22abril2014

[Resenha] O Ladrão do Tempo – John Boyne

Sinopse – “John Boyne tornou-se um escritor célebre no mundo inteiro depois do estrondoso sucesso de seu romance O menino do pijama listrado, mas agora o leitor brasileiro tem finalmente o privilégio de conhecer O ladrão do tempo, livro que deu início à brilhante carreira do autor irlandês. O ano é 1758 e Matthieu Zela resolve abandonar Paris e fugir de barco para a Inglaterra, depois de ter testemunhado o assassinato brutal da mãe pelo padrasto. Apenas um garoto de quinze anos na época, ele leva consigo o meio-irmão caçula, Tomas, criança que se vê impelido a proteger. Começando com uma morte e sempre em busca de redenção, a vida de Zela é marcada por uma característica incomum: antes que o século XVIII acabe, ele irá descobrir que seu corpo parou de envelhecer. Sua aparência é de um homem de cinquenta anos, mas o tempo passa e seu físico continua imutável. Ele simplesmente não morre e não faz ideia de qual seja a razão para que isso ocorra. Ao final do século XX, ele resolve olhar para o passado e rememorar sua experiência de vida, incomparável à de qualquer outro ser humano. Da Revolução Francesa à Hollywood nos anos 1920, da época das Grandes Exposições à quebra da Bolsa de Nova York, Zela transitou por inúmeros lugares, exerceu diversas profissões e conheceu pessoas notáveis, além de ter se apaixonado por muitas mulheres. Mas, mesmo séculos depois, ele continua certo de que seu verdadeiro amor foi Dominique Sauvet, uma jovem que conheceu no barco que tomou com o irmão para escapar da França. O trio se uniu para começar a nova vida na Inglaterra e Matthieu se viu totalmente encantado por Dominique. Com uma trama absolutamente instigante de amor, morte, traição, oportunidades perdidas e esperança, John Boyne já anunciava neste primeiro romance o seu talento inconfundível de exímio contador de histórias”.

Minha opinião – O livro é narrado em primeira pessoa por Matthieu Zéla, um homem que por incrível que pareça tem mais de 250 anos de idade e não consegue explicar o motivo de sua imortalidade.

“Eu não morro. Apenas fico mais e mais e mais velho”. (p. 07)

Atualmente, o ano é 1999 e Matthieu encontra-se em Piccadilly, Londres. O único parente vivo que Matthieu possui é um descendente de seu meio irmão, um jovem de 22 anos, ator de um programa conhecido de televisão e que tem sérios problemas com drogas:o Tommy.

A narração alterna entre momentos passados e o presente, onde Matthieu tenta ajudar Tommy e relembra sua vida, começando por Paris em 1743.

Seu pai Jean morreu quando ele tinha apenas quatro anos de idade e sua mãe Marie Zéla casa-se com Philippe Dumarqué, um homem extremamente violento. Após testemunhar o assassinato de sua mãe, Matthieu foge com seu pequeno meio-irmão Tomás, pegando um navio que sai de Calais para Dover, na Inglaterra. E é nesse navio que ele encontra a pessoa que mais o marcou em toda a sua existência: Dominique Sauvet, uma jovem de 19 anos que deixa uma forte impressão nesse rapaz de 15 anos de idade.

Entre idas e vindas do presente para o passado, o leitor acompanha a jornada de Matthieu e a sua tentativa de salvar a linhagem do seu meio-irmão, caracterizada por homens problemáticos que morrem precocemente.

O incrível do enredo desse livro é que o autor mesclou acontecimentos reais e personalidades conhecidas em meio a uma mirabolante trama. Através de Matthieu conhecemos um pouco mais Chaplin, presidentes, a caçada aos comunistas, a crise da bolsa de valores de 1929 e até mesmo Marlo Brando.

Uma trama muito bem escrita e delineada, com um enredo forte e arrebatador, que mostra que um homem pode ser imortal, participar e observar os eventos mais espetaculares da humanidade e ainda assim ter um núcleo pessoal tão solitário que é capaz de arrebatar o leitor.

Como sempre, a escrita do autor é viciante e ritmada e apesar dos diversos personagens que o livro contêm, o leitor não se sente saturado. Todos os personagens apresentados estão entrelaçados e existem por um motivo, nenhum deles é apresentado apenas para enfeitar a trama.

Acompanhamos também não só a vida do protagonista, mas também o crescimento e desenvolvimento da humanidade. Observamos a construção do caráter de diversos personagens e conhecemos o melhor e o pior de cada um deles.

Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um ótimo trabalho. A capa é simples mas ao mesmo tempo chama a atenção.

“Alexandra pode ter sido uma ficcionista ou quem sabe uma mentirosa compulsiva, mas o fato é que ela conseguiu algo que nenhum homem nem mesmo Deus tinham sido capazes em cento e catorze anos antes daquele evento e cento e doze anos depois: ela me matou”. (p. 412)

Edição: 1
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535923780
Ano: 2014
Páginas: 568
Tradutor: Henrique B. Szolnoky
Avaliação: 4/5
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Categorias:Outros
Thaís Turesso

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  • Sil abril 22, 2014

    Gosto muito da escrita do autor e quero ler. Ele tem um dom para falar sobre História sem deixar ela chata. Gostei das capas dos livros dele estarem vindo com um padrão.

    Blog Prefácio

  • Neyla Suzart abril 22, 2014

    Oi Tháis!
    Amo os livros do John Boyne! Em geral os livros dele me prendem de tal forma que acabo esquecendo do mundo ao meu redor. Isso sem contar o quanto me emociono com suas histórias. Esse eu ainda não tinha lido, mas já anotei na lista de desejados.
    Beijos
    Coisas de Meninas