16outubro2016

[Resenha] O Menino no Alto da Montanha – John Boyne

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Sinopse – Quando Pierrot fica órfão, precisa ir embora de sua casa em Paris para começar uma nova vida com sua tia Beatrix, governanta de um casarão no topo das montanhas alemãs. Mas essa não é uma época qualquer: estamos em 1935, e a Segunda Guerra Mundial se aproxima. E esse não é um casarão qualquer, mas a casa de Adolf Hitler. Logo Pierrot se torna um dos protegidos do Führer e se junta à Juventude Hitlerista. O novo mundo que se abre ao garoto é cada vez mais perigoso, repleto de medo, segredos e traição. E pode ser que Pierrot nunca consiga escapar.

A história é narrada em terceira pessoa e dividida em três partes. Pierrot é um garotinho muito amado pelos pais e que apesar de uma vida simples, era feliz. Nem tudo era fácil, mas era suportável. O pai às vezes fugia para o mundo criado em sua mente, pois lembrar-se do que passou na Guerra era doloroso demais. Mesmo assim, tentava ser um bom pai. A vida toma um novo rumo quando o pai vem a falecer e alguns anos depois, sua Maman também. 

“- Eu também te amo, Papa – Disse Pierrot. – Mas amo mais quando está me carregando nos ombros. Não gosto quando senta na poltrona e não fala comigo e com Maman.
– Também não gosto – disse Papa, baixinho. – Mas, às vezes, é como se uma nuvem escura me cobrisse, e não consigo fazê-la ir embora. É por isso que bebo. Ajuda a esquecer.
– A esquecer o quê?
-A guerra. As coisas que vi . – Ele fechou os olhos e sussurrou. – As coisas que fiz”. (p. 14)

Pierrot não tem opções e é enviado para um orfanato. Seria lógico presumir que sua vida em tal local é a situação mais difícil pela qual ele passa, mas não. Mesmo sendo jogado em um novo mundo, sem nada de sua antiga vida e tendo que lidar com as dificuldades em se viver com tantos outros órfãos em uma situação nada ideal, ainda assim era melhor do que o futuro lhe guardava.

A irmão de seu pai aparece aparece no orfanato e o adota. A grande questão é que ela é a governanta de Adolf Hitler e ao levá-lo para a residência desse homem tenebroso, a inocência de Pierrot é violada. O livro é uma grande reflexão não apenas dos aspectos da guerra, mas sim do comportamento humano. A índole de um garotinho, que era tão amado e bondoso, vai sendo moldada através de uma visão corrupta e deturpada e o meio em que ele se encontra começa a influenciar sua mente. 

Essa é a grande questão da obra que John Boyne criou com tanta maestria. É um livro denso, cheio de complexidade sobre a moral humana e muito doloroso de se ler. Doloroso porque somos meros expectadores da vida de Pierrot, uma vida com tanto potencial, mas que teve influências tão terríveis.

Não há nada mais do que elogios a se dizer sobre a escrita de John Boyne. É uma escrita fluida, coesa e impactante. A criação de seus personagens também é algo a se elogiar, pois eles contêm a dualidade, todos tem potencial para ser malvado ou bondoso, o que causa grande reflexão durante a leitura. Ficamos nos questionando “E se?” tal situação não acontecesse ou fosse diferente, faria diferença na índole dele?

Quanto ao trabalho editorial, a Seguinte realizou um ótimo trabalho. Revisão, diagramação e layout muito bem feitos e uma capa simples que chama a atenção.

“Foi Pierrot quem se levantou da cama naquela manhã, mas foi Pieter quem se deitou à noite, caindo no sono logo em seguida”. (p. 166)

ISBN-13: 9788555340123
ISBN-10: 8555340128
Ano: 2016
Páginas: 225
Idioma: português
Editora: Seguinte
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Avaliação: 5/5

Carol Durães
Carol Durães

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