02julho2016

[Resenha] Alucinadamente feliz – Um livro engraçado sobre coisas horríveis – Jenny Lawson

Sinopse – Jenny Lawson está longe de ser uma pessoa comum. Ela mesma se considera colecionadora de transtornos mentais, já que é uma depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos). Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é.Após receber a notícia da morte prematura de mais um amigo, Jenny decide não se deixar levar pela depressão e revidar com intensidade, lutando para ser alucinadamente feliz. Mesmo ciente de que às vezes pode acabar uma semana inteira sem energia para levantar da cama, ela resolve que criará para si o maior número possível de experiências hilárias e ridículas a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade. É por meio das situações mais inusitadas que a autora consegue encarar seus transtornos de forma direta e franca, levando o leitor a refletir sobre como a sociedade lida com os distúrbios mentais e aqueles que sofrem deles, sem nunca perder o senso de humor. Jenny parte do princípio de que ninguém deveria ter vergonha de assumir uma crise de ansiedade, ninguém deveria menosprezar o sofrimento alheio por ele ser psicológico, e não físico. Ao contrário, é justamente por abraçar esse lado mais sombrio da vida que se torna possível experimentar, com igual intensidade, não só a dor, mas a alegria.


“Alucinadamente feliz” é um livro esplêndido, que mescla o bom humor em situações cotidianas. Conforme a sinopse explica, a autora tem uma série de transtornos, tais como depressão, distúrbio de automutilação e muitos outros transtornos. Seu cotidiano em um dia comum não é fácil, imaginem então quando ela recebe a notícia de que um amigo querido faleceu. Foi uma postagem em seu blog pessoal que deu o pontapé inicial ao movimento ALUCINADAMENTE FELIZ.

“Outubro de 2010:Deu para ouvir? Isso sou eu sorrindo, minha gente. Estou sorrindo tanto que dá para ouvir daí. Vou destruir o maldito universo com a minha alegria irracional e vou vomitar fotos de gatinhos desastrados e cachorrinhos adotados por gaxinins e LHAMAS RECÉM-NASCIDAS FODÁSTICAS COBERTAS DE GLITTER E DE SANGUE DE VAMPIROS SENSUAIS E VAI SER INCRÍVEL.” (p. 19)

E a partir desse momento, a vida de Jenny mudou, pois ela adotou um novo mantra na sua vida e aceitou tudo com muito bom humor e fez coisas que muitos considerariam loucura.

“Nos anos seguintes, me forcei a dizer sim para qualquer coisa ridícula. Pulei em fontes onde ninguém deveria entrar. Peguei a estrada sem planejar nada para caçar discos voadores. Persegui tornados. Vesti um lobo (que havia morrido de falência dos rins) para ir à estreia local de Crepúsculo enquanto gritava “TEAM JACOB” para fãs de vampiros furiosas. Aluguei um bicho-preguiça por hora. Meu novo mantra tornou-se “decoro é superestimado e provavelmente causa câncer”. Em resumo, fui enlouquecendo aos poucos, mas com constância. E foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido.” (p. 19/20)

E não foi apenas para a Jenny. Os leitores ao terminarem “Alucinadamente feliz” terão a impressão de que tiveram a melhor experiência de suas vidas! Jenny discute em cada capítulo um assunto diferente, como uma conversa com o seu marido Victor, uma viagem que fez até a Austrália e se vestiu de coala e canguru (existem fotos no livro que comprovam essa história!) e até mesmo as conversas imaginárias que tem com a sua psiquiatra.
Sem dúvida é uma obra repleta de bom humor e que discute com muita leveza o cotidiano de alguém que vive no limite. Um livro incrível e leitura indispensável para todos.
Em relação à revisão, diagramação e layout a editora arrasou. A capa combina perfeitamente com a história (tem uma explicação lógica para ela).

ISBN-13: 9788580579314
ISBN-10: 8580579317
Ano: 2016
Páginas: 352
Idioma: português
Editora: Intrínseca
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Avaliação: 4/5

 

 

Categorias:Outros
Thaís Turesso

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  • edite julho 8, 2016

    Gostei e ri muito com este livro, genial e louco.
    A meu ver a escritora vive no limite (como é referido na opinião) mas ao expor-se pretende demonstrar que ninguém deve, tal como ela própria, esconder os seus problemas. Aliás, ela mesmo refere que reuniu 24 casos de pessoas que mudaram de opinião (quanto ao suicídio) depois de conhecerem o seu testemunho.
    Ah, o marido é um santo! Se não fosse ele…tenho as minhas dúvidas quanto a transpor para a nossa vida "Furiosamente Feliz". É muito importante ter uma pessoa do nosso lado, não acham?