26setembro2016

[Resenha] O Despertar do Príncipe – Deuses do Egito # 1 – Colleen Houck

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Sinopse – Aos 17 anos, Liliana Young tem uma vida aparentemente invejável. Ela mora em um luxuoso hotel de Nova York com os pais ricos e bem-sucedidos, só usa roupas de grife, recebe uma generosa mesada e tem liberdade para explorar a cidade. Mas para isso ela precisa seguir algumas regras: só tirar notas altas no colégio, apresentar-se adequadamente nas festas com os pais e fazer amizade apenas com quem eles aprovarem. Um dia, na seção egípcia do Metropolitan Museum of Art, Lily está pensando numa maneira de convencer os pais a deixá-la escolher a própria carreira, quando uma figura espantosa cruza o seu caminho: uma múmia — na verdade, um príncipe egípcio com poderes divinos que acaba de despertar de um sono de mil anos. A partir daí, a vida solitária e super-regrada de Lily sofre uma reviravolta. Uma força irresistível a leva a seguir o príncipe Amon até o lendário Vale dos Reis, no Egito, em busca dos outros dois irmãos adormecidos, numa luta contra o tempo para realizar a cerimônia que é a última esperança para salvar a humanidade do maligno deus Seth.
Em O Despertar do Príncipe, Colleen Houck apresenta uma narrativa inteligente, cheia de humor e ironia. Este é o primeiro volume da aguardada série Deuses do Egito, uma aventura fascinante que vai nos transportar para cenários extraordinários e nos apresentar a criaturas fantásticas da rica mitologia egípcia.

Na grandiosa cidade de Itjtawy, no Egito a vida de seus habitantes tornaram-se prósperas quando eles começaram a culturas o deus Seth. Por vinte anos, as plantações foram abastadas, as mulheres abençoadas e a prosperidade não tinha fim. Amon, o filho do rei Hereu; Asten filho de Khalfani e Ashmose, príncipe de Waset cresceram como irmãos e juntos unificariam o Egito. Todos viviam felizes até que um dia, Seth pediu uma oferenda diferente: a vida dos três príncipes. Divididos entre a prosperidade e o amor por seus líderes, o povo e os reis tomaram uma decisão e negaram o desejo de Seth. Poupados pelos outros deuses, esses três príncipes tem como missão despertar a cada mil anos e impedir a ascensão do deus Seth, que irá destruir a humanidade. Mil anos presos em um limbo para acordarem e vivenciarem experiências fugazes. Mil anos hibernando…

A trama é narrada em primeira pessoa pela protagonista Lilliana Young, uma jovem de 17 anos de idade que vive uma vida considerada perfeita por muitos. Porém, sua vida é feita de aparências. Uma ilusão exigida pelos pais, que querem demonstrar para todos que possuem uma família perfeita.

“Meu pai, advogado bem-sucedido na área de finanças internacionais, sempre dizia que “Os banqueiros confiam primeiro no terno, depois no homem”, sua versão de “Vista-se para o sucesso”. Ele e minha mãe – que passava a maior parte do tempo em uma sala no arranha-céu onde funcionava um dos maiores grupos de mídia da cidade, ditando ordens para sua assistente – haviam me ensinado que imagem é tudo”. (p. 15)

Enquanto Lilliana cumpre o que os pais desejam e esperam, ela recebe uma mesada gorda, mora em um hotel de luxo e tem liberdade para explorar Nova York. Apesar de ter seus sonhos e desejos de cursar psicologia, a jovem é submissa a vontade dos pais, ignorando seus próprios desejos. Um de seus refúgios prediletos é o Metropolitan Museu of Art (Met), onde pode observar as pessoas e imaginar os seus anseios e problemas. 

“O que eu gostava mesmo era de estudar gente. Pessoas do passado, como aquelas sobre as quais eu aprendia no Met, ou simplesmente as pessoas nas ruas de Nova York. Na verdade, eu tinha um caderninho cheio de anotações sobre os homens e mulheres mais interessantes que via”. (p. 16)

E é na seção egípcia do museu que ela se depara com um sarcófago que chama a sua atenção.

“Ao me virar para ir embora, olhei para baixo e de repente percebi duas coisas: primeiro, que o sarcófago cheio de palha não continha nenhuma múmia; segundo, que a serragem exibia outro conjunto de pegadas além das minhas, pegadas deixadas por pés descalços e que se afastavam do sarcófago”. (p. 21)

Lilliana se depara com o despertar de Amon, um dos príncipes do Egito. O problema é que ele não encontra seus jarros da morte ao despertar e precisa deles para manter sua energia vital. Então, sem aviso ele decide pegar emprestado a energia vital da protagonista e com isso, cria uma ligação entre os dois. Achando tudo muito estranho, Lilliana imediatamente se afasta de Amon, mas ele consegue encontrá-la e deixa claro que precisa da ajuda dela para localizar seus dois irmãos e com isso, completar sua missão. 

O problema é que seus irmãos estão no Egito e os dois precisam embarcar em uma grande aventura, onde lutarão contra criaturas sobrenaturais, obstáculos incríveis vão surgir e sentimentos irão despertar. O livro é apaixonante! A autora construiu muito bem a história e dividiu em três partes a aventura: na primeira, conhecemos os personagens e suas histórias pessoais; na segunda parte é a grande aventura em si e na terceira é o desfecho, com revelações e reviravoltas que fazem o leitor ficar grudado no livro até a última página.

O livro é recheado da mitologia e história do Egito, envolve deuses e suas lendas e tem cenários lindos. Mas o que acaba deixando o leitor totalmente preso ao livro é a escrita da Colleen Houck. Ela consegue criar um texto fluido ao mesmo tempo em que insere várias informações; consegue mudar da aventura para o romance de forma orgânica ao mesmo tempo em que discute sobre salvar o mundo.

E o que falar dos personagens? São complexos, carismáticos e tem uma química e tanto. Amon consegue ser arrogante em alguns momentos, mas também é protetor e muito romântico. É possível ouvir os suspiros dos leitores saindo do livro em alguns momentos, de tanta fofura que seus diálogos emanam:

“Na verdade, se eu pudesse engarrafar o seu cheiro de lótus e levá-lo comigo para percorrer o deserto, mesmo que estivesse com insolação, morrendo de sede e só quem pudesse me salvar fosse um xeique do deserto que quisesse ficar com o frasco para si, e mesmo que essa troca fosse me salvar a vida, eu não me separaria do seu cheiro nem mesmo por todas as joias, sedas e riquezas do Egito e de todas as terras ao redor. Dizer que o seu cheiro é agradável para mim é um eufemismo dos mais vis”. (p. 193) 

A trama também tem seus momentos de companheirismo e de laços fraternais graças aos outros personagens que surgem nessa aventura, como por exemplo, o doutor Osahar Hassan, o Oscar, que passou a vida inteira defendendo seus princípios e crenças.

O trabalho editorial da Arqueiro está impecável. As partes são divididas por páginas escuras e a arte combina perfeitamente com o conteúdo. O que falar da capa então? Simplesmente maravilhosa!

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ISBN-13: 9788580414363
ISBN-10: 8580414369
Ano: 2015
Páginas: 384
Idioma: português

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Editora: Arqueiro
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Avaliação: 5/5

Carol Durães
Carol Durães

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