17outubro2016

[Resenha] Nada Mais a Perder – Jojo Moyes

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Sinopse – Na juventude, Henri Lachapelle foi um cavaleiro de raro talento, entre os poucos admitidos na academia de elite do hipismo francês, o Le Cadre Noir. Contudo, reviravoltas da vida o levaram da França a Londres, onde ele agora vive em um simples conjunto habitacional. Sem nunca abandonar o amor pela antiga carreira, aos trancos e barrancos Henri ensina a neta, Sarah, a montar o cavalo Boo, na esperança de que o talento da dupla seja o passaporte para uma vida melhor e mais digna para todos. Mas um grande golpe muda mais uma vez os planos de Henri Lachapelle, e Sarah se vê entregue à própria sorte, lutando para, além de sobreviver, cuidar de Boo e manter os treinamentos. Natasha é uma advogada especializada em representar crianças e adolescentes envolvidos com crimes ou em situação de risco. Abalada emocionalmente e em dúvidas quanto a seu futuro profissional depois de um caso terrível, Natasha ainda tem de lidar com as feridas do fim de seu casamento. Um fim, diga-se de passagem, bem inusitado, já que ela se vê forçada a morar com o charmoso futuro ex-marido enquanto esperam a venda da casa da família. Quando Sarah cruza o caminho de Natasha, a advogada vê na menina a oportunidade de colocar a vida de volta nos trilhos e decide abrigar a adolescente sob o próprio teto. O que ela não sabe é que Sarah guarda um grande segredo que lhes trará sérias consequências.

“Nada mais a perder” é um romance da autora Jojo Moyes que tem como protagonista duas personagens fortes e apaixonantes. A história é narrada em terceira pessoa e o prólogo se passa na França, no ano de 1960 e gira em torno de Henri Lachapelle. Henri é um jovem com origens humildes, mas que conseguiu não apenas ser admitido na Le Cadre Noir, como tornar-se um destaque. Le Cadre Noir é uma academia de elite do hipismo, onde apenas alguns indivíduos são selecionados e um número menor ainda consegue chegar até o fim. O destaque de Henri causa inveja principalmente a Didier Picart, um rapaz oriundo de uma família abastada que não se conforma por não alcançar o estrelismo dentro da academia. Apesar das provocações constantes, Henri prossegue, até o momento em que conhece Florence Jacobs, uma americana que assistia a uma de suas apresentações. Os dois se apaixonam e após alguns eventos, Henri deixa Le Cadre Noir.

Natasha Macarley é uma advogada que trabalha no escritório de Davison Briscal e sua especialidade são crianças. É uma mulher extremamente dedicada ao trabalho, que realmente quer ajudar aos jovens e passa a maior parte da vida trabalhando. Natasha não sabe demonstrar suas emoções ou discutir seus sentimentos e muitos confundem isso com uma personalidade fria e indiferente. Porém, por dentro, a advogada é um turbilhão de sentimentos e ressentimentos, principalmente em relação à Mac, seu marido, um homem que não vê há mais de um ano. O casamento dos dois foi repentino, mas cheio de paixão, porém diversos abortos espontâneos causaram um abismo. Natasha se retraiu e Mac se distanciou. Enquanto ele continuava seu trabalho de fotógrafo ao redor de top models e sendo o sr. carismático com todos, menos com a esposa; Natasha isolou-se mais e mais, ficando horas no escritório e a única fonte de afeto em sua vida foi Conor, sócio do escritório. Apesar de não trair o marido, Natasha sentia-se mais confortável com Conor do que com Mac. Pouco tempo depois Mac vai embora, retornando apenas agora, para venderem a casa.

Sarah Lachapelle é uma jovem de 14 anos que foi criada pelos avós. Quando sua avó morreu, Henri tornou-se a única família dela. A jovem foi criada com muita disciplina, que passou para a neta seu amor pelos cavalos e talento. A garota não tem amigos, conta apenas com Henri, cowboy John, o dono do estábulo onde seu cavalo fica e Bo, seu cavalo. Após muitos sacrifícios e economias, Henri consegue dinheiro para os dois irem até a França, onde a jovem irá realizar o teste na Le Cadre Noir.

Natasha está perdendo a fé nos jovens. Um caso em especial a abala de tal forma que ela começa a se tornar desconfiada. O retorno de Mac só piora a situação. Os dois terão que dividir a casa onde construíram tantas lembranças até que ela seja vendida, mas o abismo que os separa é grande demais. São muitas mágoas, ressentimentos e arrependimentos. Muitos “e se…”

Sarah se vê em uma situação difícil, onde precisa contar com a ajuda de estranhos. Mas confiar em alguém é algo difícil para ela, que até o momento não teve boas experiências com isso. Sendo uma jovem determinada, ela vai fazer o impossível para realizar o seu sonho e o de Henri, com uma determinação inabalável.  

Quando o caminho das duas se cruza, elas vão aprender lições valiosas sobre perdão, confiança e esperança. “Nada mais a perder” é uma obra que fala sobre resiliência, perseverança, mas também apresenta ao leitor um lembrete importante: não há nada de vergonhoso em pedir ajuda quando realmente precisamos. O enredo é muito bem desenvolvido, desde o início da história de Henri, em 1960 até o final. Cada informação dada no livro tem um motivo e vai amarrando as pontas soltas. 

Os personagens são imperfeitos e isso os torna ainda mais carismáticos e apaixonantes. Seus medos são exacerbados nas páginas. É palpável. Sarah e Natasha são parecidas, mas expressam-se de forma totalmente diferentes. São extremos da mesma corda, e como cavalos selvagens, não dão sua confiança facilmente, porém, se alguém a quebrar, torna-se quase impossível recuperá-la.

Os cenários são ricamente descritos. Da França até o estábulo do cowboy John, em Londres, o leitor sente-se no local, um expectador dos acontecimentos. A escrita da autora Jojo Moyes é fluida e bem construída. A forma como a autora desdobra os acontecimentos, discute sobre os sentimentos dos personagens, é espetacular, pois é sensível e sutil. 

O trabalho editorial da Intrínseca foi muito bem feito. Ótima revisão, diagramação e uma capa que combina perfeitamente com a trama.

ISBN-13: 9788580579703
ISBN-10: 8580579708
Ano: 2016
Páginas: 400
Idioma: português
Editora: Intrínseca
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Avaliação: 4/5

Carol Durães
Carol Durães

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