31outubro2016

[Resenha] A Santa Aliança – A. J. Kazinski

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Sinopse – Eva Katz tenta recomeçar a vida após o fim de sua carreira como jornalista e a morte do namorado na guerra do Afeganistão. Em seu primeiro dia de trabalho numa creche em Copenhague, ela não resiste à tentação de investigar a verdade sobre um crime relatado em um desenho infantil. Entretanto, na busca da verdade, Eva acaba mexendo com instâncias muito poderosas da sociedade dinamarquesa, e o que antes parecia um incidente isolado se revela como parte de uma rede de segredos que remontam à formação da Santa Aliança, uma coligação monárquica criada no século XIX. Este thriller eletrizante é o terceiro da dupla A. J. Kazinski, que já lançou os livros O último homem bom e O sono e a morte pela Tordesilhas.

A história é narrada em terceira pessoa e dividida em três partes: Parte I – A instituição; Parte II – O indivíduo e Parte III – O castelo. A protagonista é Eva Katz, uma mulher que teve sua cota de tragédias. Seu noivo faleceu no Afeganistão e ela se vê desamparada. Como se isso não bastasse, perdeu o emprego de jornalista e sua vida mergulha em um espiral de má notícias. Chega a um ponto em que Eva precisa decidir se finalmente se afoga ou começa a nadar e ela escolhe a segunda opção.

“Quando nos vemos em meio a catástrofes, temos três opções: fazer o certo, fazer o errado ou não fazer nada. As duas primeiras talvez nos salvem a vida. Não fazer nada sem dúvida vai nos custar a vida.” (p. 05)

Disposta a recomeçar, por meio de um programa de reinserção para o mercado de trabalho, começa a trabalhar como assistente de cozinha, em uma creche. É um trabalho bem diferente daquele que estava acostumada, mas era o primeiro passo necessário para colocar sua vida nos eixos.

Malte, uma das crianças da creche, coloca um desenho em sua bolsa. Só que não é um simples desenho e sim um testemunho infantil de um assassinato. Curiosa com o desenho, Eva começa a investigar e se depara com uma conspiração envolvendo a monarquia. Acontece que o desenho retrata a morte de Christian Brix. Malte é filho da dama de companhia da rainha e Christian é o tio de Malte. A morte de Christian foi dada como suicídio, mas Eva começa a descobrir informações que divergem dessa possibilidade. 

Christian Brix é um lobista da System groups e tanto sua vida profissional quanto pessoal estão relacionadas com a monarquia. Sua morte tem repercussões gigantescas, envolvendo áreas políticas, econômicas e até mesmo o poder supremo do país. Muitas pessoas desejam que não exista investigações sobre esse suposto suicídio e Eva depara-se com duas delas bem persistentes: David e Marcus.

Colocando a própria segurança em risco, Eva está diante de um mistério cuja solução pode mudar o destino de um país inteiro. O livro é uma leitura instigante e deliciosa, que faz com que o leitor precise raciocionar e juntar as peças encontradas no caminho. É uma obra perfeitamente desenvolvida, com uma protagonista forte e resiliente. Uma ficção repleta de reviravoltas e com tamanha complexidade que envolve inúmeras esferas políticas e organizacionais. 

Eva é uma protagonista forte, inteligente e decidida. Apesar de todos os contratempos que invadem a sua vida, de alguma forma ela encontra forças e segue em frente ainda mais determinada. 

A escrita é viciante, fluida e concisa, ao mesmo tempo que transborda nas descrições dos cenários e situações. O texto é claro, muito bem desenvolvido e cheio de detalhes que atiçam a imaginação do leitor. Um trabalho realmente fantástico.

Em relação à revisão, diagramação e layout a Editora Tordesilhas arrasou. Uma revisão impecável, uma diagramação limpa e bem executada e uma capa que chama a atenção.

“Ao sair dali, quase chegou a sentir que uma força sobre-humana lhe percorria o corpo, uma força que surgia do nada. Uma zona morta, uma estaca zero interior – nenhuma família, nenhum marido, nenhuma ocupação, e no dia seguinte lhe tirariam a renda mínima e levariam a casa a leilão. Respirou fundo. Que estranho – a sensação era libertadora. Pegou a rua principal; sim, o medo vem do medo de perder as coisas, e ela não tinha nada a perder. Naquele instante, encontrava-se totalmente fora da sociedade; e nunca mais poderia voltar para a instituição, qualquer instituição, não importava como se denominasse”. (p. 214)

ISBN-13: 9788584190447
ISBN-10: 8584190449
Ano: 2016
Páginas: 488
Idioma: português
Editora: Tordesilhas
Avaliação: 4/5
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Carol Durães
Carol Durães

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