22outubro2016

[Resenha] A Guerra dos Mundos – H. G. Wells

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Sinopse – Eles vieram do espaço. Eles vieram de Marte. Com tripés biomecânicos gigantes, querem conquistar a Terra e manter os humanos como escravos. Nenhuma tecnologia terrestre parece ser capaz de conter a expansão do terror pelo planeta. É o começo da guerra mais importante da história. Como a humanidade poderá resistir à investida de um potencial bélico tão superior? Publicado pela primeira vez em 1898, A guerra dos mundos aterrorizou e divertiu muitas gerações de leitores. Esta edição especial contém as ilustrações originais criadas em 1906 por Henrique Alvim Corrêa, brasileiro radicado na Bélgica. Conta também com um prefácio escrito por Braulio Tavares, uma introdução de Brian Aldiss, membro da H. G. Wells Society, e uma entrevista com H. G. Wells e o famoso cineasta Orson Welles responsável pelo sucesso radiofônico de A guerra dos mundos em 1938 , que fazem desta a edição definitiva para fãs de Wells.

“A Guerra dos Mundos” é uma história que sofreu várias adaptações e teve várias edições desde o seu lançamento em 1898. Inegavelmente, H. G. Wells foi um homem com uma mente brilhante e muito além do seu tempo, pois conseguiu criar uma obra atemporal e extremamente futurista.

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O livro é dividido em duas partes, chamadas de Livro 1 e Livro 2. Em livro 1, a chegada dos marcianos, temos uma narrativa em primeira pessoa por um narrador oculto, isto é, não sabemos seu nome ou sua identidade e as referências feitas por ele das demais pessoas são “meu irmão”, “minha esposa” e assim vai. Essa perspectiva decorre por todo livro, o que faz com que o leitor identifique esse narrador como alguém comum, alguém fácil de se identificar. Então esse narrador começa a contar sobre a chegada de um cilindro de onde saem marcianos e que procuram um novo planeta para habitar. É uma parte lenta, pois é mais descritiva e detalhada, porém é arrebatadora. Digo isso, pois me causa espanto um livro escrito há mais de cem anos ter tantos detalhes (da anatomia alienígena, de suas armas) que até hoje são consideradas. As armas de calor, que hoje seriam provavelmente armas com raios laser, por exemplo, é algo incrível se pararmos para pensar nos recursos de Wells em 1898.

“Acho que todos esperavam ver surgir um homem – talvez algo um pouco diferente de nós, terráqueos, mas essencialmente um homem. Pelo menos eu esperava. Mas, enquanto eu olhava, vi algo se mexer entre as sombras: movimentos ondulantes e acinzentados, um acima do outro, e depois dois discos luminosos – como olhos. Então algo semelhante a uma pequena cobra cinzenta, da espessura de uma bengala, desenrolou-se da massa retorcida e estendeu-se em minha direção – seguida de outra”. (p. 70)

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A parte dois, é chamada A Terra sob domínio dos marcianos. O título é esclarecedor e o leitor sabe o que esperar. Existe uma singularidade na escrita de Wells, que prende a atenção do leitor do início ao fim. A obra em si tem uma narrativa lenta e a narração em primeira pessoa faz com que as partes de “ação” percam um pouco de sua força, mas em contrapartida, destaca-se pela caracterização do cenário, das pessoas e dos marcianos.

Ao escrever sobre a invasão alienígena e como os homens são arrebatados por uma força superior, é possível visualizar as críticas sociais referentes aos acontecimentos do final dos anos de 1800. É uma obra inteligente e perspicaz, com um lado reflexivo e ao mesmo tempo ficcional.

Essa nova versão publicada em 2016 pela Suma de Letras é espetacular. Temos imagens que elucidam a narração, a capa dura, um lindo prefácio e uma introdução que explica detalhadamente a vida de Wells e as ideias para sua obra.

ISBN-13: 9788556510099
ISBN-10: 8556510094
Ano: 2016
Páginas: 296
Idioma: português
Editora: Suma de Letras
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Avaliação: 4/5

Carol Durães
Carol Durães

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