15outubro2016

[Resenha] Baile das Almas – Um romance musical – Gian Fabra

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Sinopse – Baile das Almas é um romance musical ou uma canção romanceada? Um disco de palavras ou um livro de vinil? Ou as duas coisas ao mesmo tempo? Desvende o mistério através da prosa poética de Gian Fabra, que nos conta a história de Artur Fantini, um homem que se perdeu dos seus desejos. O protagonista, aficionado por música, coleciona discos. Após passar por uma desilusão amorosa, Artur é convidado por um velho amigo a escrever uma letra. Além de se descobrir poeta, também acaba conhecendo a realidade da vida de uma banda de rock na estrada. Para encarar as dificuldades, se deixa guiar pelas músicas que deram sentido a sua vida e percebe que a estagnação não o tornou um homem sem esperança. Na narrativa, entre encontros e desencontros, os personagens partem numa viagem de descobertas pelo mundo, tanto o exterior quanto o interior. Neste sentido, o livro também aborda, com sutil sensibilidade, os momentos de tristeza por que passamos: afinal, o que é a tristeza senão uma das raras oportunidades que temos para mergulhar em nós mesmos? E assim descobrir quem realmente somos e do que realmente gostamos. O romance é repleto de referências artísticas. Citações musicais, literárias e cinematográficas. Formando um caldo de cultura pop. Tanto que ele não é dividido em capítulos, mas em faixas, como se fora um disco. Um livro para quem é ou já foi jovem. Um livro para quem gosta de música e de poesia. 

“Baile das almas” é narrado em terceira pessoa e gira em torno de Artur Fantini, um homem que é muito solitário e que sente uma grande tristeza. Seu porto seguro são as músicas, com quem tem uma relação que iniciou aos seis anos de idade graças ao toca-discos em forma de maleta que recebeu de presente dos pais. Nem mesmo Lorena, a jornalista especializada na área musical, aquela que ele achou que era a sua alma gêmea, permaneceu em sua vida. Após dois anos de casamento, tudo acabou e o coração de Artur se despedaçou.

“Artur colocou a chave na fechadura e girou. Parou por alguns instantes e sentiu mais uma vez a sua tristeza. A sua dor era uma velha conhecida que volta e meia o visitava, ao contrário de outras mulheres que sempre iam embora para sempre”. (p. 13)

Artur recebe uma ligação de Jack Gonzalez, pedindo sua ajuda a escrever uma letra. E é quando ele mergulha nessa tarefa que começa a refletir sobre a sua vida. Percebe o quanto está estagnado, preso a uma situação que já passou. A solidão, a casa vazia e todos os sentimentos de desamparo são externalizados ao derramar seus sentimentos no papel. 

O protagonista começa a escrever músicas que expõem o seu amago, e a banda Sinclair começa a gravar e a ter sucesso, pois agrada a todos que ouvem e se identificam com a dor nas letras de suas obras.

A escrita é simples e direta. O texto é fluido e ao mesmo tempo lírico, graças ao clima criado por Gian Fabra ao mergulhar de cabeça nas referências musicais. O livro é repleto de detalhes musicais. Por exemplo: o sumário é chamado de repertório e os capítulos são as faixas; em todas as páginas há pelo menos uma citação musical e a música é a terapia que Artur necessita para colocar sua vida nos trilhos.

“Enfim, o vulcão explodiu. Um estouro de nuances e sensações contraditórias. E, diante de tanta força e beleza, Artur não conseguiu impedir que as lágrimas rolassem. E isso fez com que todos o abraçassem. E celebrassem. Mais do que depressa, ele enxugou o rosto. Pois aquelas não eram lágrimas de consternação. Nem de júbilo. Eram lágrimas de saudades. Saudade de tudo que ele havia passado até li. Saudade de tudo que ainda estava por vir”. (p. 57)

A Editora Gryphus vem ganhando destaque com a escolha das publicações. “Baile das Almas” é uma obra emocionante, eletrizante e repleta de sonoridade.

ISBN-13: 9788583110750
ISBN-10: 8583110751
Ano: 2016
Páginas: 268
Idioma: português
Editora: Gryphus Editora
Skoob: clique aqui
Avaliação: 4/5

Carol Durães
Carol Durães

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