02novembro2016

[Resenha] Destinos de Papel – Luciane Rangel

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Sinopse – Rebeca tem algumas regras que sempre costuma seguir à risca. Ou melhor, quase sempre. Bem, na verdade, seguir regras não é exatamente o seu forte. Com o coração partido por um trauma do passado, ela vive a vida como se não houvesse amanhã, nunca se apegando a ninguém e sem se preocupar com seu futuro. Mas tudo muda quando consegue estágio de Psicologia em uma grande escola, passando a ser uma espécie de conselheira para os alunos. Uma grande ironia, uma vez que ela sequer consegue aconselhar a si mesma. Sua principal paciente, Júlia Nakagawa, é uma garota-problema que detém o estranho dom de prever o futuro ao tocar nas pessoas. Mas não é apenas Júlia que entra na vida dessa jovem desmiolada. Um grande amor também se faz presente, abalando suas estruturas e fazendo com que sejam desrespeitados os limites que ela mesma impôs para si. Porém, Júlia parece conhecer um segredo que pode mudar a vida de muitas pessoas, inclusive a de Rebeca. Para sempre.

A trama é narrada em primeira pessoa pela Rebeca. No prólogo, vemos uma garotinha de onze anos de idade que tenta não demonstrar suas emoções e sim usar os punhos para extravasar todos os problemas. Sua mãe a abandonou com um pai problemático para formar uma nova família, incluindo um bebê e para Rebeca, ficou apenas a amizade de Luana, outra garotinha que tinha seus próprios problemas para lidar…

A história tem início oito anos após o prólogo, quando Rebeca é uma jovem de 19 anos, uma jovem que ligou o “dane-se” para o mundo. Afinal de contas, foi ele que a maltratou primeiro.

“Meu nome é Rebeca, tenho dezenove anos, e isso é tudo o que você precisa saber a meu respeito. Certo distanciamento é importante, talvez até essencial, para evitar o apego. Porque essa é a lei número um da minha vida: quando me apego, as pessoas vão embora. E, já que é assim, eu prefiro deixá-las ir sem aproximação. É mais prático, além de indolor”. (p. 12)

A única constante em sua vida é Laura, uma amiga dez anos mais velha e psicóloga. Rebeca está cursando o primeiro ano da faculdade de psicologia e para poder pagar suas contas, precisa arranjar um emprego. Arranjar um emprego propriamente dito não é o problema de Rebeca, e sim mantê-lo, já que é “um espírito livre”.

“Apesar da pouca idade, eu já tive um número considerável de “empregos”. Fiz alguns bicos de garçonete em festas infantis, trabalhei como atendente em uma lojinha do meu bairro, já fui caixa de mercado… Sempre em comércios pequenos, nunca com carteira assinada e jamais durando mais do que dois meses no mesmo local. As pessoas me diziam que responsabilidade não era o meu forte. Eu prefiro encarar de outra forma: sou um espírito livre. E um espírito livre não consegue passar muito tempo no mesmo lugar”. (p. 15)

Laura consegue para Rebeca um estágio muito bem remunerado no Instituto Santa Agnes e sem muitas opções, Rebeca o aceita. É a partir desse momento que sua vida nunca mais será a mesma…

A escola está iniciando um projeto comandado pelo doutor Christian, psicólogo da equipe. Contratar estagiários para que os jovens se sintam mais conectados com alguém de idade próxima e se sintam mais à vontade para conversar. Rebeca é a primeira estagiária e seu desempenho será o teste para saber se o programa funciona ou não. O doutor Christian designa um único caso fixo para a protagonista lidar: Júlia. Júlia é uma jovem vista como “esquisita” que a primeira vista tem atitudes bem grosseiras, tanto que a primeira interação entre as duas foi bem difícil.

Porém, Rebeca precisa lidar com Júlia, já que foi contratada para isso e descobre que por trás de toda a atitude da garota existe uma complexidade e uma vulnerabilidade que a própria Rebeca conhece muito bem…

O livro tem um tom leve e descontraído com a narração da desmiolada da Rebeca, mas trata assuntos densos e importantes sobre o comportamento humano. É uma obra voltada para o público jovem que é capaz de impactar e até mesmo ensinar aos leitores a importância de se procurar ajuda quando necessário. Entre as confusões causadas por Rebeca, as revelações de Júlia e um possível romance para a protagonista temos também o enfrentamento dos problemas (tanto do presente quanto os do passado) dessa estudante de psicologia. É até mesmo difícil avaliar quem ajudou mais quem: se Rebeca ajudou Júlia ou se foi Júlia quem mais ajudou Rebeca a lidar com seus problemas.

A escrita da autora Luciane Rangel é leve e descontraída ao mesmo tempo que encaminha os leitores a encarar situações densas e sensíveis. Uma trama muito bem desenvolvida, coesa e com muito conteúdo.

A Editora Qualis realizou um ótimo trabalho. Existem detalhes no início dos capítulos, uma revisão impecável assim como a diagramação e o layout. A capa está linda e combina perfeitamente com o enredo.

Ano: 2016
Páginas: 278
Idioma: português
Editora: Qualis
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Avaliação: 5/5

Carol Durães
Carol Durães

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