família e do círculo próximo começam a vir à tona durante a busca incessante pelo monstro que invadiu a comunidade – ou que talvez sempre tenha estado lá –, guiando este thriller psicológico para um fim chocante e inesperado.

RESENHA RECOMENDADA PARA MAIORES DE 18 ANOS.

“Nem tudo será esquecido” é uma obra impactante e cheia de reviravoltas. Narrada em primeira pessoa por uma voz mais clínica e impessoal (pelo menos no início da trama), a história gira em torno de um terrível acontecimento que abalou a comunidade de Fairview. Jenny Kramer é uma adolescente de 15 anos de idade que foi violentada durante uma festa.

“Os garotos que a encontraram a descreveram como se flutuasse para dentro e para fora da consciência, embora aquilo fosse mais provavelmente o efeito do trauma do que a embriaguez. Seus olhos se mantiveram abertos, e ela conseguiu se sentar e depois andar com ajuda mínima pelo gramado até uma espreguiçadeira. Pela descrição deles, ela às vezes parecia saber quem eles eram, onde estava e o que acontecera; segundos depois, ficava sem reação às perguntas. Catatônica. Ela pediu ajuda. Chorou. Então, desmaiou. Os paramédicos reportaram o mesmo comportamento, mas é política deles não administrar sedativos. Foi no hospital, quando o exame começou que ela ficou histérica”. (p. 23)

As descrições do ato são detalhadas e analisadas sobre várias perspectivas: dos pais, de psicólogos e da polícia. É uma leitura perturbadora e impactante, que é construída de forma a extrair inúmeros sentimentos do leitor.

“Ela foi violentada por trás, de modo vaginal, anal, aparentemente alternando entre um e outro, por uma hora. Certo. Eu disse. Acabou. Eles fizeram o check-up pós-estupro. Encontraram traços de espermicida e látex. Essa… essa criatura usou camisinha. Não encontraram nem um fio de cabelo, e o pessoal da perícia que foi chamado de Cranston mais tarde naquela noite declarou que ele provavelmente se depilou. Dá para imaginar?” (p. 25)

Os pais de Jenny, Tom e Charlotte foram contatados e encaminhados para o hospital. Cada um reagiu de uma forma: Tom ficou desconsolado enquanto Charlotte, estoica. Enquanto Jenny se encontra hospitalizada, os pais decidem aprovar um tratamento arriscado, onde as lembranças do fato seriam apagadas da mente da jovem. A mãe, que quer de todas as forças seguir em frente com a situação e esquecer que tal absurdo aconteceu com a filha, insiste no tratamento. Mas as marcas físicas e emocionais ainda são visíveis em Jenny.

“A recuperação física de Jenny não foi sem sofrimento. As áreas que foram costuradas não cicatrizam facilmente, por isso houve dor constante, diária. Jenny quis parar de comer para reduzir a quantidade de eliminações que teria que fazer. Ela perdeu cerca de cinco quilos nas duas semanas em que seu corpo estava se curando, e esse tempo foi passado basicamente na cama ou no sofá, à base de muitos analgésicos”. (p. 35)

O detetive Parsons ficou encarregado do caso e dedica-se de corpo e alma para encontrar a pessoa que cometeu esse ato tão vil, mas verdade seja dita, não tem muitas pistas. Os pais de Jenny ficam presos em suas próprias mentiras, levando suas vidas repletas de segredos e desentendimentos em frente. Em uma cidade pequena, todos sabem com detalhes o que aconteceu e para Jenny, ser a única que não sabe a verdade é desolador. Afinal, ela tem as marcas em seu corpo que comprovam o abuso, sua mente faz um esforço para recordar e a opção de lembrar-se ou não foi tirada de suas mãos antes de acordar no hospital.

“- Jenny, você quer se lembrar do que aconteceu naquela noite na mata?
Nunca vou me esquecer do rosto dela naquele momento. Foi como se eu tivesse resolvido o mistério do Universo, desvendado a verdade sobre Deus. Quando pronunciei essas palavras, ela se deu conta do que ignorara até então: tudo de repente se esclarecera. Sua expressão carregava um alívio e uma gratidão tão profundos que acho que nunca terei um momento tão satisfatório em minha carreira”. (p. 88)

 A narrativa é feita em primeira pessoa pelo psicólogo, o Dr. Alan. O que começa com uma análise clínica e impessoal, coletando impressões tanto da vítima quanto das pessoas ao seu redor, torna-se cada vez mais íntimo. Como mencionado anteriormente, Fairview é uma cidade pequena e seus moradores são rodeados por segredos e mentiras. Casamentos de aparências, traições, drogas, bebidas e tantos outros problemas que as pessoas colocam para baixo do tapete enquanto sorriem para os vizinhos. Dr. Alan não é uma exceção. Sua própria família esconde segredos que ele fará de tudo para manter enterrados. 

O texto é bem descritivo e com trechos chocantes. A trama é bem desenvolvida, tem algumas reviravoltas e trabalha muito bem a crueldade do ser humano. É uma obra que sem dúvida ficará na mente dos leitores por muito tempo após o término de sua leitura.

Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um ótimo trabalho. A capa combina bem com o conteúdo.

ISBN-13: 9788542208337
ISBN-10: 8542208331
Ano: 2016
Páginas: 288
Idioma: português
Editora: Planeta
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Avaliação: 4/5

Carol Durães
Carol Durães

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